Diogo Morgado quer LEVAR PORTUGAL AOS ÓSCARES!

Solum é o segundo filme produzido, escrito, realizado e interpretado por Diogo Morgado. O ator garante ser uma experiência diferente no cinema luso e quer levar Portugal até Hollywood.

04 Mai 2019 | 8:50
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O sonho dos manos Diogo e Pedro Morgado – em produzir, realizar e interpretar cinema cem por cento made in Portugal, autofinanciado, e competir com o que de melhor se faz no resto do Mundo – começa a ganhar forma. Tudo se iniciou com Malapata, que representou a sua experiência pioneira cinematográfica
e provou aos irmãos que tinham a capacidade técnica de criar as bases para o que viria a seguir.

Agora, lançam-se num projeto mais arrojado e tecnicamente muito mais exigente a todos os níveis: Solum. Um thriller de ficção científica, com uma mensagem elaborada para fazer refletir quem quiser embarcar nesta odisseia. Mas o repto que Diogo Morgado lança aos portugueses é mais abrangente e pede que abracem com ele a sua visão de futuro para a Sétima Arte lusa.

A 1 de maio, Dia do Trabalhador, chegou aos cinemas Solum, a segunda obra realizada por Diogo Morgado. «É um projeto em que eu e o meu irmão apostávamos muito, que sentimos ser o início de uma conversa com o público. Já andamos há tantos anos dentro e fora do meio que sentimos que as pessoas estão sempre com a ideia de que no cinema português não se faz tão bem estas coisas», afirma o ator.

Veja o trailer

 

«Aqui tentámos que fosse uma resposta a essas questões e que o cinema português também pudesse ser isto. Queremos que o mainstream não passe só pela comédia, porque se formos a ver praticamente os poucos filmes que vão saindo, aqueles mais mainstream, 90 por cento são essencialmente comédia e os que não são, praticamente não apresentam nada de novo. Nós aqui estamos a arriscar, acreditando que o público quer ver este tipo de filme assim, produzido em Portugal, e nós acreditamos que é a resposta a isso.», continua Morgado.

Nunca foi a intenção do ator revelar muito da obra, mas tentando espicaçar a curiosidade, sem revelar o conteúdo, explica: «É um filme de ficção científica, um thriller que se centra em vários plots misteriosos, que depois de estarem assentes numa estrutura de alerta maior, esperamos que levante questões muito pertinentes. Por exemplo, a minha figura/personagem é uma entidade que analisa a condição humana. E a questão era: como será que uma entidade não humana vê esta coisa que andamos aqui a fazer? Desde conseguir fazer fogo até aos mais espantosos avanços tecnológicos, tais como uma missão a Marte? E esse foi o princípio da conversa que deu origem ao meu personagem. Para efeitos de trailer e teaser nunca é explicado. Fica no ar questões como:‘O que é isto afinal? Um reality show, um Hunger Games?’ A ideia é essa, mas não é nada disso. Os filmes mais eficazes, em termos de bilheteira, são aqueles que te espicaçam a curiosidade, mas não dão tudo. Há sempre uma surpresa ou duas…».

Com uma fotografia de qualidade, Solum inclui uma mensagem muito atual e forte. «Uma das questões aqui abordadas no filme é o impacto e a responsabilidade que estamos a ter no Planeta. O mundo que mostramos no filme não é o mundo que existe ou o que não vai existir, isto se não fizermos algo agora. Para nós, o protagonista principal do filme é a Natureza no seu esplendor máximo… e que cenário mais que perfeito existe do que os Açores? Nós compilámos cinco ilhas numa só. Este layout é do Pico, mas gravámos também no Faial, Terceira, Flores e São Miguel…».

A escolha do elenco reflete igualmente a filosofia que os manos Morgado querem impor, não pactuando com lóbis, mas dando uma oportunidade ao talento e ao engenho. «Essa escolha recaiu metade em pessoas com quem já trabalhei e sabia que perceberiam o que estava a fazer e, mais do que isso, estariam lá nas trincheiras. É uma produção de financiamento próprio e foi uma loucura. Temos um filme de ficção científica com efeitos especiais que nunca mais acabam. A outra metade tem que ver com uma filosofia que eu e o meu irmão acreditamos: ‘Uma pessoa, uma ideia que tenha uma vontade própria, e tenha competência, deve ter uma oportunidade.’ Por isso, a Catarina e o Carlos, dois dos protagonistas, são de casting. Meti nas redes sociais e disse ‘mandem’. E eles mandaram e ficaram. Mais aberto que isto é impossível», explica Diogo Morgado.

«Quero que seja o sítio para realizadores, produtores, novas ideias… Temos um sonho, não acreditamos que sejamos nós, mas que um dia Portugal possa ser nomeado a um Óscar. Somos um dos poucos países do Mundo, aqui nesta parte do Ocidente, que nunca foi nomeado a um Óscar. Não digo que tem de se deixar de fazer filmes de autores. Estou a dizer que os filmes de autor têm de se adaptar e agarrar no seu lado estrutural e levar ao Mundo», diz-nos, esperançoso.

«É onde me sinto verdadeiramente feliz»

 

Depois destas experiências difíceis, Diogo Morgado continua a ter o mesmo gosto em interpretar, produzir e realizar. «Absolutamente. É onde me sinto verdadeiramente feliz. Não sei se vou representar, mas sei que vou fazer um filme. Agora que tipo de ‘’no dia em que perdes toda paixão, perdes a força que te levou até ali’ filme é, depende da conversa com o público e do que é pertinente. E não é só uma questão de orçamento. Se não houver bilhetes vendidos… se para as pessoas for irrelevante, é óbvio que não voltarei a fazer este género», afiança Diogo Morgado.

«O mesmo se passa como ator. Faço coisas que possa acrescentar algo que seja interessante e que seja um desafio. Ainda não estou numa posição de fazer fretes e eu sinto que, se calhas num meio em que te sentes verdadeiramente apaixonado, no dia em que perdes a paixão e passas a operar, perdes toda a força que te levou até ali… Deixa de ter brilho aquilo que fazes. Gostava de mais histórias deste género, onde coisas que são aparentemente triviais e menos improváveis são feitas com paixão e a acreditar, por isso acredito que, se nós nos mantivermos a fazer a nossa estrada, pode demorar dez anos, mas nós chegamos lá».

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Diogo Morgado realiza e protagoniza filme de ficção científica
Texto: Eduardo César Sobral | Fotos: Arquivo Impala

 

(entrevista publicada na edição 1676 da TV 7 Dias)

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