Albano fica «pendurado» devido à situação leonina

Ator foi convidado para estar presente na televisão, mas crise do Sporting falou mais alto.

07 Abr 2018 | 18:58
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Albano Jerónimo recorreu às redes sociais para dar a conhecer um episódio que o deixou bastante desagrado. O ator foi convidado para abordar a polémica relativa ao valor do orçamento de Estado destinado à cultura, algo que não chegou a acontecer devido à crise do Sporting.

«Aconteceu-me ontem, dia 6 de Abril de 2018, 19h. Ontem, no maior ajuntamento da classe artística que há memória num pós 25 de Abril», começa por escrever. «Convidaram-me para ir comentar a situação dos artistas, da Cultura e da massiva manifestação por todo este Portugal. Iria falar do “novo” modelo de apoio às Artes, da precariedade da profissão, da urgência de um reforço orçamental para a cultura (1%), de que não existe um favor do estado (que fique claro) ao remunerar um Serviço Público à sociedade, e sobretudo que exista de facto uma política cultural séria, construtiva, criativa, perto dos artistas e que possa dar ao público a cultura que merece. Tudo isto, iria acontecer num telejornal de grande visibilidade ou audiência para o dito canal, ontem às 19h. Aceitei, claro», prossegue.

«Cheguei ao estúdio e fui aguardando pela minha vez de entrar em direto. Assisti a uma parafernália de temas importantes, e de menor importância, nacionais e internacionais. Aguardei, aguardei, até que me vieram dizer que afinal não havia tempo. Que afinal o tema futebol tinha ganho protagonismo e que segundo “ordens de cima” (eras tu, Deus? Ou seria um consciente diretor de programas? Ou um diretor de informação emocionado com o Bruno de Carvalho ou com audiências? Ou seria o pensamento de ir atrás dos outros canais nas audiências e ratings da vida televisiva?!!!), tinham esgotado o tempo do noticiário. Já não tinham tempo para a Cultura.  Já não tinham tempo para a Cultura, repito. O Futebol ganhou à Cultura», conta.

«Reclamei, evidentemente. Retaliaram desculpando-se, de novo, com as ordens superiores», refere. «Por fim, deixo aqui duas perguntas aos diretores nestes nossos canais de televisão “independentes” ou não (até rimei), ou aos nossos jornalistas que vão atrás de tudo menos do que de facto interessa para a sociedade onde se inserem: É este o futuro que queremos desenhar, criar, inovar e/ou transformar para os nossos filhos? Onde está a vossa responsabilidade social, meus senhores?», conclui

 

Foto: Impala

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