Estivemos nos bastidores do atribulado casamento de Kelly Baron e Pedro Guedes (FOTOS)

Por causa da COVID-19, Kelly Baron e Pedro Guedes tiveram de mudar o local da festa à última hora. Mas o manequim e o irmão deram a volta à situação e o casamento aconteceu em “O Noivo É Que Sabe”.

24 Dez 2020 | 7:35
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Quem já casou sabe o que custa organizar uma boda e quem ainda não o fez, provavelmente, já teve alguém próximo envolvido em tal tarefa. Agora imagine que cabe ao noivo tratar de tudo e ainda por cima ter de estar sincronizado com dezenas de profissionais de uma produtora de televisão. Foi isto que aconteceu a Pedro Guedes, de 41 anos, e Kelly Baron, de 35, sobretudo ao manequim, que organizou tudo sozinho e com a agravante de ter de mudar o local do casamento a três dias do casamento.

A TV 7 Dias esteve presente nos bastidores da cerimónia deste casal famoso, em “O Noivo É que Sabe”, da SIC, e mais do que aquilo que viu na televisão, revelamos-lhe o que esteve por detrás do enlace deste par, que se conheceu em 2013, na TVI – quando ambos participaram em “Big Brother VIP” –, e que sete anos depois subiu ao altar, também na televisão, mas desta vez na SIC.

“Nós o ano passado estávamos em São João da Pesqueira e há lá uma lenda que se tu deres um nó, numa giesta, enquanto caminhas, só com uma mão, te casas passado um ano. E a Kelly conseguiu. Eu até pensei que ela não tinha conseguido, mas depois fui ver e ela tinha feito aquilo só com uma mão”, conta-nos Pedro Guedes na manhã de 7 de novembro, o dia do casamento, enquanto se prepara para vestir o seu fato de noivo, acompanhado pelo irmão e padrinho, Ricardo Guedes, numa casa do centro do Porto.

 

“Sei lá se acertei em tudo com a Kelly”

 

São oito da manhã e à volta deles uma equipa de dois câmaras, dois técnicos de som e dois produtores acompanha o que os gémeos vão fazendo e dizendo, sem condicionar, tentando manter tudo dentro dos horários. O casamento pode ter nascido de uma lenda, mas realizá-lo, ainda que com uma máquina de produção por trás, não foi fácil.

“A dificuldade foi tanta para encontrar um lugar sem que houvesse problemas, teve tantas restrições, que tive um trabalho muito árduo para pensar em todas as situações”, explica o noivo, apanhado pela entrada em vigor, três dias antes, das restrições impostas pelo Governo, que limitavam os casamentos a 25 convidados às populações mais afetadas pela COVID-19, nas quais se incluía o Porto.

Resultado: “Nesse dia tivemos de mudar tudo para Coimbra, porque não estava na zona de restrições. Só isso foi lindo, mudar o esquema de gravações, que já tínhamos preparado. Fez andar tudo para trás, ter de procurar a quinta, a ver se gostava, se não gostava… Só vou dizer se correu bem amanhã”, diz-nos, a rir, sem transparecer qualquer tipo de nervosismo, mas admitindo que está ansioso para saber se está tudo bem feito, até por não ter controlado tudo.

 

O relógio? Estava onde devia estar…

 

“Eu sou apologista que se tu não sabes, arranja quem sabe. É assim que funciona uma equipa. Eu já nasci a dividir, porque eu sou gémeo. Cada um está na sua posição e confiamos uns nos outros. Eu às vezes perguntava à produção: ‘Então e agora?’ e eles respondiam: ‘O noivo é que sabe’”, brinca, rematando que não sabe se a noiva vai gostar de tudo: “Sei lá se acertei em tudo com a Kelly. Na Kelly eu sei que acertei, já está bom.”

