“Chicotearam-no com arame farpado”. Henrique Feist recorda episódio de bullying

Em conversa com Goucha, Henrique Feist falou sobre a morte dos pais e o bullying que ele e o irmão sofreram no colégio. “Éramos postos no caixote do lixo”.

23 Mai 2021 | 21:40
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Henrique Feist foi convidado de Manuel Luís Goucha, no programa “Conta-me” da TVI, neste sábado, 22 de maio. O ator e encenador abriu o coração a Portugal e, numa entrevista carregada de emoção, falou da morte precoce da mãe, Manuela Paulino, e do pai, Luís Feist.

Manuela Paulino, locutora de televisão na RTP, morreu de cancro da mama em 1993 quando o ator tinha apenas 20 anos. “Tenho [saudades] todos os dias. Custa sempre a perda de um pai. A minha foi muito cedo. Eu tinha 20 anos, mas desde os 9, que foi quando a minha mãe foi diagnosticada, que assistimos ao sofrimento dela”, explica.

“Nasci nisto. Não havia forma de nos proteger disto porque éramos uma família muito próxima. Há muitas conversas que não foram tidas”, lamenta.

Henrique Feist confessa que chega a ter “inveja” de alguns colegas que têm os pais nas estreias. “Tenho realmente essas mágoas. Falo com ela, não falo com Deus. Tenho a minha forma de acreditar num ser superior. Arranjo conforto em pensar que existe (…) Desabafo com eles.”

Luís Feist, pai do ator, morreu dois anos após a mulher

O ator perdeu o pai, também com cancro, dois anos depois. Luís Feist havia sido diagnosticado com cancro da pele, um mês após a morte de Manuela Paulino. “Não houve um método, teve de ser. Eu sou mais emotivo o que o Nuno [irmão]. O Nuno amparou-me. Na parte emocional eu vergo, o Nuno não. Está lá”, diz.

“O meu pai não fumava, não bebia (…) Quando descobriu que não tinha cura, uma das coisas que ele disse foi: ‘a Manela já me esta a chamar’”, lembra, salientando o amor que unia o pai e a mãe. “Fê-lo ir mais rápido.”

Segundo Henrique Feist, Luís tinha esperança de que a família apoiasse os dois filhos naquele momento de dor. Mas não foi o que aconteceu. “Ele confiava que nós tínhamos uma família muito grande. Como era a família Feist. Não se traduziu da forma que ele quis. Isso já são outros 500. Mas isso é que o tranquilizou.” “Quem nos amparou foram os cônjuges, a minha prima Marina, filha da irmã da minha mãe, e não posso descurar de todo os amigos”, conta.

Henrique Feist e os episódios de bullying

Henrique Feist nasceu em Lisboa, mas, com apenas dois anos, foi viver para Inglaterra, uma vez que os pais viviam dificuldades financeiras. Em 1977, os irmãos Nuno e Henrique voltaram para Portugal. Os dois estudaram no colégio inglês de St. Julians, em Carcavelos, e foi aí que sofreram de bullying.

“Eu e o Nuno aparecíamos com 9 e 10 anos na televisão a cantar. Não queiras saber o que isso era nos anos 80. Uma vez, ao meu irmão, chicotearam-no com arame farpado. A mim prenderam-me no duche e desligaram-me a água fria e escaldei-me. A minha mãe reclamou na escola. (…) Éramos postos no caixote do lixo, era tudo”, recorda, com tristeza. “Ainda dói. Hoje o que vejo é falta de respeito.”

O assumir a homossexualidade

No seguimento da entrevista, Goucha questionou Henrique Feist sobre o assumir da homossexualidade. Apesar de o pai ser bastante conservador, ao contrário da mãe, o também encenador garante que foi o progenitor quem “lidou melhor” com a situação.

“Disse-lhe ao pequeno-almoço. Estava o meu irmão também. A minha mãe só disse assim: ‘Só preciso de dois minutos.’ E levantou-se.”

Henrique Feist tinha cerca de 16/17 anos quando teve esta conversa com os pais. “Eu cheguei a ter namorada, tive 3 namoradas. Ia casar”, remata.

Texto: Joana Dantas Rebelo, Fotos: redes sociais

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