EXCLUSIVO! Carlos Costa pondera deixar o País: «Falta mais amor-próprio a Portugal»

À TV 7 Dias, o cantor assume que está em cima da mesma a hipótese de ir de armas e bagagens para os Estados Unidos: «Já tenho uma vida fenomenal. Só quero descobrir mais e fazer o que ainda não fiz.»

01 Nov 2019 | 21:31
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Carlos Costa, de 27 anos, pode estar a um passo de deixar o país que o viu nascer e mudar-se para os Estados Unidos. O irreverente cantor soma já dez anos de carreira. O pontapé de saída, recorde-se, foi dado quando concorreu à terceira edição do talent show Ídolos, que a SIC transmitiu entre outubro de 2009 e fevereiro do ano seguinte. Na altura com 17 anos, o jovem madeirense classificou-se em terceiro lugar.

A intenção de Carlos Costa emigrar é expressa pelo próprio numa entrevista exclusiva concedida à TV 7 Dias. Uma conversa na qual o polémico artista sublinhou o amor que nutre pelo seu país, apesar de nele não conseguiu impor-se com a carreira que pretende construir: «Se crescer significa sair de Portugal, assim farei, mas com Portugal sempre no meu pensamento.»

 

«Chegou a hora de Portugal valorizar o que tem»

 

TV 7 Dias – Está de férias nos Estados Unidos?

Carlos Costa – Mais ou menos…

Também em trabalho?

Também.

O que nos pode contar?

Posso dizer que às vezes há que procurar sonhos, tentar realizá-los e voar mais longe.

E o que significa isso concretamente?

Eu sempre disse que não há nada nem ninguém que me pare e acho que reúno uma série de qualidades artísticas que são amplamente apreciadas deste lado do Atlântico. É por esse reconhecimento que sempre lutei.

Mas pondera mudar-se para aí para tentar uma carreira como cantor?

Em breve terei de voltar a Portugal com novidades.

Novidades musicais?

Sim, também.

E depois volta para aí?

Terei provavelmente uma fase de promoção e quiçá voltarei. Estou a tentar.

Mas já vai com perspetivas profissionais?

Obviamente que alguém com uma carreira aí nunca sai de mãos a abanar, apesar de não querer fazer festa antes do tempo.

Ainda nada está fechado?

Sim. Honestamente, acho que chegou a hora de Portugal valorizar o que tem. Somos um país fenomenal, só que falta-nos mais amor-próprio.

E não acha arriscada a ideia de começar do zero?

Eu nunca tive medo de desafios e acho que toda a gente sabe disso. Desde o dia em que apareci que acho que todo o país sabe que eu não sou um cantor de guitarras e cadeiras. Acho que todo o país sabe que eu não sou comparável a muitos artistas de música ligeira portuguesa. Existem muitos artistas incríveis de música ligeira portuguesa, mas eu não sou certamente um deles. Ambiciono grandes produções que, geralmente, não se fazem no nosso país.

 

«Não devo a projeção que tenho a frangos caídos do céu»

 

Portugal não o valoriza?

Acho que Portugal me valoriza à medida daquilo que pode. Cada coisa a seu tempo. Contudo, dia após dia, sinto-me mais valorizado pelo meu querido país. Se crescer significa sair de Portugal, assim farei, mas com Portugal sempre no meu pensamento. Não sou ingrato e sei que devo muita coisa à minha gente e ao país.

Portanto, não tem medo de recomeçar noutro país, onde não tem qualquer projeção.

Não. Domino fluentemente o inglês e o espanhol e estamos apenas a oito horas de avião de distância. Não devo a projeção que tenho a frangos caídos do céu. Sempre trabalhei pelo que tenho, seja em cada vestido que vesti, canção que cantei e frase que proferi. Nunca nada foi feito por palhaçada. Sempre com o objetivo de me tornar num artista respeitado e considerado.

Houve falhas pelo meio?

Falhas? Acontecem. Mas conto pelos dedos as vezes em que alguém me ofereceu alguma coisa. Por isso… Sempre lutei pelo meu e sou grato pelo reconhecimento.

Apesar de sublinhar o carinho que sente por Portugal, não fica triste por ter de sair do teu país para «crescer», como diz?

Não. É lógico que Portugal não tem um mercado gigantesco. Sabemos disso e há que descobrir novos lugares. Não penso em deixar a minha casa, o meu carro, as minhas coisas. Não vou trocar nem vender a minha vida. Estou apenas a aumentá-la.

Pretende viver entre cá e aí?

Pretendo ver o que o futuro me aguarda de bom e de melhor. Já tenho uma vida fenomenal. Só quero descobrir mais e fazer o que ainda não fiz, conhecer o que não conheci e crescer em plenitude artística e pessoalmente.

 

«Dá-me um gozo gigante acharem que sou simplesmente o miúdo fútil e superficial»

 

Aliás, sempre foi de grandes voos.

Sempre. Com 15 anos, deixei a casa dos meus pais e, com 17, estava a fazer televisão. Acho que as pessoas deveriam tentar ver as coisas com clareza. Eu não sou simplesmente um miúdo com cabelo comprido. Acho que sempre demonstrei sem lutador.

E é disso que se trata?

Exatamente. Irei sempre mudar-me e fazer o que é necessário para que possa crescer enquanto pessoa e artista. Sempre no caminho da felicidade. Sei que parecem frases feitas mas eu sou mesmo assim.

As pessoas resumem-no a um miúdo com cabelo comprido?

Acho que as pessoas recusam reconhecer um certo esforço, maturidade e integridade. Às vezes, acho que algumas pessoas pensam que nós só somos artistas porque queremos simplesmente aparecer ou ser palhaços.

Preferem olhá-lo superficialmente?

Para as pessoas que nunca tiveram coragem de seguir os seus sonhos, achar que eu sou simplesmente o miúdo fútil e superficial é bastante fácil. Mas isso também dá-me um gozo gigante.

 

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Texto: Dúlio Silva | Fotografias: Impala e reprodução redes sociais

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