O último passo! 85 milhões de euros entram para cofres da Cofina para comprar dona da TVI

Os acionistas do grupo Cofina acordaram num aumento de capital de 85 milhões de euros para concretizar o negócio de aquisição da Media Capital, que detém meios como a TVI e a Rádio Comercial.

30 Jan 2020 | 18:50
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«O Conselho de Administração da Cofina deliberou, com o prévio parecer favorável do Conselho Fiscal, o aumento do capital social da Sociedade no montante de €85.000.000,05». A citação consta do comunicado enviado pelo grupo que tutela meios como o Correio da Manhã e a CMTV, na noite desta quarta-feira, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e confirma um novo passo (um dos derradeiros) no negócio de compra da Media Capital.

A aquisição da empresa que detém a TVI e a Rádio Comercial pela Cofina está, assim, prestes a concretizar-se. Para esse aumento de capital se realizar, foi, por isso, aprovada a alteração de estatutos sugerida.

No mesmo dia, foi anunciada, num comunicado enviado à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) espanhola, que os acionistas da Prisa aprovaram a venda da Vertix, que detém 94,96% da Media Capital, ao grupo Cofina. «Ficam aprovadas todas as propostas de acordos submetidas à assembleia-geral pelo conselho de administração», anunciou a Prisa na missiva enviada ao regulador do mercado espanhol.

Ambas as partes acreditam que o negócio seja ultimado ainda no primeiro trimestre do ano.

 

Depreciação de 50 milhões de euros

 

Se, em 2017, a Altice propunha adquirir a Media Capital por 440 milhões de euros, a Cofina acordou, em setembro do ano passado, pagar 255 milhões de euros para concretizar a operação – 181 milhões de euros mais o valor correspondente à dívida da empresa.

Só que, no final do ano, a Cofina anunciou um novo acordo com a Prisa, a espanhola que ainda tutela a Media Capital, que culmina com a ainda mais acentuada desvalorização da dona da TVI.

Numa missiva enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), foi comunicado um aditamento ao contrato de compra que refere que «as partes acordaram na redução do preço de aquisição previsto no Contrato de Compra e Venda, que é agora de 123.289.580 euros, assumindo um ‘enterprise value’ de 205.000.000 euros». Ou seja, houve uma depreciação de 50 milhões de euros.

No final de 2019, a Autoridade da Concorrência informou, em comunicado, que não coloca objeções ao negócio de 205 milhões de euros. A nota, que veio ratificar um projeto de decisão emitido, a 10 de dezembro, pelo Conselho de Administração do mesmo organismo, surgiu após uma «análise exaustiva».

Nela, pode ler-se na missiva, «a Autoridade da Concorrência considera que a operação de concentração não é suscetível de criar entraves significativos à concorrência em qualquer um dos mercados relevantes considerados, entre os quais o dos canais de acesso não condicionado para televisão por subscrição, da imprensa e outros conteúdos digitais ou ainda no da publicidade».

 

Texto: Dúlio Silva; Fotografias: Arquivo Impala

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