Negócio da compra da TVI tem luz verde decisiva. Sentença obtida após «análise exaustiva»

A Autoridade da Concorrência emitiu um comunicado em que revela que não se opõe à compra da empresa que detém a TVI pela Cofina. A dona da SIC pronunciou-se mas não alterou a decisão do organismo.

31 Dez 2019 | 8:40
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Agora é de vez. A Autoridade da Concorrência informou, em comunicado, que não coloca objeções ao negócio de 205 milhões de euros que envolve a compra da Media Capital, o grupo que tutela a TVI e a Rádio Comercial, pela Cofina, que detém meios como o Correio da Manhã e a CMTV.

A nota, que vem ratificar um projeto de decisão emitido, a 10 de dezembro, pelo Conselho de Administração do mesmo organismo, surge após uma «análise exaustiva» e nela «a Autoridade da Concorrência considera que a operação de concentração não é suscetível de criar entraves significativos à concorrência em qualquer um dos mercados relevantes considerados, entre os quais o dos canais de acesso não condicionado para televisão por subscrição, da imprensa e outros conteúdos digitais ou ainda no da publicidade».

Na missiva enviada às redações na noite desta segunda-feira, 30 de dezembro, o órgão acrescenta que nem a ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações) nem a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social) se opuseram ao negócio.

A posição destas entidades foi tomada após solicitação da própria Autoridade da Concorrência, que ouviu ainda a Impresa, que tutela a SIC, a Global Media Group, que detém títulos como o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias e a rádio TSF, e o Sindicato de Jornalistas. No entanto, lê-se no mesmo comunicado, as análises apresentadas pelos potenciais objetores ao negócio «não alteraram o sentido proposto na decisão» do organismo responsável pela promoção e defesa da concorrência em Portugal.

 

Dona da TVI a saldos

 

Se, em 2017, a Altice propunha adquirir a Media Capital por 440 milhões de euros, a Cofina acordou, em setembro passado, pagar 255 milhões de euros para concretizar a operação – 181 milhões de euros mais o valor correspondente à dívida da empresa.

Só que, há uma semana, a Cofina anunciou um novo acordo com a Prisa, a espanhola que ainda tutela a Media Capital, que culmina com a ainda mais acentuada desvalorização da dona da TVI.

Numa missiva enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), foi comunicado um aditamento ao contrato de compra que refere que «as partes acordaram na redução do preço de aquisição previsto no Contrato de Compra e Venda, que é agora de 123.289.580 euros, assumindo um ‘enterprise value’ de 205.000.000 euros». Ou seja, houve uma depreciação de 50 milhões de euros.

 

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Texto: Dúlio Silva; Fotografias: Arquivo Impala

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