Jogar pelos animais: Clube de padel junta mulheres por causa solidária

Mais de 200 jogadores de padel, entre eles o campeão nacional da modalidade, juntaram-se no ABC Indoor Padel para um fim de semana desportivo. As receitas reverteram para a associação Patas Errantes.

31 Jan 2019 | 7:50
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O ABC Indoor Padel, a Patas Errantes e jogadores de padel juntaram-se neste fim de semana por uma causa solidária. As instalações do clube, no Abrunheira Park, em Sintra, abriram as suas portas a mais de 200 atletas para, ao longo desses dias, realizarem um torneio cujas receitas reverteram para aquela associação dedicada ao acolhimento e recuperação de cães.

A iniciativa contou com 182 jogos, dois deles de exibição. No sábado, brilharam nomes como os dos campeões nacionais Miguel Oliveira e Vasco Pascoal ou os de Tiago Santos e Diogo Schaefer.

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Já no domingo, foi a fez de o ABC Indoor receber apenas mulheres nos seus oito campos. Sónia Araújo, número 36 no ranking do World Padel Tour e uma das promessas da modalidade, fez questão de estar presente. «Não podia recusar. Eu adoro animais e acho que esta foi uma iniciativa muito bem conseguida, tanto pela associação como pelo ABC», referiu.

«Apostar na parte solidária é, sem dúvida, uma boa iniciativa. O padel está a crescer e juntar estas duas vertentes é ótimo» (Sónia Araújo)

Para o ano, avisa, se o clube, a Federação Portuguesa de Padel e a Patas Errantes quiserem repetir, Sónia Araújo lá estará.

«O abrigo é casa de muitos para a vida»

 

Maria de Lurdes Lopes é presidente da direção da Patas Errantes. Esta associação legalmente constituída desde há 12 anos acolhe e recupera cães que foram vítimas de maus tratos e abandono ou que provenientes de ninhadas de rua. Aí, os animais «seguem um ciclo»: «primeiro a recuperação física, que é mandatória porque eles chegam, na maioria das vezes, muito negligenciados e doentes. Depois de desparasitados, vacinados, esterilizados e microchipados, são socializados com outros cães e com pessoas», refere a responsável, adiantando que as recuperações a que tem assistido, principalmente a nível psicológico, «são grandes lições de vida».

Só depois é que esses animais entram num processo de adoção e «só aí é que a Patas Errantes é mostrada publicamente», acrescenta.

Ao longo desta última dúzia de anos, passaram pelas mãos dos voluntários que aí trabalham mais de mil cães. «Vamos a caminho dos 1500. Temos um abrigo para 140 e estamos quase sempre lotados. O abrigo é a casa de muitos para a vida, principalmente para os mais velhos e de porte maior, que são os mais difíceis de encontrar uma família», frisa.

Iniciativas como este torneio de padel indoor são de extrema importância, uma vez que a associação «vive de solidariedade, dos associados, dos padrinhos». «É todo um esforço incrível para fazermos ações como esta. Uma vez pagas as despesas, que têm mesmo de ser cobertas, o remanescente é para nós», revela Maria de Lurdes Lopes.

No final, o saldo foi positivo e a diretora deixou, em lágrimas, o sonho para o futuro: «Estamos a pensar em tornar este num evento anual. Claro que o meu maior sonho era que a associação terminasse. Era sinal que não havia mais animais abandonados».

Texto: Ana Filipe Silveira; Fotos: Helena Morais

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