Ana Bola chora a morte da mãe em silêncio: «Já era insuportável vê-la daquela maneira»

A atriz ficou em «choque» quando a mãe morreu mas, dois dias depois, voltou a pisar as tábuas do palco para fazer rir portugueses. Nos bastidores, a emoção era outra: «Chorei nos intervalos».

20 Dez 2019 | 18:50
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Ana Bola, de 67 anos, vai viver este Natal com um semblante de tristeza. A conhecida atriz está de luto há um mês, quando a mãe, de 95, morreu, mas só no decorrer desta semana é que tornou público o momento de dor por que está a passar.

Foi no podcast da Rádio Comercial Cada Um Sabe De Si, conduzido por Joana Azevedo e Diogo Beja, que Ana Bola revelou, para espanto dos radialistas, que estava a passar por um período de luto. E fê-lo no momento em que foi questionada sobre a forma como, por vezes, o trabalho que desempenha pode funcionar como uma terapia para fugir a problemas da vida pessoal.

«A minha mãe morreu há muito pouco tempo. Há três semanas… Tinha 95 anos. Já não estava bem há muito tempo», deixou escapar a atriz numa conversa gravada dias antes da divulgação da mesma.

A TV 7 Dias soube, entretanto, que a morte da progenitora de Bola aconteceu no dia 20 de novembro, ou seja, há exatamente um mês. Nessa altura, estava em cena no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, com o espetáculo Casal da Treta, que protagoniza com José Pedro Gomes.

 

«Chorei nos intervalos», assume Ana Bola

 

A morte da mãe de Ana Bola obrigou, naturalmente, ao cancelamento de um espetáculo. Mas, no dia seguinte à cremação do corpo da progenitora, a atriz logo voltou a pisar as tábuas daquele palco. «A minha mãe morreu a uma quarta e, depois, foi cremada a uma quinta. Eu tinha espetáculo no Porto, mas, na sexta, fui fazer. E foi muito terapêutico. Foi muito, muito terapêutico. Ainda pensei: ‘Será que vou ser capaz?’. Mas, a partir do segundo em que se entra em palco, a vida cá fora acaba», apontou.

E explicou por que razão isso acontece: «Tens a plateia à tua frente. Não podes falhar, não podes sentir-te frágil. E o certo é que o facto de ter ido fazer espetáculos em vez de me ter escondido a chorar fez-me muito bem. Depois chorei nos intervalos, como é óbvio. E continuo e continuarei a chorar com saudades dela.»

Até porque, sublinhou, aquilo «que se sente» em momentos como este «são saudades irremediáveis».

 

Atriz defende que mãe «esteve tempo demais a sofrer»

 

Antes, a atriz contou que viveu este momento de dor em silêncio para se resguardar, nomeadamente da Imprensa. Partilhou-o agora num discurso em que aborda a questão com naturalidade.

«Eu via-a em sofrimento já há tanto tempo que achava que era quase uma misericórdia que ela fosse, que ela adormecesse. E até esteve tempo demais a sofrer, o que não faz muito sentido no fim da vida. Mas enfim. E houve uma noite em que ela foi, adormeceu», relatou.

Descrevendo a mãe como «uma mulher cheia de sentido de humor», que «teve uma vida bastante agradável e positiva», Ana Bola lamentou que os últimos anos de vida da mãe tenham sido com esta acamada.

«Pensei sempre que ia sentir algum alívio por ela, porque já era insuportável vê-la daquela maneira. […] No dia em que ela partiu, fiquei em estado de choque. Se me dissessem ‘Queres a tua mãe aqui outra vez, mesmo como ela estava?’, eu dizia ‘Quero!’. Isto é de um egoísmo atroz», rematou.

 

Últimos dias da mãe em casa de repouso

 

Em julho, n’O Programa da Cristina, da SIC, Ana Bola já tinha falado sobre a luta interior que travava por não reconhecer na progenitora a essência que a caracterizava. E contou mesmo que se viu obrigada a deixar a mãe numa casa de repouso, por lhe ser impossível conciliar a sua profissão com o papel de cuidadora.

«Isso, para mim, é o pior de tudo. Eu sempre imaginei que teria possibilidade de ter os meus pais comigo. E não tem a ver com falta de espaço, tem a ver com falta de tempo meu, porque ainda trabalho muito. E, sobretudo, tem a ver com a condição dela. Uma pessoa que está numa cama precisa de cuidados contínuos», justificou em conversa com Cristina Ferreira.

«Senti que a estava a depositar. Não gosto de chamar a casa de repouso de lar, porque, de facto, é uma casa de repouso com uma grande qualidade. É um hotel. Mas, de cada vez em que lá vou – e vou muito -, saio sempre um bocadinho doente. Não era aquilo que estava previsto. Mas o que é que se pode fazer? Pede-se ajuda a um médico. Os cuidadores passam maus bocados», lamentou.

 

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Texto: Dúlio Silva; Fotografias: Impala e reprodução redes sociais

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