Entrevista a Nuno Eiró e Sara Sousa Pinto: “Ou vai correr muito bem ou muito mal”

Cristina Ferreira juntou Nuno Eiró e Sara Sousa Pinto e eles dizem que foi amor à primeira vista. Os dois contam como vão ser as novas manhãs da TVI, em “Esta Manhã”, das sete até ao “Dois às 10”.

31 Jan 2021 | 7:55
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TV 7 Dias – Arrancar com um programa novo em pleno confinamento é um desafio suplementar?

Nuno Eiró – Absolutamente, até porque os conteúdos têm sempre de ser adaptados. Há um vasto conteúdo de reportagem de entretenimento, que não pode ser feito agora. O nosso principal desafio, se já era um desafio começar um formato que ainda não foi trabalhado em Portugal, agora torna-se um desafio suplementar.

Sara Sousa Pinto – Não é só a parte da reportagem, é também a nossa presença dentro do estúdio. Nós não queremos pôr-nos em perigo nem passar a mensagem errada às pessoas a quem estamos a pedir para ficarem fechadas em casa e afastarem-se dos seus contactos sociais e depois nós estamos a juntar toda a gente e a fazer uma festa. É um desafio acrescido e também não queremos estar a começar as coisas sem fazer como tínhamos pensado e depois dizermos às pessoas “ainda não é isto, esperem um bocadinho que já vão ver quando o confinamento acabar”. Veio aqui dificultar muito o nosso trabalho.

Falem-me de vocês os dois, já se conheciam?

S.S.P – Não nos conhecíamos, mas, pelo tempo que temos passado juntos, temos o mesmo sentido de humor e o mesmo sarcasmo, portanto, ou isto vai correr muito bem ou vai correr muito mal.

N.E. – Nós conhecemo-nos em novembro. Foi muito engraçado, porque há aquele primeiro momento de reunião, onde não há grande hipótese de cruzarmos, mas depois passámos o resto do dia e percebemos que isto só pode correr bem.

O Nuno vem do entretenimento e a Sara da informação. Como vão dividir as coisas?

N.E. – O desafio deste formato é precisamente esse. Nem a Sara vai fazer informação nem eu vou fazer só entretenimento. O conceito é de infotainment. Os assuntos vão continuar a existir, sejam eles de informação e atualidade ou entretenimento puro e duro, mas vão ser tratados por nós.

S.S.P. – Só no dia-a-dia, e depois no programa, é que vamos perceber o que é que cada um na prática vai fazer, porque a linha é muito ténue.

N.E. – Repara, aquilo que estamos a fazer é um teste. É a primeira entrevista que damos juntos, na realidade, e ninguém se pisa. Isso para mim é um belíssimo indicador, sentir os tempos da outra pessoa. Teremos o Pedro Carvalhas no hardnews e nós teremos um vasto leque de assuntos para tratar.

A Cristina Ferreira diz que este programa “terá um ânimo que este horário não tinha”. Ela refere-se a vocês ou ao conteúdo?

S.S.P – É um bocadinho das duas coisas. Ela já nos conhece, mais o Nuno, até por aquilo que já fizeram, mas pelas características e pela personalidade dos dois pode ter a ver connosco, mas também pela forma como tratamos os assuntos, porque este formato dá-nos a possibilidade de tratarmos a notícia pura e dura de uma forma mais soft, mais conversada, e isso dá-nos uma margem para ter um outro ânimo.

N.E. – Existem entrevistas e conversas e a forma de a abordar não é tão rigorosa como quando é tratado no jornalismo puro e duro. Há espaço para isso. E quando falas do que a Cristina dizia, tem muito a ver com a energia que se precisa de manhã. Hoje em dia, e neste horário, o que se quer em televisão é que seja a rádio do século XXI. Nós somos um café cheio de cafeína, quer na dinâmica em dupla, quer na dinâmica da equipa.

