“Cheguei a pesar 39 quilos. Trazia-me tristeza”: Ana Marques revela luta contra magreza

Ana Marques faz testemunho forte sobre os estereótipos criados à volta dos “magros”. A apresentadora esteve no programa “Júlia”, SIC, e falou sobre esse “trauma”.

28 Abr 2021 | 11:50
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Ana Marques gravou um testemunho marcante onde falou sobre a sua luta com a balança. A apresentadora das manhãs da SIC sofreu, desde muito nova, com o facto de ser magra e falou abertamente sobre o tema no programa de Júlia Pinheiro.

“Nunca houve, por parte dos médicos, uma indicação de que eu era mais magra do que o normal. Mas bastava olhar para mim. Tinha os braços muito compridos, as pernas muito compridas, mas era muito fininha. Era muito alvo das outras miúdas chamarem-me os nomes todos: Olívia Palito, espirra-canivetes, esqueleto vaidoso. Diziam-me muitas vezes ‘magreza é desbeleza, gordura é formosura’. Tenho esta frase gravada na minha cabeça. Não é que isto ofenda alguém, mas era usado como forma de atacar. Mexe obviamente com a auto-estima”, recorda a época em que andava na escola.

Desta forma, Ana Marques acabava por se sentir confiante apenas quando dançava ballet. “Por outro lado, não me sentia mal no meu corpo, sentia-me muito bem. Eu fazia bailado, era onde encontrava o meu espaço de encaixe, no ballet, onde isso era elogiado. De resto, estavam sempre a lembrar-me que havia um defeito, que não é um defeito. Se alguma vez tentava aumentar de peso não sabia por onde pegar. Eu alimentava-me muito bem…”, constata.

“Cheguei a pesar 39 quilos”

“Quando entrei para a SIC estava a estudar ao mesmo tempo. Comecei a emagrecer e a emagrecer. Passei de 52 quilos para 45. Fiz algumas coisas para engordar. Comer uma colher de leite condensado por dia, abusar da papa Nestum, aquelas coisas altamente calóricas, mas que não é um engordar saudável. Era para fazer a vontade aos outros”, relembra.

Mais tarde, engravidou das filhas gémeas, Francisca e Laura. “Quando engravidei das minhas filhas tinha 44 quilos. Para mim era normal, engravidei com facilidade. A nutricionista na maternidade deu-me um pacote de calorias para eu engordar. Comecei a emagrecer quando vim para casa. Estava a trabalhar com a Júlia [Pinheiro] nessa altura, cheguei a pesar 39 quilos. Passar a barreira dos 40 para baixo era uma coisa assustadora. Mas porquê? Trazia-me tristeza. Do género, por que é que eu não engordo? Por que é que estou aqui sempre este nico de pessoa?“, conta.

Ana Marques acabou por dar a sua opinião acerca da desvalorização que é dada às pessoas que sofrem com a magreza. “A sociedade está muito formatada para ter alguma compaixão pela dificuldade que as pessoas têm em emagrecer. Mas está pouco formatada para perceber que os magros também sofrem de complexos, têm uma luta para engordar e para não emagrecer. Nunca é valorizado porque é valorizada a magreza. É sinal de deporto, beleza e passerelle, de manequim. Atacam-se os gordos e a imagem contrária é a ser magro. Valorizou-se a magreza. Nunca se olhou para as pessoas magras, para pessoas que também têm uma luta”, afirma.

Ana Marques termina o seu testemunho ao recordar o sufoco que sentia quando se enervava com uma qualquer situação: “Sentia, às vezes, a ansiedade a consumir-me por dentro e a tirar-me o peso”, remata.

Texto: Joana Dantas Rebelo, Fotos: redes sociais
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