Filomena Cautela fala sobre a morte da mãe, as relações e os dramas da fama

Filomena Cautela abre o coração e fala sobre relações, dos complexos e da auto-confiança que perdeu com a exposição mediática, e da morte da mãe.

15 Fev 2020 | 20:05
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Filomena Cautela esteve no Alta Definição, na SIC, este sábado, dia 15 de fevereiro e, em conversa com Daniel Oliveira, abriu o coração e falou sobre o seu percurso profissional, nomeadamente sobre a paixão que tem pela apresentação, mas também sobre muitos assuntos do foro mais íntimo.

Numa conversa franca, marcada pelo seu icónico sentido de humor, a apresentadora do programa 5 para a Meia Noite, da RTP, falou sobre os complexos da adolescência, a doença da mãe e, ainda sobre relações amorosas.

A conversa começa com Filomena Cautela a dizer que gosta de viver «um dia de cada vez» e que as pessoa tendem a vê-la como «rebelde e irreverente» mas que não se sente dessa forma.

«Sou um bocadinho teimosa. Dizem sempre que eu sou irreverente e rebelde, mas isso se calhar é porque digo mais coisas do que as pessoas estão habituadas. Essa transgressão para mim foi normal. Nunca me senti irreverente ou rebelde. É a minha forma de ser e de estar», diz a apresentadora. «O que me interessa é eu ser feliz e as pessoas que estão perto de mim serem felizes», frisa.

Filomena Cautela assume a sua paixão pela apresentação e considera a televisão uma verdadeira «caixinha mágica» que tem a capacidade de surpreender as pessoas, a qualquer momento. «O que a ‘caixinha tem de mágico é que pode surpreender as pessoas a qualquer momento. [A TV] é um refúgio. As pessoas são felizes a olhar para a TV. Estamos todos a trabalhar para o mesmo, para as pessoas poderem esquecer a conta da luz e estarem ali a curtir connosco», refere.

 

Os complexos da adolescência: «Tinha vergonha dos mamões que tinha»

Filomena Cautela recorda a ‘conturbada’ fase da adolescência, nomeadamente os complexos que viveu com o corpo e com os amores não correspondidos.

«Havia os ‘betos’, os ‘freaks’, e eu não tinha uma forma especial de me vestir, dava-me com todos e depois não me dava com ninguém. Acho que era a menos sexy da humanidade», diz, assumindo que tinha complexos com o corpo.

«As minhas maminhas cresceram muito cedo, mas o resto não, eu não tinha ancas. Eu tinha muita vergonha dos mamões que tinha. Escondia. As minhas amigas usavam decotes, mas eu tinha vergonha», recorda a apresentadora, confessando qeu teve um amor não correspondido. «Mas não fiquei traumatizada com isso», garantiu.

Sobre a infância, a apresentadora recorda que «mamou» muito pouco. «Mamei muito pouco na boca. Se calhar, por isso é que hoje em dia, mamo mais», diz com o seu característico sentido de humor.

 

«A exposição tirou-me ainda mais a auto-confiança»

Atualmente, Filomena Cautela é uma das apresentadoras mais mediáticas da televisão portuguesa e revela o impacto negativo desta exposição. «A exposição tirou-me ainda mais a autoconfiança. Agora, é mais difícil eu interessar-me por alguém. Não abro a porta», confessa. «Tenho mais pessoas a abordar-me. Já recebi fotografias de órgãos genitais. Não façam isso. É muito desagradável. Não é fixe, mesmo», revela ainda.

A paixão pela televisão começou bem cedo mas sempre achou que o seu futuro iria ser a representação e não a apresentação. «Quando comecei a apresentar televisão, sempre pensei que ia ser atriz, mas depois desiludi-me. Comecei a apresentar e para mim foi revelador. Isto é muito terapêutico para mim», explica a apresentadora.

Os pais não queriam que fosse atriz. «Era péssimo, não se ganhava bem. E depois quando comecei a ganhar algum dinheiro, começaram a pensar de outra forma. Mas depois houve aquela vaga das ‘boazonas’, e aí eles começaram a questionar se era mesmo isto que eu queria… E depois havia a promiscuidade e o assédio deste meio… Disse-lhes que eles tinham de confiar em mim. Eles confiaram que eu seria ‘imune’ a isto tudo», recorda.

