“Fantochada”: Neta de Eunice Muñoz dispara contra Cristina Ferreira, Pedro Teixeira e TVI

Lídia Muñoz, neta de Eunice Muñoz, é mais uma voz de indignação por Cristina Ferreira ter contratado a filha de Maria Cerqueira Gomes para a próxima novela da TVI. Pedro Teixeira é outro alvo.

21 Fev 2021 | 18:00
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Lídia Muñoz, neta de Eunice Muñoz e também ela atriz, juntou-se à onda de indignação por Cristina Ferreira ter contratado a filha de Maria Cerqueira Gomes para a próxima novela da TVI. Francisca Cerqueira Gomes é modelo, soma milhares de seguidores nas redes sociais e não tem formação em representação, o que motivou duras críticas por parte de jovens atores que anseiam por trabalho.

“Não achem que este é um texto sério, já não são permitidos!”, introduz a neta da veterana atriz, para depois dar o seu ponto de vista. “Estudei para ser atriz. De todos os atores e profissionais que conheci, desde miúda, no Teatro Nacional e pelos teatros por onde passou a minha avó, notei-lhe a todos uma coisa em comum: a formação profissional e académica e o orgulho que tinham nisso. Foi assim que aprendi, com eles e com a minha avó Eunice”, frisa.

Lídia Muñoz usa da ironia para apontar o dedo à Diretora de Entretenimento e Ficção da TVI. Mas não só. “Mas, pelos vistos, estavam errados, e estiveram todos, desde ali até Almeida Garrett, que deveria ter sido saneado e substituído pela Cristina Ferreira para que fundasse não o conservatório para as artes dramáticas mas o INCQBA55MS (instituto nacional cheira-me que é boa para as audiências porque tem 55 mil seguidores), cujo subdiretor ter sido o Pedro Teixeira, que defenderia a política ‘não tens curso, não estudaste, cheira-me que és muito bom, anda lá que bates bem’, como diria esse grande poeta e dramaturgo Cristiano Ronaldo (cujo mérito é inegável), porque na verdade Gil Vicente é nome de clube e até faz hat-tricks ao serviço da Juventus”, atira.

 

Coro de críticas de jovens atores também atinge Pedro Teixeira

 

A referência a Pedro Teixeira surge por causa das declarações que este teceu, este sábado, ao lado de Cristina Ferreira e Maria Cerqueira Gomes, na emissão comemorativa dos 28 anos da TVI. O ator reforçou que também ele não tinha formação profissional quando se estreou na série “Morangos com Açúcar” mas a forma como o fez está a merecer várias críticas de jovens colegas de profissão.

“Têm aparecido tantos novos talentos na televisão. Espero que a filha da Maria seja mais uma. Comecei em ‘Morangos com Açúcar’ com zero formação. Comecei com aqueles ensaios… Mas eu jogava à bola. Sofia [Ribeiro], tinhas formação? Não tinhas. É má atriz? Não”, começou por dizer Pedro Teixeira.

“Há vários atores que começaram sem formação nenhuma e não é só nos ‘Morangos’. Ainda há pouco tivemos a Kelly Bailey, por exemplo. A experiência traz-se com isso. Trabalhas com os melhores profissionais”, continuou Pedro Teixeira.

Cristina Ferreira aproveitou também para justificar a sua aposta na filha de Maria Cerqueira Gomes. “Há pessoas que estudaram e não são boas e há pessoas que não estudaram e são extraordinárias”, explicou a responsável da TVI. “Há pessoas que se fartaram de estudar e não tiveram [oportunidades] e vice-versa”, concluiu o ator.

 

“Bonecos de plástico que mais parecem manequins da loja dos trezentos”

 

A neta de Eunice Muñoz não se ficou por aqui. Depois de “um momento de neurodepressão degenerativa causada pelo serão da TVI”, a jovem atriz continua com críticas dirigidas à estação de Queluz de Baixo.

“Enfim, como hoje ouvi nessa grande festa do aniversário do último bastião da grande representação portuguesa e da ficção nacional que é a TVI, e dos castings também, quando esta merd* acabar, vou para um destino de sonho e pode ser que encontre uma dessas grandes atrizes, ou melhor atrozes, da ficção nacional para me dar umas aulas de performance ou mesmo estética teatral“, satiriza.

E lança outras farpas: “ou então faço só uma publicidade a uma marca de shampoo seco de laranjas da Califórnia com propriedades místicas, como as tostas, e, pronto, sou atriz para a vida toda, como naquela música da [Carolina] Deslandes, que mesmo assim é a única que tem qualidade no meio deste disparate todo e que, aliás, não foi à festa porque, se calhar, até estava a ver a SIC, que, apesar de tudo, tem algum juízo e emprega atores de verdade”. Isto, acrescenta, “ao invés desses bonecos de plástico que mais parecem manequins da loja dos trezentos vestidos com umas bujigangas quaisquer como a telenovela nos tem habituado!”

 

Lídia Muñoz, neta de Eunice Muñoz: “A TVI tornou-se numa fantochada”

 

Lídia Muñoz prossegue com uma nova alfinetada: “Até lá, podemos entreter-nos com a fantochada em que a TVI se tornou, ou então fazemos como a ministra e vamos tomar um drink de fim de tarde.”

Uma clara alusão às declarações da responsável pela tutela da Cultura, em julho do ano passado, à margem da apresentação das 65 obras de arte contemporânea para a coleção do Estado. No jardim do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, Graça Fonseca foi confrontada por um jornalista da SIC sobre uma iniciativa de ajuda alimentar aos artistas promovida pela União Audiovisual, e respondeu da seguinte forma: “Só falo de arte contemporânea. Portanto… Muito obrigada e vamos beber o drink de fim de tarde.” As críticas à ministra da Cultura na gestão da crise pandémica na sua área persistem até hoje.

Num discurso pautado pela ironia, a neta da decana atriz remata o seu manifesto com a assinatura “L. Muñoz”. E justifica: “já que o nome vale tudo, estou a fazer-me ao casting”. “Gostaram?”, questiona, acrescentando vários emojis de palmas. Num outro InstaStory, escreve apenas: “Alegadamente”.

 

Texto: Dúlio Silva; Fotos: Arquivo Impala e reprodução redes sociais

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