Ágata revoltada por ficar de fora do filme das Doce: «Acho que não devem mostrar tudo»

«Tenho muitas histórias para contar e elas não devem querer que eu fale. Devem ter tido receio que eu contasse o que se passava nos bastidores», refere Ágata.

23 Jan 2020 | 19:45
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O filme Bem Bom, que retrata a história das Doce, já está a ser gravado e estreia a 25 de junho. A série chega à televisão pública em setembro e também haverá espetáculos ao vivo pelo país com as quatro atrizes que vão dar vida às cantoras da banda: Teresa Miguel, Laura Diogo, Helena Coelho e Fátima Padinha.

Este projeto tem todos os ingredientes para ser um sucesso, no entanto, segundo a cantora Ágata, o filme «está incompleto».

«Se o filme é sobre o grupo, devia ser do princípio ao fim. E não é. Eu fiz parte das Doce e não sou retratada no filme, por isso acho que está incompleto», afirma a artista, revelando a explicação que a própria Teresa Miguel lhe deu para o seu nome não ser falado: «Segundo ela me disse, o filme acaba quando a Helena Coelho engravida, mas a banda ainda durou mais dois anos, por isso, na minha opinião, isso não faz sentido».

Ágata entrou para as Doce em 1984 e ficou até ao final, em 1986. «Quando a Helena voltou, a Fá saiu e eu fiquei no lugar dela», continuou. «Mas atenção, não quero que pensem que estou chateada por não falarem de mim. Nada disso! Eu tenho a minha carreira no mundo da música e felizmente não preciso, mas acho que é injusto», disse ainda.

«Devem ter tido receio que eu contasse o que se passava nos bastidores»

Apesar de ter feito parte da banda, a cantora revela que não está curiosa para ver o filme, até porque acredita que este não vai contar toda a verdade: «Acho que vai ser muito cor-de-rosa… mas aquilo que se passava nos bastidores de cor-de-rosa não tinha nada, por isso acho que não devem mostrar tudo».

«Se calhar, por isso é que não falaram comigo… porque eu tenho muitas histórias para contar e elas não devem querer que eu fale. Devem ter tido receio que eu contasse o que se passava nos bastidores», afirma ainda Ágata, revelando que, entre os elementos do grupo, «o ambiente não era muito bom».

«Eu só tive uma picardia com a Laura Diogo. Ela era muito arrogante, tinha a mania que mandava, mas eu não gosto de comandantes», recorda, revelando ainda dois episódios que aconteceram e com os quais ficou «aborrecida».

«Foi marcado um concerto para as Doce irem atuar aos Estados Unidos e elas foram só as três. … Acho que disseram que eu não tinha conseguido tratar do Visto, mas isso não era verdade», diz. «Eu não achei aquilo bem e fui falar com o Tozé Brito, que era o produtor da banda. Quando elas voltaram, tiveram de me dar parte do cachet».

Algum tempo depois, as Doce foram a um programa de televisão. «Não só não me disseram e foram só as três também, como levaram um casaco com um coração e com o nome da Fá».

Apesar das desavenças na época, Ágata ainda hoje mantém contacto com Teresa Miguel. «É a única com quem falo. Gosto muito dela, é muito boa pessoa. Com as outras não estou chateada, mas acabámos por nos afastar».

Texto: Patrícia Correia Branco/ Fotos: Arquivo Impala e DR
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