 

«Eu achava que não tinha talento nenhum, que era uma fraude»

Filomena Cautela recordou ainda um dos momentos mais difíceis que viveu a nível profissional. «Tive um momento de falta de trabalho. Era tudo escuro. Eu achava que não tinha talento nenhum, que era uma ‘fraude’. Havia pessoas que eu sabia que eram más e estavam a trabalhar. Eu era uma fraude e tinha de arranjar outra carreira», revelou, recordando o apoio que teve dos pais, nesta fase mais difícil.

«Tive uns pais que me receberam de braços abertos. Fez-me muito bem, porque deu-me uma ‘chapadona’ de humildade que falta a muitas pessoas que têm muito sucesso», contou.

Hoje, recorda como este período foi importante. «Na altura, eu não tinha o discernimento para perceber que ia aprender ‘bué’. Só saí da ‘lama’ quando fiquei farta de lá estar. Levantei-me e depois fui vivendo. A vida vai-nos dando os sinais todos. Se tiveres a serenidade para os ver. A meditação trouxe-me serenidade e a calma suficiente para perceber que isto é um ‘jogo’ fácil de jogar. Não é a televisão, é a vida», afirmou.

Segura de si, Filomena Cautela não teme o futuro. «Amanhã isto pode desaparecer tudo, mas isso não me incomoda nada. Vou para o Meco plantar couves e fazer retiros de ioga», diz, entre risos.

O medo da doença que matou a mãe: «É a pior ‘coisa do mundo’»

Filomena Cautela assumiu que tem medo do cancro, doença da qual padeceu a mãe, que acabaria por morrer em 2016 «Conheço muitas pessoas que já tiveram. A minha mãe sucumbiu a essa doença, e essa doença é a ‘pior coisa do mundo’. Acho que já tem cura, não é comercializável e isso deixa-me fora de mim. É uma epidemia e a forma como se lida com ela não está certa. A quimioterapia é muito complexa. As pessoas que sobrevivem passam a vida inteira com medo que ela volte. Não há nada de bom ali, naquela doença», partilhou.

Lidar com a doença da mãe foi uma aprendizagem e uma lição de vida.«Eu tive várias fases. Acontecer uma tragédia real é transformador para sempre, mas aprendes uma lição. Deu-me uma liberdade grande. Já não tenho medo de nada, só disso. Tudo o que me acontecer, é indiferente. É uma lição que tu vais aprendendo com ela. Vais vivendo a tua vida de forma normal, mas com a consciência de que não há nada pior que me possa acontecer», revelou.

«Nunca assumi uma relação na vida. Tenho um problema»

Filomena Cautela falou ainda de relações amorosas. «Nunca assumi uma relação na vida, nunca falei sobre a minha vida pessoal. Tenho um problema grave com o partilhar a minha vida. Quando eu tiver de o fazer, é porque não tenho nada mais interessante para fazer. Quando isso acontecer, é porque há qualquer coisa que me falta», explica a apresentadora.

«O que em mim cativa os outros – tenho uma fome de viver grande. Adoro partilhar cenas fixes. Adoro levar pessoas a uma exposição, a uma peça de teatro, uma viagem. Adoro partilhar coisas que adoro que a outra pessoa fique encantada», revelou.

Filomena Cautela revelou ainda uma das pessoas «mais impressionantes» que conheceu, enquanto apresentadora, a Luísa Cruz. «É fascinante quando tens grandes génios que têm a humildade de entrar no 5 para a meia noite e dizer que se vão divertir com aquilo. Às vezes tenho ‘badamecos’ que vão para ali com uma pompa, que querem mostrar que o programa é pequeno para eles. Todos os génios que este país tem e que eu entrevistei têm a mesma humildade que a Luísa Cruz teve», rematou.

Texto: Sofia Santos Cardoso | Fotos: Arquivo Impala e Reprodução de Redes Sociais

 

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