Já com algum atraso próprio destas ocasiões, a produção acelera os manos Guedes, sobretudo Pedro, que acaba de revelar que não sabe onde meteu o relógio de bolso, ligando preocupado para a loja onde escolheu o fato. Mas o relógio estava onde devia estar… no bolso.

Despachado o noivo, seguimos para o local onde está a noiva, que pouco ou nada sabe do que está a ser preparado. São 10h30 e a advogada encontra-se no 14.º andar de um hotel da cidade de Vila Nova de Gaia, onde não tem a calma como companhia. Nem ela, nem os pais, nem a irmã. Só a equipa de produção se mantém tranquila, limitando-se a assistir e a registar o que se vai passando.

 

Sorriso amarelo… mas por pouco tempo

 

Perante a nossa presença inesperada, Kelly Baron pergunta se somos os fotógrafos do casamento, pois ainda não tinha visto ninguém para lhe tirar fotos com o vestido “de princesa” que Pedro Guedes lhe tinha encomendado a Micaela Oliveira, com véu e tudo, acertando em cheio no gosto da futura mulher.

Quando lhe dizemos que somos Imprensa convidada para o casamento dos dois, Kelly não esconde um sorriso amarelo, pois preferia dois profissionais de imagem de casamentos. Mas rapidamente sorri. A mãe, Jocelia Baron, anda de um lado para o outro, enquanto a irmã, Cybelly Baron, acaba de entrar na suíte, a lamentar ter partido o salto do sapato novo.

Entretanto, apesar do atraso, sobra tempo para falar com Kelly, mas eis que entra Luiz Baron, o pai da noiva, a perguntar se alguém tinha visto as chaves do carro, saindo de seguida, quase sem esperar resposta. De regresso para ao pé de nós, abana a cabeça. “Perdeu as chaves”, diz.

Este não foi o primeiro stress de Kelly Baron, que já antes teve de lidar com a logística de trazer a família do Brasil, de propósito para a cerimónia. “Tiveram de fazer o teste à COVID-19, tivemos de ter as autorizações para que eles conseguissem embarcar”, conta. A isto junta-se a saúde do pai, avessa a viagens em tempo de pandemia. “Ele é fator de risco, tem alguns problemas de saúde, e a minha mãe estava um pouco preocupada.”

 

“Sou convidada do meu casamento”, brinca Kelly Baron

 

Antes de sair, ficamos a saber a que se deve a agitação de Jocelia, segundo a noiva: “O meu pai, quando soube que era o Pedro que ia organizar o casamento, disse: ‘ok’. A minha mãe ficou superpreocupada e de cabelo em pé. Ela não deve ter dormido esta noite. Eu sou convidada do meu casamento. Até agora está tudo perfeito.”

Já passa muito do meio-dia quando a família Baron desce ao lobby do hotel para se preparar para viajar para o Convento de Sandelgas, na zona de Coimbra, onde tem à sua espera a equipa de produção, que se debate com dois problemas para registar em condições a saída da noiva.

Por um lado, a chuva que teima em não parar, por outro, o autocarro alugado pelo Clube de Futebol do Marítimo, que tapa a entrada do hotel quase por completo. Mas lá se conseguiu meter toda a gente dentro do carro rumo ao casamento, a 150 quilómetros dali, onde Kelly irá confirmar se o noivo soube organizar o casamento.

Não fossem os fios, cabos, câmaras, drone e quase tantos convidados como profissionais da produtora Shine Iberia, cerca de 50, e este poderia ter sido um casamento perfeitamente normal. Mas na quinta reina o aparato. Kelly Baron e Pedro Guedes casam-se uma primeira vez numa capela forrada com três mil rosas brancas, já passa das quatro da tarde, mas depois, ou não fosse isto uma produção de televisão, repetem a cerimónia mais duas vezes, com entrada e saída, para que tudo fique perfeito.

