Carla Andrino revela que VOMITAVA ATRÁS DO PALCO durante LUTA CONTRA O CANCRO

Em entrevista no programa Júlia, da SIC, a atriz recordou a luta que venceu contra o cancro da mama, diagnosticado em janeiro de 2017. «Emocional e psicologicamente estava fortíssima», lembra.

21 Fev 2019 | 11:35
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Foi sentada à conversa com Júlia Pinheiro que Carla Andrino fez, esta quarta-feira, dia 20 de fevereiro, uma retrospetiva àqueles que foram, possivelmente, os momentos mais delicados da sua vida.

O diagnóstico de cancro da mama surpreendeu a atriz, que não poupa elogios ao comportamento irrepreensível da família. «A família foi chamada, não, a família esteve lá, esteve lá em peso e muitas vezes sem falar, não é preciso, tudo é comunicação», referiu, grata pelo acompanhamento.

 

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A apresentadora questionou-a no sentido de saber o quanto estaria fragilizada, mas Carla Andrino surpreendeu na resposta. «Emocional e psicologicamente eu estava fortíssima… Com muito respeito e sem medo… Isto norteou sempre o meu processo, com o qual, fisicamente, fiquei debilitada, mas psicologicamente estava fortíssima», sublinhou, cheia de certezas. É que «a vida era linda» e a também psicóloga não quis entregar todos os pontos. Guardou alguns para ela e superou a doença.

O processo foi delicado. Júlia sabe-o bem e sabe até que, atrás das cortinas de um palco, a atriz ia tantas vezes vomitar, entre um número e outro de representação. Ainda assim, nunca deixou o trabalho para trás, nem durante os tratamentos. Carla continuou em palco, a dar consultas de psicologia e, a par dos compromissos profissionais, encaixava os tratamentos, sem nunca deixar a televisão. Na época, estava a gravar a série Mistério do Tempo, para a RTP1.

 

«Os que morrem não são guerreiros?»

 

«Eu precisava de me sentir viva e de mostrar à vida ‘olha, estou aqui’». E conseguiu, reconhecendo sempre que «uma luta destas é de família». É por isso, com um sorriso, que fala no apoio familiar que nunca lhe faltou. «As pessoas não sabem lidar, o que dizer, o que fazer, preferem ausentar-se e essa ausência pode doer muito, pode soar a abandono…», salientou, entretanto.

Carla Andrino, que, melhor do que ninguém, sabe de que luta se trata, não entende, porém, certos comentários que ouve tantas vezes. «O que me irrita um bocadinho: ‘ah ela é uma guerreira’. Os que morrem não são guerreiros? (…) Correu bem, acho que é uma injustiça enorme quando dizem ‘ela é uma guerreira’, parece que os outros não lutaram, quantos não lutaram até à morte?», lançou a questão, profundamente solidária com quem, infelizmente, não conseguiu sobreviver à doença.

 

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Foi de mão dada com o marido, o maestro Mário Rui, que a atriz percorreu a memória para ir contextualizando o que passou durante a fase mais crítica da doença. O companheiro de sempre nunca lhe voltou as costas, nem nos momentos mais delicados, como o próprio conta: «Custa um bocadinho assistir aos tratamentos e é muito importante».

Porém, foi no momento em que a filha do casal, Marta Andrino, interveio que as lágrimas falaram mais alto. «É uma nova Carla, a minha sempre foi muito forte, muito segura, mas acho que o que melhorou foi a paciência dela», começou por salientar Marta, sem conter a emoção. «A minha mãe conseguiu melhorar os defeitos vincados, as posturas da vida e torná-los mais suaves, o que a tornou muito mais feliz. Foi um processo natural e, ao mesmo tempo, harmonioso para todos», contou ainda, transmitindo uma mensagem final muito positiva.

 

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Texto: Tânia Cabral com Ricardina Batista | Fotografias: reprodução Instagram

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