Entrevista com Cláudia Pascoal: Artista conta tudo sobre novo projeto à TV 7 Dias

De regresso às edições discográficas com !!, Cláudia Pascoal fala à TV 7 Dias sobre este trabalho que se reflete numa descoberta de si própria.

24 Jul 2023 | 9:30
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TV 7 Dias – De que se trata este segundo álbum?

Cláudia Pascoal – É a continuação do primeiro, daí o nome !!, enquanto que o primeiro foi intitulado de !, mas na verdade é um upgrade de mim mesma e um crescimento na área musical. Neste segundo álbum todas as composições são todas minhas, depois tive um trabalho muito intenso com o David Fonseca, tudo gravado por nós, e obviamente o David puxou muito por mim e sinto que houve uma grande evolução da minha parte ao longo da construção deste trabalho.

Como foi trabalhar com o David Fonseca?

Muito divertido. Considero-o, como me considero a mim, um grandessíssimo nerd, porque temos uma paciência já fora do saudável, de estar à procura de sons perfeitos, e acho que foi essa a nossa batalha durante muito tempo, de encontrar tudo o que era perfeito.

Como foi o processo criativo?

O Lugar, o single que lancei no inicio do mês de maio, já o escrevi há três anos, portanto, este álbum foi composto com muito tempo. Já tinha canções, outras fui escrevendo, mas sempre incrivelmente pessoais, daí a minha necessidade de lhe chamar !! porque continua a ser o meu BI e a forma de me apresentar como artista musical. Fui buscar memórias de criança, em Braga, e incluí algo muito pessoal como expressões ou frases típicas do norte.

Que tipo de expressões?

Temos o tringalha, que só existe no norte, guichinha e o refolha, são três das expressões, que pelo os meus amigos lisboetas não conheciam estas palavras. Tringalha é ténis, refolha é uma pessoa que não quer saber da sua imagem, guichinha é uma mulher arrebitada.

Neste álbum conta com a colaboração de Manuela Azevedo, no tema Precaução, e Onde Vais Amanhã com Amarante, entre outras.

Em relação ao Amarante, sempre quis ter uma colaboração com ele. O primeiro telefonema que fiz foi para o David Fonseca, para o convidar para produzir o CD, e o segundo telefonema foi para o Amarante, porque queria muito tê-lo no álbum e cresci com a voz dele e tem uma voz fora do normal. Quanto à Manuela Azevedo eu já tinha a canção feita e achei que a voz dela ficava excelente no tema.

No que toca à sonoridade, quais são as diferenças em relação ao primeiro CD?

Há uma exploração maior em termos de produção. No primeiro disco, apesar de já haver ritmos eletrónicos, aqui senti mesmo necessidade de encontrar sons que não se consegue quase identificar, e o David compreendeu e encontrámo-nos muito bem nesse mundo.

O que há da Cláudia neste trabalho?

De uma forma quase inconsciente vou buscar memórias de criança, e neste caso muito relacionadas com o Minho e as nossas tradições. Tem coisas muito específicas da minha casa dentro das canções. Até temos o Pastel de Chaves, uma canção que me diverti muito a fazer.

Além disso que novidades apresentas com este novo álbum?

Tenho um novo conceito de concerto, que sempre quis apresentar e nunca pude, que é altamente participativo com o público e onde todos os objetos presentes no palco correspondem a qualquer coisa na canção, é quase como uma peça de teatro. E estou muito feliz de concretizar.

Como defines este trabalho?

Defino como uma descoberta de mim própria mais segura e tranquila. Sinto-me verdadeiramente feliz porque sinto que encontrei as pessoas certas para trabalhar comigo e que estou a encontrar o meu lugar.

Texto: Telma Santos (telma.santos@impala.pt); Fotos: Divulgação
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