Quem são as 3 MULHERES que vão revolucionar a TV portuguesa?

São 3 Mulheres que transformaram para sempre a História de Portugal. Agora, chegou a vez dos portugueses as conhecerem de forma íntima e pessoal.

25 Out 2018 | 7:40
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Soraia Chaves, Victoria Guerra e Maria João Bastos são as protagonistas de 3 Mulheres, a nova série de ficção da RTP1. Com estreia agendada para 26 de outubro, às 22h30, a série escrita por Fernando Vendrell e Elsa Garcia retrata a história verídica de três mulheres que marcaram a história do feminismo em Portugal: Snu Abecassis (Victoria Guerra), Vera Lagoa (Maria João Bastos) e Natália Correia (Soraia Chaves).

A acção de 3 Mulheres decorre em plena ditadura, entre 1961 e 1973, num Portugal mergulhado no isolamento físico, intelectual e numa guerra colonial que ceifaria a vida de milhares. A trama vai conduzir o telespectador até às vésperas da Revolução de 1974.

 

Quem é quem?

 

Natália Correira (Soraia Chaves)

Nasceu na ilha de São Miguel e deixou os Açores com 11 anos. Destacou-se como uma das mais influentes figuras intelectuais da segunda metade do século. Possui uma obra literária extensa que inclui poesia, romance, teatro, ensaio e tradução.

 

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Personalidade polémica da sociedade portuguesa, caracterizouse por uma forte intervenção política, com especial atenção para a cultura, o património, a defesa dos direitos humanos e, em especial, os direitos das mulheres. Mas também se caraterizou pela ousadia artística.

Na década de 1950, a sua casa era um autêntico salão literário, aí se reunia uma das mais vibrantes tertúlias de Lisboa, onde compareciam as mais destacadas figuras das artes, das letras e da oposição política nacional e internacional. No início dos anos 70, abre o bar Botequim, um espaço de tertúlia que se tornou referência da noite lisboeta.

 

Snu Abecassis (Victoria Guerra)

Nasceu na Dinamarca durante a Segunda Guerra Mundial e viveu na Dinamarca, Suécia, Inglaterra, Estados Unidos e Portugal. Aos 16 anos apaixona-se por Vasco Abecassis, um português com família de origem judaica, enquanto estudavam em Inglaterra. Casam-se na Suécia e têm três filhos: Mikaela, Ricardo e Rebecca. Nos anos 60 mudam-se para Portugal.

Em 1965, funda a editora Dom Quixote, reconhecida por publicar livros considerados de esquerda e de ideias contrárias às do regime do Estado Novo. As suas publicações confrontam-na com a Censura e a PIDE. Discreta, voluntariosa e determinada, Snu contorna as barreiras que se criam perante a sua atividade editorial.

Snu era elegante, discreta, misteriosa, obstinada, persistente, reservada e fugidia. Era uma mulher diferente das portuguesas.

 

Vera Lagoa (Maria João Bastos)

Filha de um major do exército português e descendente de republicanos, nasceu em Moçambique. Aos 16 anos, chega a Lisboa onde começa a trabalhar como secretária. Em 1957, torna-se conhecida por ser a primeira locutora de continuidade da RTP.

Ativa na luta contra o regime de Salazar, participou nas candidaturas da oposição (Humberto Delgado), integrando manifestações de contestação e dando apoio às famílias dos prisioneiros políticos.

Em 1965 inicia no “Diário Popular” a sua crónica “Bisbilhotices de Vera Lagoa” que ganha notoriedade como critica social. Vera Lagoa luta pelo seu reconhecimento profissional e pela obtenção da Carteira Profissional de Jornalista que lhe era recusada.

 

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Torna-se uma notória figura pública, nomeadamente com a organização dos concursos de Miss Portugal. Após a revolução, afirma-se como ativista de direita e torna-se diretora do jornal O Diabo ao longo de 15 anos. Quando impedida de editar o seu jornal pelo Conselho da Revolução lança o semanário O Sol, que é abruptamente interrompido pela deflagração de uma bomba. Posteriormente, co-dirige O País e colabora com O Tempo.

Durante a sua carreira jornalística é várias vezes levada a tribunal, acusada de injúrias e difamação. Um dos seus importantes combates jornalísticos é a denúncia do caso Camarate. Deixa publicado o livro Histórias de Revolucionários Que Eu Conheci.

Fotos: RTP

 

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