“Às vezes duvido disso e entristece-me”: Eládio Clímaco põe em causa o seu percurso na TV

A tristeza esteve estampada no rosto de Eládio Clímaco, esta manhã, 5 de março, na TVI. O ex-apresentador revelou que, às vezes, se sente com dúvidas em relação ao trabalho que fez em televisão.

05 Mar 2021 | 17:20
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Eládio Clímaco, de 79 anos, foi o convidado especial desta sexta-feira, 5 de março, do programa “Dois às 10”, da TVI. Os apresentadores fizeram uma retrospetiva pela carreira do “Senhor Eurovisão”, como ficou conhecido, e também tocaram em assuntos pessoais.

Com um sorriso um pouco diferente a que habituou Portugal, o ex-apresentador garantiu a Maria Botelho Moniz e Cláudio Ramos que “sorrir não faz mal, até pelo contrário”. E acrescenta: “Sinto falta de sorrir. Obrigado pelo convite, que me permite ter alguém com quem falar. Tenho estado fechado um bocadinho com as paredes e com a televisão.”

Num momento em que Portugal está a atravessar o 12.º confinamento, Eládio Clímaco é o rosto dessa mudança na vida de todos: mais contido e com as emoções a flor da pele. Foi desta forma que o eterno rosto da RTP se apresentou.

Agora não podes trabalhar mais, tens de ir para casa”

Já perto do final da conversa, Maria questionou Eládio sobre o facto de ter sido obrigado a reformar-se da estação pública em 2012. “A RTP é um serviço público, portanto há umas certas regras. Não é um serviço de Estado, mas é um serviço público. Portanto, a idade máxima para o serviço público é os 70 anos, que se podem alongar mais dois anos por necessitar de serviços, para não haver aquele corte tão súbito para nos irmos habituando”, explica à co-apresentadora do matutino da TVI, e acrescenta: “É perfeitamente fictício, não há desmame nenhum, não é? Nós vamos fazendo, fazendo, fazendo e é viver o dia-a-dia, é viver o programa a programa, nunca pensando que há um dia que nos dizem: ‘pronto, agora não podes trabalhar mais, tens de ir para casa'”.

“Isto acontece aos funcionários da RTP, serviço público, não acontece aos que não são contratados”, conclui o tema.

O Eládio faz parte da nossa história

Para terminar a presença de Eládio Clímaco no “Dois às 10”, da TVI, os apresentadores questionaram se o ex-apresentador gosta de música. “Ouço muita música, mas uma música estranha. Tenho um amigo virtual que me manda imensa música. Se o Raul estiver a ver, um abraço para ele, que é um amigo virtual”, diz.

E Maria responde: “Alguém nos contou que há um tema que o Eládio gosta muito. O Eládio faz parte da nossa história, da história nossa televisão, da história de um País inteiro”. Mas a cara da RTP interroga. “Achas?” “Tenho a certeza”, diz Maria. “Eu às vezes duvido disso e entristece-me”, dispara Eládio com um semblante carregado.

“O Amor a Portugal”, tema de Dulce Pontes, mas interpretada no programa por Carolina Picoito, foi a grande surpresa para o “Senhor Eurovisão” que, desde o primeiro instante, se mostrou muito emocionado.

Finda a atuação da artista, Maria realça. “O Amor a Portugal e o amor de Portugal ao Eládio. Muito obrigada.”

“Não queria acabar assim”, diz Eládio emocionado, que deixa uma mensagem especial. “O meu amor a toda a televisão, a todas as pessoas que me veem e a vocês também”, finaliza.

Texto: Andreia Costinha de Miranda; Fotos: Divulgação
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