S.S.P. – E o horário pede isso, temos de acordar as pessoas.

Sara, quando soube que ia passar para este novo registo, como encarou o desafio?

S.S.P – Eu soube do desafio na nova grelha. Não fazia ideia. Aquilo foi também uma dupla surpresa para mim.

Quando o Nuno Eiró apareceu lá?

S.S.P – Ele não apareceu lá, não era ele (risos). Aquilo foi uma dupla surpresa. Pediram-me para eu ir lá, porque tinham um desafio para mim, mas eu estava longe de imaginar que seria algo deste género. Não soube que era o Eiró nesse dia, foi mais tarde. Mas… eu não tirei jornalismo, não estou muito presa a uma determinada área para fugir da minha rotinha…

N.E. – A Sara tem outra característica, para além deste joie de vivre. Está fresca, sem vícios, e a construção torna-se mais fácil.

Nuno, nos últimos anos, foi um bocado emigrante e regressou. Na altura disse-nos que o mercado da televisão estava cristalizado. Neste último ano, os cristais partiram todos?

N.E. – Completamente. Repara. Podemos saltar para os dez, 15 anos, talvez mais, que era tudo igual. Mesmo que alguém mudasse de um sítio para o outro, as caras eram as mesmas, o trabalho que as pessoas iam fazer era parecido. Era absolutamente sufocante. Voltar à TVI, quatro anos depois de uma outra experiência, foi absolutamente essencial para fazer aquilo que nós vamos fazer. Já era um desejo meu e eu consumo este tipo de formato a nível pessoal. Darem-me a oportunidade de fazer isto mostra que a casa está diferente.

Como é que se trata, em infotainment, um assunto como a COVID-19, de uma forma mais descontraída?

S.S.P – Devemos levar os assuntos a sério, mas a nós não tão a sério. Às vezes, esse é o principal erro do jornalismo. E sobretudo se nós não percebermos o que estamos a dizer, lá em casa ninguém vai perceber. E isso vai ser fundamental neste formato, que ao ser mais conversado é forçosamente mais descomplicado.

N.E. – Dou-te um exemplo, tiramos a COVID e metemos a economia. Eu às vezes não percebo as peças de economia e este é um dos desafios. Vamos falar de economia? Vamos. Vamos desembrulhar a coisa. Vamos trocar isto por miúdos. Esta é também a função do infotainment: continuamos a abordar os temas sérios com seriedade, mas com esta leveza de o texto não ser encriptado.

O que difere o vosso formato do que passa na SIC nesse horário?

N.E. – Não vamos ter obrigatoriamente um especialista sobre determinada área de saúde. Vamos ter se for relevante.

S.S.P. – Depende muito do dia-a-dia.

N.E. – A nossa ideia não é ir morder os calcanhares ao conteúdo do day time, que pega em muitos destes temas. Não queremos ir canibalizar o que vem a seguir. É a atualidade que dita. Só entra neste horário o que for relevante.

Se há um ano vos dissessem que estavam prestes a ser lançados neste formato, o que diriam?

S.P.P. – Eu não apresso muito as coisas e gosto de ir recebendo. Estas coisas acontecem quando têm de acontecer.

N.E. – Diria: “Ah, como assim? Que maravilha. Isso é um sonho”.

Nuno, há um ano sentia-se preparado para regressar?

N.E. – Sim, eu sentia-me preparado para fazer isto que vou fazer. Não que estivesse mal, porque fui muito bem tratado na casa onde estive. Gostei muito de fazer aquilo que fiz e se não fossem esses quatro anos, se calhar, isto não seria possível, mas se há um ano me dissessem que era isto que eu ia fazer eu dizia: “Vamos embora, vamos a isso”.

 

Texto: Luís Correia (luis.correia@impala.pt); Fotos: Divulgação e reprodução TVI

 

(entrevista originalmente publicada na edição nº 1767 da TV 7 Dias)

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