Aos 81 anos e recuperada de operação, Simone confessa: «gosto muito do meu uísque»

Aos 81 anos, Simone de Oliveira foi homenageada com o Prémio Carreira e Prestígio nos Troféus Impala de Televisão 2019. Aos 18 anos, a artista diz que não se sente com a idade que tem.

09 Set 2019 | 16:00
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Simone de Oliveira é sinónimo de força, autenticidade e de muita coragem. Aos 81 anos, a consagrada artista, que celebrou 60 anos de carreira em março passado, é um dos nomes mais sonantes do nosso país não só pela música, como também pelo teatro, cinema ou até mesmo televisão.

O nome de Simone está gravado na cultura portuguesa e, por isso, foi homenageada na gala deste ano dos Troféus Impala de Televisão 2019. A consagrada artista recebeu o Prémio Carreira e Prestígio, pelas mãos de Jacques Rodrigues, presidente do grupo Impala.

A intérprete de canções como Sol de Inverno e Desfolhada, com os quais representou Portugal no Festival Eurovisão da Canção de 1965 e 1969, respetivamente, recordou, numa entrevista concedida aos jornalistas, os prémios conquistados e falou da paixão pela vida.

«São miminhos que sabem muito bem, sobretudo, quando temos algum percurso, algum caminho. São 60 e muito anos de muita coisa bonita, muita lágrima, evidentemente, de muitos autores, muitas canções, muitos músicos, muitos maestros, muitos palcos, muitos aviões, de muitos nervos, de muito medo, de muitas bandeiras às costas, pois representei muitas vezes Portugal em vários sítios. No Brasil, em Nápoles, Madrid… Guardo essas memórias maravilhosas. guardo as coisas todas que vocês, gente mais nova me tem dado», começou por referir.

 

«Continuo a ter a mesma paixão por viver»

 

Conhecida pela resposta pronta, Simone de Oliveira não desiludiu na entrevista concedida e garante que sempre «teve a mania» de ter uma palavra e de bater o pé.

«Tenho transmitido, às vezes, coisas mais ‘violentas’, às vezes que são capazes de chocar. É aquilo que eu penso, é aquilo  que sempre pensei. Por alguma coisa eu bati o pé quando tinha 19 anos e continuo a bater agora um bocadinho mais devagar», conta, entre risos, para depois continuar: «Continuo a ter a mesma paixão por viver. É evidente que hoje há um certo cansaço, claro que sim. Nem sempre acordo a rir à gargalhada. Adoro dormir de manhã. Eu acordar às 9h00, beber um café e comer uma torrada, fumar um cigarro e voltar para a cama até às 11h30 -12h00», referiu. Operada à anca, em dezembro do ano passado, Simone de Oliveira fala ainda da sua recuperação: «Está maravilhosa».

Durante a conversa, a consagrada artista confessou:  «Continuo a fumar, continuo a conduzir, continuo a gostar de beber vinho tinto. Gosto muito do meu uísque e quando me perguntam ‘quer um chazinho?’, fico com uns nervos que eu digo logo: ‘quero um café, um cigarro um copo de uísque com três pedras de gelo. É a minha resposta porque o chazinho é sempre considerado para a senhora de idade que é uma coisa que me põe completamente ao contrário. Eu tenho a idade que tenho, mas não sou uma senhora de idade. A idade é que me bateu à porta. Ela foi entrando e eu aceito».

«Há muita gente que não tem prazeres da vida e eu lamento. Eu gosto. Enquanto eu puder, enquanto for capaz e me souber bem irei fazê-lo», realçou.

Simone garante ainda que olha para o prémio «com uma certa ternura, com um certo carinho». «Alguma coisa de bom eu fiz. Trabalhei muito, pois estas coisas não acontecem por acaso», terminou.

 

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Texto: Ana Filipe Silveira com Márcia Alves; Fotos: Impala

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