Diogo Infante recorda morte das mulheres da sua vida: “Partiu cedo de mais e rapidamente”

Diogo Infante abriu o seu coração a Manuel Luís Goucha. Numa entrevista intimista, o ator recordou ainda as mortes da mãe e da avó, com quem foi criado, e o seu início de carreira.

07 Fev 2021 | 8:00
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Ser ator é “um sacerdócio”, disse Diogo Infante na entrevista que deu a Manuel Luís Goucha, emitida na TVI na tarde deste sábado, e na qual falou da importância que a representação tem para si e para o público. “A arte é um espelho. Devolve-nos a nossa dimensão humana e, sobretudo, aquilo que queremos ou desejaríamos fazer com a nossa própira vida. Isso é uma responsbilidade, mas também uma missão e eu abraço-a com todos os meus sentidos”, referiu.

O ator soube “desde sempre” que era nos palcos que queria estar. A confirmação surgiu quando se estreou, então com 18 anos. Foi no Teatro Lethes, em Faro. “Quando acabou, eu só queria voltar para lá para cima. Eu sentia-me livre, sentia-me bem. (…) Comecei a chorar porque percebi que era isso que eu era”.

Ainda assim, e porque a família tinha algumas dificuldades financeiras, Diogo Infante tirou um curso de guia intérprete para ganhar dinheiro e poder “ajudar em casa”. “Senti essa obrigação e esse curso era o caminho mais fácil”, lembrou.

“Tento não pensar muito nisso. Por causa da dor”

Diogo Infante, de 53 anos, foi criado pela mãe e pela avó, Esta morreu aos 90 anos. “Foi natural”, frisou. Já a mãe “partiu cedo de mais e rapidamente”. “Quando eu estava no processo de luto, aparece-me o Filipe. A minha mãe morreu em setembro e o Filipe chegou em janeiro”, lembrou, referindo-se ao filho, que adotou em 2011. “Eu não tive tempo para fazer aquele luto necessário. (…) Tenho obviamente pena que o Filipe não tenha conhecido a avó e conto-lhe histórias… Conto-lhe coisas de quando eu era miúdo, o que ela me dizia, a liberdade com responsabilidade”, enumerou.

O facto de ter sido criado por duas mulheres, frisa Diogo Infante, deu-lhe “um entendimento sobre o universo feminino que, se calhar, de outra forma não teria tido”. “Como não tive uma figura masculina presente, um pai presente… Aliás, conquistei a minha relação com os homens e com o universo masculino bem mais tarde através do desporto e de outro tipo de códigos que eu não tinha como referência”, explicou.

“Senti necessidade de me exercer como pai”

Filipe tinha 8 anos quando o ator o adotou. “Senti necessidade de me exercer como pai. Eu queria ser pai, passar por essa experiência. Talvez por não ter tido [um relação com] um pai, queria isso”, confessou. De lembrar que Diogo Infante conheceu o príoprio pai já em adulto e mantém uma relação de amizade.

“Foi a melhor decisão que tive na minha vida”, reforçou, contando a “formação” por que passou até ficar “habilitado” a ser pai. “Fi-lo em nome individual”, referiu Diogo Infante, que viria a casar-se, já em 2013, com Rui Calapez.

“É um processo. A primeira fase é de enamoramento e a segunda é a realidade. (…) Não é um mar de rosas”, expõe.

Só passado o período experimental de seis meses, em que a criança ou o adulto podem recuar na intenção da adoção, e após o Tribunal ter decretado que Filipe era, oficialmente, filho de Diogo Infante é que o rapaz começou a tratar o artista por “pai”. “Eu disse-lhe que o mundo inteiro me podia chamar de Diogo, mas só uma pessoa me podia chamar de pai. (…) E a partir desse dia ele chama-me de pai”.

A forma como Filipe encarou o facto de Diogo ser casado com Rui Calapez foi tranquila e dentro de normalidade. O ator revela que soube que estava tudo a correr bem nesse sentido quando descobriu que o filho tinha registado, no telemóvel, o número do marido como “bi-pai”. “Ele arranjou estratégias. É tudo normal”.

Texto: Ana Filipe Silveira; Fotos: Reprodução Instagram e TVI

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