Entrevista a Júlia Palha: “Estou apaixonada. Quero muito casar-me e ser mãe”

Aos 22 anos, Júlia Palha é uma referência para os jovens da sua geração e, na próxima novela da SIC, “A Serra”, será Fátima, uma rapariga serrana que vive um tórrido romance com José Mata.

21 Fev 2021 | 9:40
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TV 7 Dias – Como está a ser dar vida à Fátima?

Júlia Palha – Está a ser muito desafiante, não só pela personagem que é, mas também por ser a protagonista da novela. É o meu primeiro papel de destaque e quando temos uma personagem muito marcante nestes projetos acabamos por ter de viver muitas emoções. O mais desafiante é a escala de emoções diárias. No mesmo dia gravamos vários episódios, com vários estilos de situações. A nível psicológico é muito desafiante.

Como se preparou?

Tive muito tempo de preparação com a direção de atores. A parte mais difícil foi adaptar-me àquilo que é uma pessoa que vive na serra. Sou uma miúda de Lisboa, sou nova e estamos a viver numa geração que corre. Fazemos tudo à pressa, a nossa maneira de falar é a correr e quase que queremos debitar o texto a correr. Mas ela é uma miúda serrana, que vive no campo, com os animais, que vive com outros tempos. Tenho de agir de outra maneira, tive de combater isso em mim. Sou uma pessoa que vive muito a correr e a Fátima não é assim.

Sente o peso de ser a protagonista?

Não sinto por parte de ninguém, sinto para mim própria. Sei que os olhos vão estar mais em cima de mim. Acabo por dar a cara pelo projeto e quero que corra o melhor possível, acabo por sentir essa responsabilidade.

Ter sido apresentada como uma grande aposta do Daniel Oliveira também pesa?

Sim. Isso dá outra pressão. O Daniel ter confiado em mim foi muito importante. Quero mostrar que sou uma boa atriz e tenho muito para dar. Às vezes, é preciso estes papéis maiores, para podermos dar essas cartas e provar isso.

Gosta de gravar na Serra da Estrela?

Gosto, apesar de estar sempre frio. Nós saímos sempre muito cedo do hotel, por volta das seis da manhã, e custa sair com cinco graus negativos e trocar de roupa na carrinha. As roupas estão frias e essa é a parte mais dura, mas depois, com aquelas paisagens deslumbrantes, compensa. Aquilo é lindo e o nosso trabalho é uma sorte. Estamos ali a ser pagos e temos oportunidade de conhecer sítios diferentes.

Quais os pontos fortes da novela?

Definitivamente, acho que é o elenco e as paisagens. A história está muito bem conseguida e vai prender o público. As pessoas só gostam de arte quando se identificam e as pessoas vão identificar-se com a novela. A história é muito real e é um trabalho conjunto. Estamos todos muito bem ligados e trabalhamos em equipa. Ouvimos os conselhos uns dos outros e isso torna as personagens mais humanas. Além disso, é uma novela com muito drama, segredos e suspense, que prende as pessoas. Tem também uma parte muito leve e divertida, que faz falta às pessoas quando chegam a casa e querem descontrair e esquecer os problemas do dia-a-dia. A novela tem um ótimo balanço entre o drama e o leve.

Como é contracenar com o José Mata?

O José é muito querido. Ainda não o conhecia pessoalmente e fiquei feliz quando soube que ele ia ser o meu par romântico, porque sabia que ele era um excelente profissional. Isso é muito importante, nós somos muito daquilo que nos dão em cena. O José está sempre lá e ajuda muito. Ele é muito divertido e está sempre na brincadeira, assim como os outros colegas. Tenho muita sorte porque vim para uma casa onde não conhecia muita gente. Vinha um bocadinho a medo e logo no primeiro dia senti-me em casa. Fui muito bem recebida.

Vão viver um tórrido romance. Sente-se à vontade nas cenas íntimas?

Sim, as cenas físicas são muito tranquilas. Quando fiz a primeira vez, claro que fiquei nervosa, mas é uma coisa que não tem mal nenhum. A equipa protege-nos imenso, nunca mostram demasiado. Temos sempre mantas que o telespectador não vê, mas acima de tudo é o nosso trabalho e faz parte. Crescemos a ver essas cenas em filmes e faz parte. Não choca. A nudez faz parte, não conheço nenhuma atriz que tenha recusado fazer alguma cena por aparecer mais despida. A nudez é arte e faz parte do nosso trabalho, não olho para isso como sendo um problema.

