Após atravessar pior fase da vida, Marco Horácio CONFESSA: «Ainda hoje durmo mal»

Marco Horácio foi o primeiro convidado do programa «Alta Definição». Nove anos depois, o humorista regressa ao programa de Daniel Oliveira para recordar a pior fase da sua vida

15 Set 2018 | 17:34
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Marco Horácio está numa boa fase, mas nem sempre foi assim. Em conversa sincera com Daniel Oliveira, o humorista, que ficou conhecido pela condução do programa de stand up comedy «Levanta-te e Ri», relembrou os difíceis anos que viveu até 2014.

«Se tinha dilemas ou fraquezas, a vida fez questão de me fazer perdê-las. Estou muito mais forte», começou por dizer. A vida de Marco começou a ‘ir ao fundo’ quando, em 2014, resolveu produzir, sem qualquer tipo de apoio, o filme «Mau Mau Maria», tendo-se endividado em cerca de «centenas de milhares de euros». 

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Aos 40 anos, o artista viu-se num grande dilema depois dos patrocinadores terem abandonado o projeto, duas semanas antes. «Tinha uma equipa de 40 pessoas a contar comigo. Tive de hipotecar a minha casar. Vendi duas casas que tinha para pagar a equipa e todas as dívidas. Foi uma opção minha fazer o filme. Decidi não desiludir a equipa que já se encontrava a trabalhar há seis meses. Decidi só prejudicar a minha vida, em vez de 40. Sabia que não podia pôr em causa o sonha da vida de outra pessoa por causa do meu», explicou.

«Nunca fiz questão de que as pessoas à minha volta percebessem»

 

Marco revela que viveu «períodos muito complicados» nos últimos quatro anos. A forma que encontrou para lidar com toda esta situação passou pelo isolamento.

«Nunca fiz questão de que as pessoas à minha volta percebessem. Afastei-me de toda a gente. Por mais que as pessoas queiram estar comigo, a tua energia e auto estima estavam tão em baixo, estavas tão cinzento, que não consegues. Isolas-te e escondes-te. Precisas de um período de reflexão, tens de estar sozinho e perceber o que vais fazer à tua vida», desabafa.

 

«Faltou dinheiro para tudo»

O humorista assume que passou por graves dificuldades económicas e que teve de recorrer à ajuda de pessoas próximas para conseguir sobreviver. «Faltou dinheiro para tudo. O que vale é que tinha pessoas à minha volta para ajudar».

A grande preocupação de Marco sempre foi o filho, a quem garante que «nunca faltou nada, nem nunca vai faltar enquanto tiver braços para trabalhar». Marco confessa que «teve de abdicar de algumas coisas», como por exemplo «refeições».

«Cheguei a entrar em casa e estar às escuras porque me cortaram a luz. No outro dia tive de pedir dinheiro emprestado para a voltarem a ligar», adianta.

Guilherme, com agora 12 anos, sempre foi um grande apoio para Marco. «A forma como o meu filho foi criado faz-lhe perceber que a maior prenda que pode ter todos os dias são os pais que tem, que lhe dão tudo em relação a amor, compreensão e amizade», refere. «Um miúdo que sai de uma vivenda de três andares para viver num T2 podia estranhar, mas não foi o caso. A lógica dele é ‘desde que eu esteja contigo, está tudo bem’», acrescenta.

 

«Paguei a toda a gente, nem dormia»

Marco Horácio conta que nunca gostou de pedir dinheiro emprestado a ninguém, mas que foi a única alternativa que encontrou. Admite que não descansou até saldar as dívidas: «Sentia que estava em dívida. Quando consegui pagar de volta foi incrível o peso que saiu de cima»

«Ainda hoje durmo mal por causa disso», assume.

 

«O público não sabe como me ajudou»

No campo profissional, Marco afirma: «Tive algum trabalho, outro rejeitei por não sentir energia para tal. Nós atores somos seres humanos. Aquilo que faço é mais do que divertir outras pessoas. Quando por dentro estás a chorar e a cabeça está confusa é um conflito muito grande. Havia alturas em que dizia ‘não dá’».

O humorista não tem dúvidas de que subir aos palcos é aquilo que mais gosta de fazer, recordando que a sua profissão acabou por funcionar como uma terapia. «Foi uma forma de superar a má fase. As pessoas deram-me energia. O público não sabe como me ajudou», assume.

 

Começar do zero

A figura pública garante não se arrepender de nada, mas deixa o conselho: «Nunca ponhas nada que levaste a tua vida inteira a construir e que pode não te dar retorno, porque depois é muito difícil. Há quatro anos para cá tive de começar do zero a minha vida. Foi aí que percebi que me tinha em muito pouca conta, porque subestimamos a nossa capacidade de sofrimento para ultrapassar as coisas».

«Hoje em dia estou mais forte e grato pela minha vida. Percebi que se sobrevivi a isto e estou de volta à minha vida, consigo fazer qualquer coisa. Quando as pessoas estão no fundo, há sempre a possibilidade de voltarem acima. Basta acreditar, insistir, rodear-se de boas pessoas e não desistir. Já nada me derruba», declara.

Fotografias: Arquivo Impala e Redes Sociais

 

 

 

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