“A morte dos nossos mata-nos”: Ana Rocha de Sousa está de luto e faz emotiva homenagem

Ana Rocha de Sousa está de luto pela morte da avó de quem a filha herdou o nome: “Sabia que esse dia ia chegar”. Para a atriz e realizadora, a familiar foi muito à frente do seu tempo.

27 Jul 2021 | 9:00
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Ana Rocha de Sousa recorreu às redes sociais, este domingo, 25 de julho, para anunciar a morte de uma das suas avós. A atriz e realizadora dedicou um texto emotivo a uma mulher que considera ter sido muito “à frente do seu tempo” e de quem a filha herdou o nome: Amélia.

“Nascemos. Vivemos. Morremos. Perdi a minha avó. Sabia que esse dia ia chegar. Sabemos todos. Mas não sabemos. Achamos que sim, que é natural. Que faz parte. A morte dos nossos mata-nos. Mesmo quando é suposto ser natural”, começa por dizer Ana Rocha de Sousa, de 42 anos. “Perdi a minha avó. Mas muito antes disso, ela pensou ter-nos perdido a nós. Sem entender que o mundo mudou radicalmente devido a um vírus qual guião série Z. A minha preciosa avó”.

Ana Rocha de Sousa, que realizou recentemente “Listen”, a primeira longa-metragem, destaca a elegância da avó, uma mulher de garra. “O rosto da coragem. Absolutamente à frente do seu tempo. A elegância. No estar. No vestir. No ser. No escolher. Tudo. Mulher de força. Não precisava falar. Aniquilava corações só de passar. Respirava bom gosto. Sempre linda nem que fosse para ir ao pão ou ver o correio. Uma mulher a quem levaram tudo. Mulher que quando todos fugiam da guerra, ela teimava firme para defender o que era dela. A última a baixar os braços”, sublinhou.

 

Ana Rocha de Sousa sobre avó: “Genial na sua graça séria”

 

E continuou: “Fez frente a homens armados. Sem medo. Mulher incrível que intimidava quem a olhava nos olhos. Brava mais brava não havia. Bela e brava. Não lhe faziam frente. Teimosa. Séria. Linda. Era vê-los a tombar e outros a cair. Não lhes ligava. Amou o meu avô. História de filme naquele tempo. Até ao dia em que perdeu um filho, o meu tio. O seu maior amor, a sua maior dor. Quando um dia lhe bati à porta sem aviso, assim que me viu… sentiu. Como ia ela sobreviver à morte de um filho?”.

A atriz refere ainda que, apesar de ser fortíssima, nunca mais foi a mesma. “Nenhum de nós.
Seguiu sobrevivendo. Vivendo também muito por nós. Uma força da natureza que ficou mais calada. Sempre forte. Frontal. Ri-me tanto mas tanto ao longo da vida com ela. Genial na sua graça séria. Dizia o que achava, na elegância que tinha”. Ana Rocha de Sousa adianta ainda que tanto ela como o irmão e os primos ‘morriam’ de amor por ela e pelo seu espírito único.

“Anos a fio diziam que era igual à Amália Rodrigues. E foi. Tão parecida ao ponto de lhe pedirem na rua para cantar. Porém tinha um brilho só dela. Absolutamente dela. Parava lugares, ruas inteiras, cidades. E quem não acredita é porque nunca a viu passar. O mundo literalmente parava só para a ver passar”.

Por fim, a realizadora adianta que a sua filha se chama Amália por ela. “Por ela. Onde quer que estejas… que saibas sempre do meu amor por ti”.

 

Texto: Carla S. Rodrigues; Fotos: Arquivo Impala e reprodução redes sociais

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