 

Pai de Kelly Baron “abismado” com casamento organizado pelo genro

 

No final, parece que Pedro acertou em mais qualquer coisa do que na noiva, como nos tinha dito horas antes. “Eu estava na dúvida entre ter um vestido mais princesa e um mais sereia e ele me colocou um que a parte de cima é princesa, que depois eu tiro a parte de cima e fico com um mais sereia. Eu confio muito no Pedro”, analisa Kelly.

A mãe está uma mulher nova, mais calma e surpreendida com o noivo. “Foi uma surpresa, sim. Eu não esperava assim um local. Foi tudo diferente desde o início”, diz ela, que chegou a ponderar não vir. “Ao princípio, quando ela disse que ia casar na TV, eu disse: ‘Ai, filha, seja feliz, porque eu não vou e eu não vou deixar ir o teu pai e irmão, porque temos receio’. Eu falei por mim e pelo meu marido. Quando o meu marido chegou em casa, eu contei-lhe e ele disse-me: ‘Pois eu vou, porque ela tem pai’. Aí eu liguei à Kelly e disse que o pai ia e ela ficou muito feliz”, resume.

Luiz Baron, já com a filha casada, rende-se ao noivo. “Fiquei abismado. Não sabia do que ele é capaz, imaginei que não ia sair muita coisa boa, mas maravilha. Está aprovado. Eu sou meio organizado. Se caísse para o meu lado ia organizar melhor do que a minha mulher”, assume.

 

Pai de Pedro Guedes confessa: “Houve ali uma zanguita”

 

À saída da capela, Ricardo Guedes é um homem orgulhoso, mas será que o casamento tinha acontecido sem a ajuda do padrinho? “Não tinha, mas tinha. Ia acontecer de qualquer maneira, mas o padrinho veio aqui abrilhantar a coisa, veio aqui ajudar, porque eu sei que o meu irmão é demasiado prático nas coisas. Mas, acima de tudo, ele confia nas pessoas e nas pessoas certas. A parte mais difícil foi deixar tudo na mão do noivo”, diz, a rir.

Os pais dos manos Guedes temeram pela capacidade de Pedro em lidar com a tarefa que lhe foi atribuída, mas reconhecem-se surpreendidos. “Não me conseguia imaginar a ter um noivo a organizar. Quando o Pedro e a Kelly nos comunicaram que foram convidados para ‘O Noivo É Que Sabe’, eu não estava a ver o Pedro organizar em tão pouco tempo. Eu acompanho o programa e via os noivos completamente stressados… e pensei que ele não ia conseguir e ter paciência para levar isto até ao fim”, diz-nos Ana Maria Guedes, rematando: “Ao fim destes anos todos, ainda tem a capacidade de me surpreender. Surpreendeu-me bastante e esteve muito bem.”

O pai, José Sousa, revela-se bastante surpreendido e não esperava que o filho tivesse esta capacidade. E enaltece o papel de Ricardo Guedes. “Esteve ali a dar apoio e às vezes houve ali uma zanguita. É normal, faz parte”, diz-nos. No final, não tem dúvidas: “O meu filho está de parabéns. Pela forma de ser dele, não esperava que ele tivesse esta coisa. Mas só para nós, houve umas coisinhas em que irritou o pai, mas já passou.”

 

Máscaras trocadas de duas em duas horas

 

Em tempos de pandemia, as preocupações da produção alargam-se para além das suas tarefas habituais. Até ao momento, apesar de lidarem com um programa de casamentos, a Shine Iberia não teve nenhum caso de COVID-19, além de Cláudia Vieira, que ficou contagiada extraprograma. Para tentar manter esses números, sucedem-se vários procedimentos. Um deles é trocar as máscaras de duas em duas horas a todos os profissionais e há ainda uma sala de contenção, que os acompanha em todas as gravações.

 

Texto: Luís Correia (luis.correia@impala.pt); Fotos: João Ribeiro e D.R.; Agradecimentos: SIC e Shine Iberia

 

(reportagem originalmente publicada na edição nº 1761 da TV 7 Dias)

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