De vencedor de Ídolos a concorrente do Festival da Canção: «Para mim, já venci»

João Couto é um dos concorrentes da segunda semifinal do Festival RTP da Canção. Em entrevista à TV 7 Dias, o jovem revela como recebeu o convite para substituir Marlon na interpretação de O Jantar.

23 Fev 2019 | 10:40
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Tinha 13 anos quando participou na segunda edição de Uma Canção Para Ti (TVI) e 19 quando venceu a sexta temporada de Ídolos (SIC). Aos 23, praticamente uma década depois de ter surgido pela primeira vez no pequeno ecrã, João Couto vai estrear-se no Festival RTP da Canção, na sequência da desistência do primeiro intérprete escolhido por Pedro Pode para cantar O Jantar.

Na véspera de subir ao palco do certame, e sem temer comparações com Marlon, o jovem artista revela como reagiu ao acordar, numa manhã de sexta-feira, com um telefonema de Pedro Pode a convidá-lo para participar no festival e explica porque já se considera vencedor, mesmo ainda sem ter ido a votos contra NBCDan Riverman, Madrepaz, Surma, Lara Laquiz e Mila Dores.

 

 

A 31 de janeiro, a RTP anunciou que Marlon abandonara o Festival da Canção «por motivos de força maior» e que Pedro Pode, o compositor do tema O Jantar, o escolhera para interpretar a canção. Numa entrevista recente, disse que reagiu a este convite com «absoluto choque». O choque já passou?
Sim e não… Quer dizer, obviamente que já me habituei à ideia de participar, porque tenho uma ligação muito forte com a canção. É uma canção a que me afeiçoei imediatamente, mesmo quando ainda não estava na corrida para o festival. E, quando a cantei, senti imediatamente: ‘A partir de agora, esta canção é minha e vou fazer de tudo para que seja minha’. Ao mesmo tempo, ainda é tudo muito surreal, porque é o Festival da Canção, um programa que ultimamente consegue parar o país. Não deixa de ser uma coisa entusiasmante, que me deixa… ansioso.

Já conhecia Pedro Pode?
Conhecia. Sou fã do Pedro desde os meus 16 anos.

Mas conhecia-o pessoalmente?
Muito vagamente. Acima de tudo sou fã do Pedro. Eu era só um miúdo que ia aos concertos dele. Curiosamente, houve um dia em que fui ver um concerto dele a um festival de música e, no final, pedi-lhe para assinar uma polaroid que tinha tirado. Lembro-me de lhe ter dito que adorava uma canção dele e que ele se virou para mim e disse: ‘Parabéns para ti também’. ‘Parabéns para mim?’ ‘Ah, sim, também tens um disco cá fora’…

 

«Olhei para o espelho e pensei: ‘Isto não está a acontecer’»

 

Portanto, ele também já conhecia o seu trabalho.
Exato. E, para mim, foi incrível pensar que uma pessoa que já oiço desde os meus 16 anos, que era um ídolo para mim, me está a dar os parabéns pelo meu trabalho. Foi uma coisa brutal! E eu já andava a brincar com a ideia de ele talvez no futuro poder vir a produzir algumas canções para mim… Mas pensava: ‘Ok, deixa passar o festival, que ele vai estar ocupado com isso e com o disco dele’. Depois, numa sexta-feira de manhã, acordo com uma chamada dele a ligar-me com o convite para o festival. Olhei para o espelho e pensei: ‘Isto não está a acontecer’.

Aceitou logo o convite?
Sim, aceitei logo o convite. Na brincadeira, até lhe disse: ‘Aceito o convite, mas depois temos de trabalhar em mais coisas’. E depois, quando fomos trabalhar em estúdio, percebemos que isto tinha mesmo de acontecer. Tivemos uma química imediata. Nesse sentido, é ótimo que o festival proporcione coisas destas, que os artistas tenham a oportunidade de partilhar a sua música. Só por isso, para mim, já venci o festival.

Houve alguma mensagem que o Pedro lhe tenha transmitido quando lhe fez o convite?
A coisa boa é que o Pedro teve toda a confiança em mim e deixou um bocado nas entrelinhas que, se me tinha ligado nesta situação, era porque confiava em mim. Quando tive ideias, ele nunca mas cortou. Muito pelo contrário, encorajou-me. Dizia sempre: ‘Faz ainda mais!’. Acho que muito do público conseguiu reconhecer que há efetivamente uma diferença entre a minha interpretação e a do Marlon, que é uma excelente interpretação, o que acresceu ainda mais a responsabilidade.

