“Estou a viver numa ditadura”: Mulher de Pedro Lima dá grito de revolta contra Governo

A mulher de Pedro Lima, Anna Westerlund, mostrou-se contra a decisão do Governo de requerer casas no eco-resort Zmar, de forma temporária, para situações relacionadas com a COVID-19.

30 Abr 2021 | 21:05
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A mulher de Pedro Lima está revoltada com a decisão do Governo de requerer, de forma temporária, casas no eco-resort Zmar, na Zambujeira do Mar, para situações de confinamento obrigatório devido à COVID-19 e de isolamento profilático. A decisão surge no seguimento da instauração das cercas sanitárias nas freguesias São Teotónio e Longueira-Almograve, no concelho de Odemira.

Nas redes sociais, Anna Westerlund lamentou e diz que sentar estar “a viver numa ditadura”. “Temos uma casa no Zmar Eco Resort e o Governo decidiu que temos de a disponibilizar para receber doentes covid de Odemira, a maior parte deles trabalhadores nas estufas locais. Diz o primeiro-ministro [António Costa] que eles têm direito a viver em condições dignas (obviamente, mas esse direito não começou ontem!)”, começa por escrever a ceramista, como legenda de uma imagem em que surge ao lado de Pedro Lima e que foi captada naquela unidade de alojamento.

“Pergunto eu, há quanto tempo é que eles não vivem em cima uns dos outros, enfiados em casas, sabe-se lá em que condições? Não é desde o tempo da COVID! E, agora, não são os empresários que os contratam que são responsáveis por eles? Não é o Governo que fecha os olhos à quantidade deles que devem estar ilegais que cuida deles? Sou eu que sou OBRIGADA a ceder a minha casa para os receber?”, pergunta.

Anna Westerlund recorda ainda a “situação financeira difícil” que o Zmar atravessa “já há muito tempo”. “Agora que um investidor tinha decidido a dar ao Zmar a dignidade que merece, acontece isto. Pergunto eu: se o investidor desistir, quem é que se vai preocupar com os 200 trabalhadores do Zmar que vão ficar sem trabalho? Se o Zmar fechar quem é que se vai preocupar com a dinamização turística importante que este empreendimento proporciona naquela região? Se o Zmar fechar quem é que se vai preocupar com os proprietários que ficam com casas na “terra de ninguém”? Gostava de saber o que é que o primeiro ministro vai requisitar nessa altura”, prossegue.

A terminar, a mulher de Pedro Lima – o ator morreu a 20 de junho do ano passado na Praia do Abano, em Cascais – lamenta que os “cidadãos comuns” que cumprem “com as nossas obrigações” percam “facilmente” os seus “direitos a favor de empresários que não tomam conta dos direitos dos seus trabalhadores”.

“Isto que está a acontecer com o Zmar e que parece uma simples requisição civil para resolver a COVID-19 naquela zona é o camuflar de uma descaracterização daquela região que se enche de estufas, da ganância económica que não pára para pensar nem olha a meios. Isto que está a acontecer no Zmar é MUITO GRAVE”, concluiu.

Anna Westerlund e Pedro Lima apaixonaram-se pelo eco-resort em 2014 e adquiriram uma casa de madeira no local.

 

Texto: Ana Filipe Silveira; Fotos: Arquivo Impala e reprodução redes sociais

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