Cristina diz que vai acabar carreira na TVI: «Este é o meu projeto final profissional»

Cristina Ferreira concedeu, este domingo, a primeira entrevista desde que deixou a SIC e regressou à TVI.

14 Set 2020 | 9:00
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Cristina Ferreira foi entrevistada por Pedro Pinto no renovado Jornal das 8, da TVI, marcando o regresso da apresentadora à antena do canal «740 dias depois». A malveirense trocou a estação de Queluz de Baixo em 2018, rumando à SIC.

O jornalista, que foi professor, em tempos, da apresentadora, revela que tem um orgulho imenso por poder conduzir esta entrevista. «Esta noite está cheia de simbolismos. Faz 16 anos que me estreei ao lado do Manel [Luís Goucha]. Hoje é o dia em que estreámos o Você na TV!», começa por dizer a estrela maior da televisão portuguesa.

«Mas em relação a ti eu devo dizer, talvez não saibas a importância que tens na minha vida, Pedro. Eu estava a tirar jornalismo, o jornalismo era para ser o meu futuro e foi contigo que eu descobri a paixão da televisão», continua.

 

Data de estreia do Dia de Cristina? «É o que todos querem saber, não é?»

 

«Quando é que os portugueses te podem ver no regresso à TVI, no ecrã com um novo programa?», a pergunta do momento, colocada pelo pivô. «É o que todos querem saber, não é? Está quase, quase. A dias de acontecer. Só que antes vai haver um momento do qual eu tenho grande expectativa. Antes de eu voltar à antena, há uma coisa que me falta fazer: fechar o Você na TV!, na dupla que toda a gente conheceu. Não há acasos, o Você na TV! nunca trocou de nome, mesmo na minha ausência. Ficou lá. Teve a Maria [Cerqueira Gomes] no meu lugar, o Manel nunca saiu de lá. Neste momento está sozinho. Antes de me estrear na TVI vou, ao lado do Manel, encerrar um ciclo e uma dupla. Isso está para muito breve e o Dia de Cristina estreia-se logo a seguir», atira.

 

Cristina Ferreira explica em que consiste o Dia de Cristina

 

Eis a sinopse do novo programa da malveirense, segundo a mesma: «É tudo o que a Cristina quiser!» «Isso é extremamente vago, mas extremamente ambicioso», elogia Pedro Pinto. «É, mas acho que 16 anos depois as pessoas sabem o que é a Cristina em televisão e, portanto, não vão esperar outra coisa. Vai ser um dia, e não é sempre o mesmo dia. Pode ser ao sábado, ao domingo, não sabemos. Começa cedo e acaba tarde. Terá as pessoas que gosto de entrevistar», afiança.

 

«Eu sai a saber que voltava»

 

Com o desenrolar da conversa, a nova diretora de entretenimento e ficção da TVI confessou que se sentiu emigrante neste processo (saída para a SIC e regresso a Queluz de Baixo) e que sai «a saber que voltava»: «Eu fui à procura de alguma coisa mais, talvez de melhores condições, talvez de um mundo novo. Mas depois faltavam-me as pessoas, como quando há aquelas saudades de casa, daqueles que estão à nossa espera. Essas pessoas faziam-me falta. Quano surgiu a oportunidade eu não pensei duas vezes. Os meus estavam aqui, os meus amores estavam aqui», diz.

«Eu não sei se isto é bonito de se dizer: eu gostei muito de ganhar, eu gostei muito de ter contribuído para aquele projeto [referindo-se, claro está, à SIC]. Eu nunca me senti feliz por a TVI perder… e isso são coisas diferentes», defende.

 

A polémica saída da SIC

 

O jornalista recorda que a saída de Cristina Ferreira da SIC esteve (e continua) envolta em muita polémica, devido ao contrato que a ligava ao canal de Paço de Arcos. «A tua saída da SIC prende-se com essa ideia de que, a pouco e pouco, já não eras tão importante, tão especial, a partir do momento em que a SIC chega à liderança. Sentiste isso?», pergunta Pedro Pinto. «Eu não tenho nada a dizer da SIC. Enquanto lá estive trataram-me muito bem. Eu fui muito feliz na SIC. Agora há um projeto para o qual eu fui que acabou por não ser exatamente como eu o tinha imaginado. A minha SIC foi O Programa da Cristina. Para além disso não houve nada mais, eu entrei com funções para as quais também nunca fui muito chamada. Eu podia lá ter ficado mais 20 anos, mas quando surge este convite…», responde.

