EXCLUSIVO: Cire revela episódio traumático com polícia: «deram-me com listas telefónicas»

Cire lançou um novo tema que recorda episódios do passado, que está «a tentar enterrar». A morte do irmão, a violência policial que sofreu e os problemas raciais são alguns exemplos.

11 Nov 2019 | 18:45
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Cire lançou na passada quinta-feira, 7 de novembro, o novo tema Vozes, que traz de regresso o seu registo inicial: o hip hop. «A minha ideia é seguir o legado do meu irmão», começa por revelar.

No tema, que conta com a participação do cantor MotaJr e tem Iara Miguel, de Love On Top, como protagonista, o ex-concorrente do reality show da TVI revela estar «a tentar enterrar» certos episódios do passado.

Em exclusivo à TV7 Dias, Cire refere que pretende deixar para trás «o ódio e o rancor» que sente por várias pessoas que marcaram a sua vida. «Enterrar o ódio e rancor que tinha pelas pessoas que tiraram a vida ao meu irmão naquele hospital, de pessoas que eram minhas amigas mas de quem, no fundo, não senti apoio. De quando passei por momentos menos bons na vida e esses amigos nem sequer mandaram uma mensagem a perguntar se estava bem», conta.

Veja o vídeo:

 

«Levaram-me para dentro de uma sala e despiram-me todo»

 

«Tudo o que já fiz de mal, eu estou a tentar enterrar. (…) Várias coisas ilegais, sentar em tribunais, consolar os meus pais, problemas racias», pode ouvir-se na música, que se mantém em primeiro, nos vídeos mais populares do Youtube.

Quando questionado sobre o caso que o levou a tribunal, o ex-concorrente de Love On Top conta o episódio, que se passou quando tinha 17 anos e que envolveu agressões, violência policial e racismo.

«No Bairro Alto, os meus amigos envolveram-se numa luta. Não me acusaram de nada porque os queixosos disseram que eu separei e não fiz nada. Mas um dos meus amigos apanhou prisão preventiva, por já ter outros processos, e outros pena suspensa. Tive sorte porque os queixosos foram sinceros. Mas os meus amigos, em momento algum, disseram que eu não tinha feito nada. Podiam ter dito ‘ele não fez nada só estava connosco’ mas não», explica.

Na origem das agressões esteve a defesa de uma amiga de Cire. «Tinham-se metido com ela. Eles já estavam com os copos e passaram-se logo», afirma. O cantor conta ainda que, quando levado para a esquadra juntamente com os amigos, sentiu algum racismo por parte das autoridades.

«Os meus amigos eram brancos mas, mesmo dentro da esquadra, trataram-me de maneira diferente. Os próprios polícias disseram: ‘então andas armado em lutador? Agora quero ver se aqui dentro te safas connosco’. Levaram-me para dentro de uma sala, despiram-me todo e deram-me com listas telefónicas. Aos meus amigos não fizeram isso e eu nem sequer tinha feito nada», recorda.

«O meu irmão sempre me avisou que não estava nos caminhos certos»

 

Cire recorda ainda os momentos em que o irmão mais velho, Mário Boavida, – o conhecido rapper Raptor – o alertava para os perigos das más escolhas na vida.«Arrependo-me de me ter preocupado com pessoas que não mereciam a minha preocupação e, se fosse hoje, teria dado mais ouvidos ao meu irmão porque ele sempre me avisou que não estava nos caminhos mais certos. Naquela idade eu pensava que sabia tudo e que nada tinha consequências», confessa.

Para o cantor «a música ajudou muito» a seguir o caminho certo. «Se calhar, se não fosse a música ainda continuava com aquelas companhias», termina.

Texto: Marisa Simões: Fotos: Reprodução Instagram

 

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