Felipa Garnel sem rodeios: «Há claramente decisões a tomar na TVI»

A nova Diretora de Programas da TVI assume que o canal vive um período de crise e que, por isso, «precisa de uma estratégia séria e de foco». «Preparadíssima», Felipa Garnel promete inovação.

21 Jul 2019 | 0:39
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«Não estou aqui para falar do passado. Estou aqui para falar do presente e do futuro.» Foi assim, «cheia de força e fé» no futuro que se avizinha, que Felipa Garnel falou com os jornalistas na passadeira vermelha da Festa de Verão da TVI, este sábado, dia 20 de julho, naquela que foi a sua primeira aparição desde que foi indigitada pelo grupo Media Capital Diretora de Programas do canal de Queluz de Baixo.

Sem querer opinar acerca da herança que obtém do seu antecessor, Bruno Santos, a nova gestora da programação da TVI não esconde que a estação vive um período de crise, depois de ter perdido para a rival SIC a liderança das audiências, um título que detinha há 14 anos consecutivos.

 

«A TVI precisa de uma estratégia séria»

 

Sobre as mudanças que estarão a ser equacionadas, Felipa Garnel atira: «Não vos vou dizer já o que vou fazer, porque acabei de chegar. Tenho de ouvir toda a gente… Gosto de ouvir todas as pessoas, não trabalho sozinha. Mas há claramente decisões a tomar. A TVI não pode estar em segundo lugar. O segundo lugar não é o lugar da TVI.»

«Portanto, farei tudo o que estiver ao meu alcance para levar a TVI» ao topo da tabela dos canais mais vistos, prossegue Felipa Garnel, que se diz «preparadíssima» para a batalha das audiências. «A TVI precisa de uma estratégia séria e precisa de foco. Acho muito importante o foco. Estou preparada. Sou combativa, gosto de desafios», garante.

Ciente de que «as mudanças não se fazem de um dia para o outro», a nova Diretora de Programas do canal da Media Capital recorda que herda uma grelha que precisa «de ver e analisar», com «compromissos» que precisam de ser cumpridos. «Achar que, para o mês que vem, vai haver uma TVI nova… Não vai!», dispara. Sentenças radicais, como as de terminar abruptamente programas, estão, por isso, colocadas de parte: «Gosto de entrar, conhecer e ver. Depois, então, tomo as minhas decisões.»

 

«Tem de se inovar, tem de se surpreender»

 

Questionada pelos jornalistas sobre os motivos que levaram, em tão poucos meses, a TVI a perder em toda a linha para o canal rival, Felipa Garnel esclarece que «a televisão é feita de ciclos» e que também ela viveu uma fase idêntica na agora estação de Paço d’Arcos.

«Já vivi isto na SIC. Fui fundadora da SIC. A SIC ganhou durante muitos anos e, depois, perdeu quando a TVI comprou [os direitos de produção do reality show] Big Brother. São fenómenos naturais, que não são só portugueses. Acontecem no mundo inteiro. Tem de se reagir, tem de se fazer um contraciclo, tem de se inovar, tem de se surpreender», indica.

O combate prevê-se renhido entre Felipa Garnel e Daniel Oliveira, o Diretor-Geral de Entretenimento do grupo Impresa, que detém a SIC. Mais do que temível, o gestor da antena de Paço d’Arcos «é um adversário que respeito imenso. Conheço-o bem, fomos colegas na SIC. Respeito-o muito», refere.

 

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Texto: Dúlio Silva e Raquel Costa | Fotografias: Tito Calado e arquivo Impala

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