Ângelo Rodrigues revela que só ouviu um «amo-te» do pai momentos antes da morte

«Eu e a minha família acabámos por assistir à morte do meu pai», revela Ângelo Rodrigues no programa Alta Definição.

08 Jun 2019 | 16:50
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Ângelo Rodrigues, que dá vida a Bruno em Golpe de Sorte, da SIC, esteve pela primeira vez no Alta Definição para recordar o passado. Com apenas 16 anos mudou-se do Porto para Lisboa «com uma mão à frente e outra atrás» e uma mala «cheia de sonhos».

O ator relembra a infância e adolescência «cheia de dificuldades», muito devido ao ambiente familiar. «Fui um adolescente um bocado solitário. Sentia muito as coisas e, ingenuamente ou não, achava que era diferente das outras pessoas», começa por dizer. Tudo isto fez com que acabasse por se «fechar» nele próprio e que se valesse de uma «carapaça emocional», para se proteger das desilusões.

«Essa falta de afeto, a mim, fez-me mossa»

Apesar dos pais sempre o terem apoiado em tudo, Ângelo conta que tinham uma forma particular de amar e não verbalizavam nem demonstravam esse amor. Essa falta de afeto repercutiu-se ao longo da vida.

«Tinha uma família que era pouco afectuosa. Ou seja, sentia muito e expressava pouco (…) Essa falta de afeto, a mim, fez-me mossa». Em vez de procurar seguir o «cliché» de se tornar um jovem rebelde, Ângelo «fechou-se» nele próprio o máximo possível.

«Era como se eu fosse uma tartaruga que só punha a cabeça de fora para socializar, com uma carapaça impenetrável para o resto do mundo», refere.

Aos 31 anos, Ângelo sente que herdou do pai o sentimento de estar eternamente insatisfeito e a necessidade de ter de provar aos outros que tem de ser o melhor naquilo que faz.

«Nunca tive uma abraço do meu pai na minha vida»

 

«Queria que eu fosse bom naquilo que fazia e me torna-se num adulto que de que se orgulhasse mas, por outro lado, fomentou sempre em mim a ideia de nunca estar pronto…de insatisfação, de ter de provar que sou bom», diz a Daniel Oliveira.

O artista refere que, ainda hoje em dia, sente presente o seguinte pensamento: «ok, estou a fazer um trabalho. E agora pai, já gostas de mim?».

Foi apenas na vida adulta que aprendeu o que é, realmente, o amor. Ficou para sempre com dificuldades em verbalizar as emoções, algo que lhe custa. «Nunca tive uma abraço do meu pai na minha vida», conta.

A Daniel Oliveira, Ângelo confessa nunca ter ouvido um amo-te do pai. «E de ti para ele?», pergunta o entrevistador. «Quando ele morreu», responde o ex-namorado de Iva Domingues.

«Eu e a minha família acabámos por assistir à morte do meu pai»

 

O pai morreu há seis anos, um momento que deixou marcas em toda a família. «Foi complicado. Eu e a minha família acabámos por assistir à morte do meu pai», afirma.

Na cidade do Porto, onde o pai estava internado, acabou por trocar as últimas palavras marcantes com o progenitor.

«Num dos momentos que estive sozinho com ele, e ele já não estava muito ciente das coisas que dizia acho eu, eu perguntei-lhe: ‘porquê que tu nunca me disseste que me amavas?. Percebi a finitude daquele momento. Percebi que ia acabar e é nesses momentos que se deixa os orgulhos de lado e somos mais honestos».

«Ele não conseguiu responder a isso mas eu disse: ‘amo-te, e tu?’ e ele disse que sim. Deve ter sido a última palavra», recorda, emocionado.

«Não duvido que ele sentisse orgulho por mim, mas nunca conseguiu mostrar. E isso era que me rebentava por dentro. O facto dele ter dito isso, acaba por fechar um ciclo. Foi importante para mim enquanto adulto, ficou mais ou menos resolvido na minha cabeça», remata.

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