 

«Não estou de todo preocupado com comparações»

 

Já tinha algum tipo de ligação com o Marlon?
Conheço a malta dos Azeitonas [Marlon é vocalista da banda]… Se bem que fiquei a conhecer melhor o Marlon depois deste episódio. Ele estava numa situação que não lhe davam outra hipótese a não ser fazer a troca e foi o mais educado e porreiro possível. Foi absolutamente um gentleman.

Deu-lhe algum conselho?
Nenhum em particular. Em primeiro lugar, ficou muito satisfeito com a nova versão da música, porque reconheceu que eu não estava a fazer uma versão igual à dele, mas a cantar como eu canto. Ele respeitou muito isso. De resto, disse-me: ‘É uma oportunidade de participar num programa que é muito importante na televisão portuguesa. Leva aquilo da melhor maneira’. E é isso que vou fazer. Não vou criar expectativas e vou lá simplesmente curtir o momento.

Vai fazê-lo temendo possíveis comparações com a primeira versão do tema ou está tranquilo em relação a isso?
Absolutamente tranquilo em relação a isso. O que está realmente a concurso é a canção e o que vou dizer às pessoas é: ‘Esta canção é a história de tanta gente e pode ser também a vossa’. E certamente que em certos aspetos também foi a minha. Eu vou lá contar essa história, partilhá-la com Portugal inteiro. Por isso, não estou de todo preocupado com comparações de versões, porque vou chegar lá com a confiança de que sou o intérprete desta canção.

 

«Participar no Festival da Canção era um sonhinho»

 

Há pouco dizia que, para si, já tinha vencido o Festival da Canção. Tem outros objetivos? Passar à final, vencer?
O meu objetivo principal é representar no festival uma fatia da música portuguesa que acho que merece mais destaque – cantautores com uma sensibilidade de pop/rock, indie… -, mas também que mais pessoas fiquem a conhecer a minha música e a música do Pedro, que acho francamente que é um dos melhores compositores em Portugal neste momento. Se conseguir chegar à final, vou ficar extremamente feliz e se, no máximo dos máximos, tiver hipótese de representar Portugal em Telavive [é nesta cidade israelita que vai decorrer o Festival Eurovisão da Canção, em maio próximo], ficarei extremamente orgulhoso, porque vou representar o meu país. Tenho tanto orgulho no meu país e na música que se faz neste país…

Era um sonho participar no Festival da Canção?
Sim, claro que era um sonho. Era um sonhinho, como se costuma dizer [risos]. Era um sonhinho. Todos nós, que crescemos a seguir o festival, temos uma parte da nossa cabeça que nos diz que era giro ir lá, só para ver como é, só para ver se conseguia. Tinha uma curiosidade mórbida em ver como é que seria participar no Festival da Canção e, felizmente, tenho a sorte de ir poder descobrir como é.

 

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Ficou contente com os resultados da primeira semifinal?
Fiquei muito contente com os resultados. Acho que são quatro ótimas canções. Qualquer uma seria uma ótima representante de Portugal em Telavive. Estou entusiasmado para ver quais as quatro da minha semifinal que também vão passar para a final. Ficarei felicíssimo se a minha for uma delas, mas se não for… Tenho a certeza de que o público e o júri vão tomar a melhor decisão.

Além da sua, tem alguma favorita?
Tenho, mas prefiro mantê-las guardadas.

 

«Postura de ídolo? É inspirar os outros»

 

Que diferenças há entre o João que vai pisar o palco do Festival da Canção e o João que, em 2015, no casting para o Ídolos, não tinha «postura de ídolo», como considerou na altura Maria João Bastos, uma das juradas?
A grande diferença é que o João que vai ao festival é um artista já feito, no sentido em que já tenho as minhas canções, em que já tenho a minha identidade musical. Aquilo que vou trazer ao Festival da Canção é o meu lado interpretativo já com uma maturidade artística que antes não tinha. Antes, estava a tentar descobrir por onde queria enveredar. Acho que o que vão ver não é o João Couto concorrente de um programa, mas o João Couto artista, com trabalho feito e em construção.

 

 

Mas tinha ou não uma «postura de ídolo» naquela altura?
Não sei… Eu ainda hoje me pergunto o que era «postura de ídolo». Podemos dizer que o Rui Veloso tem postura de ídolo, que o Jorge Palma tem postura de ídolo, que o Sérgio Godinho tem postura de ídolo? O que é a postura de ídolo? Para mim, é a absoluta confiança no que se está a fazer e não pedir desculpa nem autorização a ninguém para se ser quem é. Se conseguir que algum miúdo me veja em casa e pense ‘Fogo, este tipo pode estar ali? Então também posso’, já ganhei. Acho que a postura de ídolo é isso: inspirar os outros.

 

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Texto: Dúlio Silva | Fotografias: Divulgação SIC e reprodução Instagram

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