Ana Maia do “Big Brother” lamenta falta de oportunidades como atriz: “Há muita batota”

Ana Maia, atriz de profissão, é formada em teatro e tem conhecimentos em televisão e cinema. A ex-concorrente do “Big Brother” não consegue viver da arte em Portugal e conta tudo à TV 7 Dias.

31 Mar 2023 | 22:00
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Ana Maia ficou conhecida do público após participar no “Big Brother 2022“, da TVI, contudo, a jovem natural de Braga esteve apenas uma semana na casa mais vigiada do País. Dentro do reality show, a mulher de Daniel Oliveira revelou que é atriz, mas não teve oportunidade de contar mais pormenores desta sua paixão pela representação.

Agora, Ana Maia esteve conversa com a TV 7 Dias e ‘entregou-se de alma e coração’ numa conversa profunda sobre esta arte que a conquista desde criança. Falou-nos da sua formação e dos papéis que interpretou ao longo dos anos.

 

Leia aqui a entrevista de Ana Maia

 

TV 7 Dias: Qual a importância da representação na sua vida?

Ana Maia: Sempre detestei a rotina, o facto de os dias serem sempre iguais e haver aquele ritmo de casa-trabalho e trabalho-casa. No Teatro descobri que posso ser tudo, que todos os dias posso viver num mundo diferente, tenho liberdade e posso vivenciar mil e uma situações e sentir emoções diferentes a cada dia! Adoro esta montanha russa de emoções que se sente, que se trabalha e a sensação de o estar a fazer para as pessoas é incrível. Assim como a sensação de estar em cima de um palco e sentir o calor humano: é inexplicável. Gosto que as pessoas sintam e se identifiquem com o que estão a ver. Por curiosidade, o maior calor humano que recebi foi num espetáculo de rua para mais de 20 mil pessoas, em Montalegre.

Com quantos anos descobriu esta paixão?

Descobri esta paixão muito cedo, costumo dizer que já amava o Teatro mesmo antes de saber o que era o Teatro! Era bem pequena e já ensaiava em frente ao espelho, já inventava histórias, situações, emoções e partilhava-as para o espelho, imaginando que estava ali o público a assistir e a ver a minha interpretação. Inspirava-me nas novelas que davam, nas publicidades que via na televisão, e imitava-as! Reproduzia o cenário e a cena ali, no “meu palco” que era aquele, naquela altura.

Qual a sua formação nesta área?

Tenho o primeiro ano do Curso de Animação Sociocultural – onde trabalhei mais direcionada para os idosos e para as crianças. Contudo, na altura, senti que só aquilo não chegava. Foi então que entrei no Conservatório e tirei o 12º ano em Interpretação-Teatro. Continuei sempre a investir na minha formação e, aí, segui para a universidade. Após ter realizado algumas provas, consegui entrar na ESMAE no Porto também em Interpretação-Teatro. Entretanto, e como dei sempre muita importância à formação, de vez em quando ia a Lisboa fazer workshops, nomeadamente com a Maria Henrique, direcionados para TV e Cinema para aprender sempre mais e mais! Houve uma época em que fiquei mesmo a morar em Lisboa por uns meses, com o objetivo de tentar alcançar algo mais na área e foi quando participei em algumas novelas como figuração especial.

Durante estes anos todos, representei em palco obras como “Terror e Miséria no III Reich” de Bertold Brecht, “A Cantora Careca” de Eugène Ionesco, “Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos” de Tom Stoppard, “A Lisístrata” de Aristófanes, “Esta noite improvisa-se” de Luigi Pirandello, “As Vedetas” de Lucien Lambert, entre outros. Onde trabalhei com grandes nomes do Teatro como o encenador Marco Martins, Nuno Carinhas, Lee Beagley e atores como Nuno Lopes, Beatriz Batarda e Bruno Nogueira.

O palco que me deu mais borboletas na barriga foi sem dúvida pisar o Teatro Nacional de São João no Porto.

Qual a maior dificuldade que encontrou na carreira de atriz ao longo dos anos?

Há sempre um esforço enorme por detrás da luta de um sonho. E, durante essa luta, obviamente que encontramos muitas dificuldades… e ainda bem! Não é fácil lutar por aquilo que queremos, só assim os objetivos e a vida fazem sentido. Por isso, agradeço as situações indesejadas que tive, trouxeram algo de bom para esta luta.

Uma das dificuldades que encontrei no início foi sem dúvida a distância. Saí de casa muito nova e ainda dependia muito dos meus pais quando tomei esta decisão. Saí de casa aos 16 anos para ir estudar para o Conservatório e sentir a minha família longe, a mais de 150km de distância com essa idade, fez-me, por vezes, sentir-me sozinha e sem apoio, no entanto tive de aprender a lidar com a distância e a saudade ao mesmo tempo. Às vezes passava duas ou três semanas sem conseguir ir ao aconchego de casa e isso custava bastante. A saudade é um sentimento muito intenso. Após este início, outra dificuldade que mais me fez confusão durante o meu percurso foi perceber por experiência própria, sentir na própria pele e ver que ainda há muita gente a fazer “batota”.

Gostava de poder viver apenas desta arte nos dias de hoje?

Eu tenho dois mundos na minha vida. O mundo do Teatro e da Representação e um negócio de família, a empresa do meu pai. O Teatro está ligado ao meu coração, faço-o por paixão à arte e é onde sou realmente feliz. Por outro lado, tenho a empresa do meu pai, uma empresa grande e segura, que me dá estabilidade na vida para poder ter tudo o que quero. Sempre tive estes dois mundos na balança e nunca consegui escolher, nem acho que deva. Penso que só do Teatro não conseguiria viver. Aqui em Portugal, a cultura ainda não é vista com a importância que merece. A trabalhar na empresa do meu pai sinto que não consigo ser totalmente feliz porque há-de faltar sempre alguma coisa. No entanto, seria perfeito poder conciliar as duas coisas e ter os dois mundos na minha vida!

Viu a sua entrada no “Big Brother” como oportunidade de ser conhecida e ter uma oportunidade enquanto atriz na TVI?

Entrei no “Big Brother”, em primeiro lugar, pela experiência, e só depois sim, posso considerar que foi pela visibilidade. Não com o objetivo do “eu quero, eu preciso” de uma oportunidade, mas sim pelo facto de ganhar mais visibilidade e surgirem novas oportunidades e me levam elas até onde elas me levarem! Tenho os pés bem assentes na terra, uma oportunidade dessas não é fácil. Posso já ter sonhado demasiado com uma oportunidade assim, mas a vida ensinou-me muita coisa e neste momento prefiro ser guiada pela sorte que a vida me vai trazendo. E digo isto por vários motivos, um deles é o meu bem estar mental.

Gostava de ser convidada para fazer uma novela na estação?

Obviamente não diria que não se essa oportunidade surgisse. Contudo, sei que não é fácil e é um mundo muito difícil e complexo. No entanto, considero que devemos ser sempre positivos e acreditar que o melhor ainda está por vir!

Que sonhos estão por realizar?

Confesso que ainda me falta interpretar o papel da minha vida…

 

Entrevista: Joana Dantas Rebelo; Fotos: Ana Maia 
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