Assessor que foi de saia para o Parlamento: «Se pudesse ir nu, se calhar, ia»

Rafael Esteves Martins revelou que falou com Joacine Katar Moreira sobre a sua escolha de vestuário e que a deputada o apoiou na decisão. E criticou massivamente a socialista Maria Begonha.

29 Out 2019 | 12:00
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Quatro dias depois de ter entrado na Assembleia da República usando uma saia, Rafael Esteves Martins aceitou o convite de Manuel Luís Goucha para, em direto, no programa da TVI Você na TV!, falar sobre o impacto que o seu código de vestuário causou na opinião pública.

O assessor de Joacine Katar Moreira, a primeira deputada eleita pelo Livre, começou por garantir que não esperava a repercussão mediática da sua escolha e que a mesma não foi intencional. «Quando, ontem, o Manel me ligou a dizer ‘vamos falar sobre isto’, eu disse-lhe que não posso ir falar sobre a minha escolha porque eu sou livre de escolher se ando de saias ou não ando de saias… Se eu pudesse ir nu, se calhar, ia nu», equacionou Rafael Esteves Martins, revelando que esta questão foi merecedora de uma conversa com a deputada.

«Quando me foi feito o convite, disse à Joacine: ‘Eu adoro fatos, mas não gosto de usar fato todos os dias. Há dias em que vou usar fatos, mas há dias em que não vou usar fatos’. Costumo [usar saia]. Dou aulas em saia, numa instituição que é mais antiga do que a Assembleia da República», lembrou, referindo-se ao facto de ser Leitor de Português na Universidade de Oxford, em Inglaterra.

Lá, «é normalíssimo ver homens de saia. Se há coisa que prezo é a minha liberdade. Neste caso, não sou eleito por ninguém, não tenho qualquer tipo de poder. Eu trabalho para a Joacine, é a ela que tenho de responder.»

Joacine Katar Moreira reagiu com naturalidade e sem receios de, no seu primeiro dia a entrar na Assembleia da República como deputada, passar para segundo plano com a imagem marcante do seu assessor. «Disse à Joacine: ‘Entre outras coisas, eu visto saias. Espero que isso não seja um problema’. Ela disse-me logo: ‘Sem qualquer problema. E, se quiseres usar no primeiro dia, usas no primeiro dia’. Disse-lhe que ia fazer sombra… E ela disse: ‘Não fazes sombra nenhuma. Não há aqui problema nenhum. Tu és livre de fazer o que bem entenderes e aqui ninguém se mete nas escolhas de ninguém’», relatou.

 

«Toda a roupa é política», sublinhou assessor

 

A conversa prosseguiu com o apresentador a perguntar se aquela escolha tinha sido um «ato político». Rafael Esteves Martins prefere olhar para a questão de outra forma: «Toda a roupa é política. […] É óbvio que, num país de certa forma conservador como Portugal, ver um homem na Assembleia da República sem qualquer poder a usar uma saia causa um efeito de estranhamento.»

 

E se fosse deputado, usaria saia no Parlamento ou o seu código de vestuário seria diferente? «Dependeria da campanha que eu fizesse, dependeria dos meus eleitores, porque, aí sim, já teria de responder a quem em mim vota, coisa que não aconteceu com a Joacine», assumiu.

 

«O que me choca verdadeiramente é termos uma deputada que mentiu»

 

Já sobre as críticas de que foi alvo, Rafael Esteves Martins mostrou-se tranquilo e frisou, em jeito de ironia, que, «atrás de um visor, toda a gente tem muitos músculos». E recordou a produção, em tronco nu, que o deputado do PSD Duarte Pacheco fez para uma publicação dirigida ao público masculino. «Em relação ao corpo dos deputados, há uma coisa muito curiosa a notar: em maio deste ano, houve um deputado da Assembleia da República, que por acaso está na mesa do senhor presidente da Assembleia, que fez uma capa numa revista masculina mostrando os seus músculos», notou.

E continuou, criticando a líder da Juventude Socialista, a agora deputada do PS Maria Begonha: «O que me choca verdadeiramente é, por exemplo, termos uma deputada eleita por Braga que mentiu acerca dos seus graus académicos, que mentiu acerca dos seus dados biográficos, por razões de natureza política, na sua juventude partidária. Ela está eleita no Parlamento, ela representa os portugueses e sobre isso ninguém fala.» E acrescentou: «Temos urgências pediátricas fechadas e sobre isso ninguém fala…»

Mais tarde, criticou ainda: «Farto-me de ver gente de fatos que manda fatos abaixo, que é corrupto, etc. Há deputados que fingem a sua presença no Parlamento e parece que ninguém se levanta contra isso – ou, se se levanta, não há mediatismo».

 

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Texto: Dúlio Silva | Fotografias: reprodução redes sociais

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