E gravar com tantas medidas de segurança é muito diferente?

Já estou habituada. Cada um tem o seu camarim e esta – mos mais afastados. Acaba por limitar em cena, na par – te de tocar e abraçar. Temos sempre de fazer os testes nos dias anteriores, quando há cenas de beijos, mas tem sido superseguro. O número de casos nas novelas tem sido mínimo. Sinto-me segura.

Do que sente mais falta da vida antes da pandemia?

Sinto falta de viajar. Sempre fui muito de ir passar fins-de-semana a Madrid ou a Londres, fazer pequenas escapadinhas para desligar do trabalho. Sinto falta de estar com os meus amigos. É difícil sair todos os dias do trabalho e ir para casa. As pessoas já vivem em dificuldade com a sua rotina, então isto é o extremo. Tem sido muito complicado nesse sentido e espero que isto acabe rápido.

Quando a pandemia acabar, qual é a primeira coisa que quer fazer?

Se ainda estiver a trabalhar, quero jantar e fazer uma festa com os amigos. Se já estiver de férias, quero fazer uma longa viagem de um mês, talvez pela Indonésia, sem telemóvel, para desligar de tudo.

Sente que é uma referência para as jovens da sua geração?

À minha maneira, acho que sim. Todos temos pessoas que admiramos e que ambicionamos ser um dia. Tenho muitos seguidores e espero que os jovens atores me vejam como uma boa referência, como uma pessoa nova que já tem muito trabalho no seu currículo. Tenho consciência que tenho muitas pessoas a seguirem-me e quando se é novo é mais fácil ser influenciável, por isso, temos de dar o melhor de nós, nunca sendo falso ou forçado.

Que conselho daria a uma jovem que começasse agora na representação?

Procurar boas agências é mesmo importante. As coisas não acontecem do dia para a noite. O trabalho de casting funciona melhor com as agências. Depois é estudar e ser bom no que fazemos. Só atingimos os nossos objetivos quando corremos atrás deles.

Como é que se define?

Desde pequena, por ser a irmã mais velha, sempre fui muito adulta, independente e madura. Acabamos por ganhar aquela síndrome de autoritária e mandona. Fiz o meu primeiro filme aos 15 anos e tendo começado a trabalhar cedo ajudou muito a ter mais responsabilidade. Comecei a fazer dinheiro aos 15 anos e tinha de dizer aos meus amigos que não podia sair porque tinha de estudar os textos e acordar cedo no dia seguinte para ir trabalhar. Começar a trabalhar cedo fez-me crescer muito rápido.

Quando publica fotos mais ousadas, recebe muitos comentários masculinos nas redes sociais?

Recebo, mas por acaso até mais de mulheres a darem os parabéns e a dizer que gostam das fotografias.

É considerada um sex-symbol. Identifica-se com o rótulo?

Se isso for para ajudar as pessoas a sentirem-se bem com elas próprias, mais confiantes, ainda bem. Tento muito falar sobre esses assuntos. Tenho complexos com o meu corpo também e é normal os outros terem. O que para nós é mais, para outros é menos. Não é o nosso corpo que está mal e tento transmitir que não faz mal gostarmos de nós próprias como somos.

Mas transmite a imagem de uma mulher confiante…

Sim, e sempre fui uma pessoa relativamente confiante, mas só mostro um bocadinho daquilo que eu sou. É giro sermos todos diferentes.

O slogan da novela é: “O amor move montanhas”. Acredita nisso?

Acredito que o amor vai ter de mover montanhas. O público vai ter uma novela com grandes reviravoltas. O que define esta novela é o inesperado. Há muita emoção e verdade.

O que a atrai no sexo oposto?

Gosto de boas pessoas, confiantes, inteligentes, decididas e divertidas, e tudo o resto é um bónus. Quero ter pessoas à minha volta que me acrescentam. Se é para termos pessoas ao lado que nos puxam para baixo, não vale a pena.

Mas já encontrou essa pessoa e assumiu recentemente uma relação. É uma mulher apaixonada?

Sim, tenho namorado, mas não costumo falar da minha vida pessoal. Posso apenas dizer que estou muito feliz e apaixonada.

Casar e ser mãe é um dos seus objetivos?

Sempre foi. Quero muito casar-me e ser mãe.

 

Texto: Neuza Silva (neuza.silva@impala.pt); Fotos: Helena Morais e Divulgação SIC

 

(entrevista originalmente publicada na edição nº 1770 da TV 7 Dias)

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