«Rompeste ou não um contrato que estava em curso? Até que ponto te sentes de consciência tranquila de ter denunciado um contrato que estava em curso», questiona Pedro. «Completamente tranquila. Primeiro porque eu tive conversas anteriores em que demonstrava o que estava a sentir, o que não invalida que não tenham sido apanhados de surpresa com esta decisão. Dei o melhor de mim à SIC. E depois há os contratos e há as cláusulas de rescisão. Cada um de nós, se não tivesse essa possibilidade, de sair do local onde está, seja porque não gosta de ali estar, seja porque há novas [oportunidades], seríamos uns escravos», garante a estrela da TVI. «Mas 20 milhões de euros [valor que a SIC exige a Cristina Ferreira depois de ter rescindido o contrato] tiram-te o sono?», interrompe aquele que é um dos rostos principais da informação da estação de Queluz de Baixo. «Não me tira, de forma alguma, até porque isso vai ser tratado no sítio próprio, como deves imaginar. Mas isso é um número que não tem qualquer fundamento», responde.

Cristina Ferreira garante que se sente salvaguardada juridicamente. «Há lugar a uma indemnização que estava estipulada no meu contrato e da qual sei que vou pagar. E dessa não há aqui qualquer alternativa. Estava lá, está escrito, eu pago. De resto, trataremos em tribunal, se for o caso», afirma, segura de si mesma.

Cristina Ferreira é uma das novas acionistas da Media Capital

 

Cristina Ferreira regressou à TVI como acionista, com 2,5% da Media Capital, onde investiu um milhão de euros «mais qualquer coisa», como a própria revela. «Esse milhão de euros ‘mais qualquer coisa’ tem a ver com o teu pacote de remuneração e está incluído na remuneração e com o contrato que estás a fazer com a TVI ou se tem a ver com um investimento das tuas poupanças num projeto que tu acreditas?», pergunta o jornalista. «São as minhas poupanças. Este é o meu projeto final profissional. Eu não vou para mais lado nenhum. Vou ficar aqui até ao resto dos meus dias e acho que comprar uma percentagem desta casa também diz isso mesmo. Eu só mudei uma vez e volto aqui para isso mesmo, para casa onde nasci e cresci, para que eu a ajude a voltar ao sítio onde ela vai estar. É o meu dinheiro, foi o que eu poupei ao longo destes anos todos.»

Cristina Ferreira termina entrevista recordando o início…. de toda esta jornada: «Qualquer um de nós pode»

 

Cristina Ferreira aproveita para recuar no tempo e explicar o quão orgulhosa está com esta compra. «Eu entrei naquele portão ali fora com um carro emprestado do meu pai. Vim para aqui ganhar 500 euros, enquanto apresentadora, foi esse o meu primeiro ordenado na TVI. Chego aqui hoje por mérito. E isso é uma coisa de relevar. 17 anos depois estar aqui nesta posição… não me tirem o orgulho de sentir isso! Eu vivo num sítio que nem sequer está no mapa, é um casal. Não existe. E, de repente, estar aqui deixa-me muito orgulhosa. É sinal que qualquer um de nós pode.»

Nos 30 segundos finais da conversa, já com José Alberto Carvalho e o estreante (na TVI) Pedro Mourinho no estúdio, a apresentadora explicou o porquê de ter chamado Teresa Guilherme para a condução do Big Brother – A Revolução: «O Pedro [Pinto] sugere-me para um estágio na RTP e eu faço-o. E é a Teresa que, há 17 anos, diz aqui dentro da TVI, ela que ia apresentar um Big Brother: ‘Há uma miúda que eu vi ali num estágio que tinha tudo para vir para aqui fazer o Big Brother’. Há 17 anos a Teresa deu-me uma coisa que eu agora lhe devolvo: a minha vida!»

Texto: Ivan Silva; Fotografias: D.R. e Reprodução Redes Sociais

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