Covid-19: Primeiro morto em Portugal era amigo de Jorge Jesus

Um homem de 80 anos com várias doenças associadas foi a primeira vítima mortal do Covid-19 em Portugal. O anúncio foi feito pela ministra da Saúde. Segundo a imprensa, era amigo de Jorge Jesus.

16 Mar 2020 | 17:23
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A ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou esta segunda-feira, 16 de março, em conferência de imprensa, que Portugal registou a primeira vítima mortal pela Covid-19. Trata-se de um homem de 80 que estava internado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

O octogenário apresentava “várias comorbilidades associadas” e “encontrava-se internado desde há vários dias”. “Ao mesmo tempo em que apresentamos as nossas condolências à família e amigos do falecido, queremos também sublinhas e agradecer o empenho dos profissionais do Centro Hospitalar de Lisboa Norte e, concretamente, do Hospital de Santa Maria no tratamento, na prestação de cuidados, no apoio a este doente”, agradeceu a ministra.

Segundo o jornal Diário de Notícias e o desportivo A Bola, Mário Veríssimo é o nome da primeira vítima mortal. Ia fazer 82 anos em abril e foi enfermeiro-massagista do Estrela da Amadora, tendo trabalhado com Jorge Jesus durante parte da carreira.

Aliás, era a este homem que o técnico português se referia quando, no passado sábado, na flash interview que se seguiu após a vitória do Flamengo por 2 a 1 frente à Portuguesa, afirmou ter perdido em Portugal um amigo infetado com Covid-19. “Eu sou português. Sei muito bem o que está se está a passar em Portugal. Já perdi alguns amigos”, disse.

Questionado por uma jornalista sobre o número concreto de amigos, corrigiu a declaração: “Perdi um. Em Portugal. Isto não é uma brincadeira. Eu não tinha a sensibilidade do que era isso.” Mais tarde, nesse mesmo dia, o advogado de Jorge Jesus, Luís Miguel Henriques, disse ao Observador que o treinador foi “induzido em erro”.

Dois dias depois, o pior cenário para Mário Veríssimo confirma-se.

 

18 doentes nos Cuidados Intensivos

 

Marta Temido aproveitou ainda “para, uma vez mais, agradecer a todos os profissionais do Serviço Nacional de Saúde, do sistema de saúde português, pelo enorme esforço que continuam a realizar todos os dias para garantir que o Serviço Nacional de Saúde continue a funcionar e aos doentes com Covid-19, mas também aos outros que continuam a merecer cuidados de saúde adequados ao seu estado e à sua situação”.

Marta Temido terminou dizendo que Portugal vive agora um momento de pesar” e “um momento de reflexão”. “É um momento em que, mais do que nunca, precisamos de nos concentrar no muito que há para fazer”, vincou a ministra.

Ao seu lado, tinha a Diretor-Geral de Saúde, Graça Freitas, que adiantou que, neste momento, Portugal tem “18 pessoas em unidades de Cuidados Intensivos”. “Todas inspiram cuidados, por isso é que estão em unidades de Cuidados Intensivos altamente especializadas”, sublinhou.

Graça Freitas recordou também que a taxa de letalidade no Mundo é de cerca de 2%, admitindo, por isso, que é provável que existam mais mortes em Portugal nos próximos dias.

Segundo o último balanço epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), realizado na manhã desta segunda-feira, estão confirmados 331 casos de infeção com o novo coronavírus em Portugal. Nas últimas 24 horas, registou-se, por isso, um aumento de 86 doentes.

Há ainda 374 pessoas a aguardar o resultado das análises laboratoriais e 4592 em vigilância pelas autoridades de saúde. Três pacientes estão recuperados.

 

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Texto: Dúlio Silva; Fotografias: D.R.

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