“Foi feio”: Dalila Carmo quebra o silêncio e diz que TVI “não foi correta” com ela

Dalila Carmo perdeu o contrato de exclusividade com a TVI e, agora, afirma que “a coisa não foi bonita” na hora do adeus ao canal. “Houve realmente um elo afetivo que se partiu”, diz a atriz.

22 Fev 2021 | 21:00
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Dalila Carmo, de 46 anos, falou pela primeira vez da sua surpreendente saída da TVI. Em entrevista, a atriz confirma que perdeu o contrato de exclusividade que a unia à estação de Queluz de Baixo desde 2015 e critica a forma como o processo foi gerido. “A coisa não foi bonita”, diz.

“A insegurança e a incerteza, sinto-as sempre, com ou sem contrato. É óbvio que não termos uma retaguarda financeira também nos retira liberdades porque nós confiamos mais no destino quando essa retaguarda financeira existe”, começa por referir, quando questionada sobre o que sente em relação ao futuro, agora que deixa de estar vinculada à TVI.

“Por outro lado”, continua, “também nos dá uma obrigatoriedade de corresponder a determinadas expectativas e essa obrigação retira-nos liberdade criativa e liberdade pessoal também”. “Eu tentei fazer do problema uma oportunidade. E realmente eu tenho muitas coisas para contar e tenho projetos meus que estão há anos a ser marinados e nunca saem deste banho-maria. Eu aproveitei para começar a traçar objetivos, a por pedra a pedra e estou também a trabalhar noutras coisas porque tenho essa disponibilidade. São projetos nos quais eu estou não só como atriz mas onde eu estou a trabalhar de raiz, projetos e ideias minhas onde eu tenho oportunidade de fazer coisas em parceria e em colaboração onde não estou única e exclusivamente reduzida – não no mau sentido – a ser atriz”, prossegue.

 

Dalila Carmo: “A TVI não foi correta comigo e eu acho que não merecia”:

 

Ao Sol, Dalila Carmo defende ainda que conseguiu “fazer desta situação” – o fim do contrato de exclusividade com a TVI, leia-se – “uma oportunidade em vez de um problema”. Ainda assim, não esconde a tristeza pela forma como tudo se desenrolou. “Não quer dizer que eu tenha ficado feliz pela situação, mas foi mais pela forma como ela aconteceu do que pela situação em si. Houve realmente um elo afetivo que se partiu, porque aquele canal não foi correto comigo e eu acho que não merecia”, atira.

“Para todos os efeitos, estive 21 anos lá e nós gostamos de ser acarinhados, gostamos que reconheçam o nosso trabalho, gostamos de acreditar que precisam e que gostam de nós. Quando o elo afetivo se perde, isso sim é irrecuperável”, diz mesmo, sublinhando que não se refere à parte financeira: “O dinheiro, se não conseguimos de uma maneira, tentamos de outra. Se não ganhamos mais, ganhamos menos, se não posso viajar para o Japão vou para um sítio mais económico. Nós arranjamos alternativas.”

“Para mim, o mais grave dessa situação foi eu ter estado 21 anos ligada a um lugar – de onde saí durante quatro anos porque foi a altura em que vivi em Madrid e nessa altura foi uma coisa discutida e foi um afastamento saudável – e ter sentido que foi feio, tal como foi feio com outras pessoas antes de mim. Eu tenho ficado calada porque para já, não vale a pena lavar roupa suja em público apesar de eu agora estar a dar alguns sinais de que a coisa não foi bonita e é um assunto que tem de morrer”, afirma.

 

Dalila Carmo: “Para mim, quando acaba a comunicação, acaba tudo”

 

Dalila Carmo admite que “já era” sua “intenção” fazer “antes” o que faz agora: estar nos projetos em que quer estar e com as pessoas com quem quer trabalhar. “Isso tudo foi acordado. Mas depois estourou a COVID-19 e acabou a comunicação e, para mim, quando acaba a comunicação, acaba tudo”, aponta. E acrescenta: “O maior conforto que eu tenho é que eu sou extremamente leal, eticamente não têm nada a dizer, não fui em momento algum desleal e agora estou muito grata por toda a liberdade que estou a ter e por todas as possibilidades que tenho no futuro.”

“Outra coisa muito importante é que eu não estou num leilão. O meu objetivo como atriz não é ver quem dá mais por mim, é decidir em função dos projetos. Eu não quero ser leiloada, quero ter a oportunidade, a liberdade e o espaço de decidir, em diálogo com um interlocutor, aquilo que quero fazer. Agora terão que me namorar um bocadinho porque acho que mereço o respeito das pessoas que, na altura, não o tiveram”, remata.

Nos últimos cinco anos de exclusividade, Dalila Carmo protagonizou as novelas “A Impostora”, “Valor da Vida” e “Na Corda Bamba”, além da minissérie “Jacinta”. Recentemente, gravou a série “Pecado”, ao lado de nomes como Diogo InfantePedro LamaresLourenço Ortigão e Daniela Melchior. Ainda não é conhecida a data de estreia desta produção.

 

Diretor-Geral da TVI não olha para a questão como um adeus

 

No final do ano passado, em declarações à TV 7 Dias, o Diretor-Geral da TVI, Nuno Santos, não quis responder diretamente de quem partiu o fim deste casamento profissional. “A Dalila Carmo é uma atriz que tem trabalhado connosco ao longo dos últimos anos. Admitimos contar com ela em próximos projetos. É uma pessoa que tem trabalhado connosco ao longo dos últimos 15, 20 anos”, disse o responsável.

Confrontado com o facto de ter fugido à nossa questão, Nuno Santos complementou: “Disse o que entendi dizer. Hoje, há cada vez um menor número de atores com contratos de exclusividades com os canais. É uma tendência do mercado em Portugal.”

 

Texto: Dúlio Silva; Fotos: Arquivo Impala e reprodução redes sociais

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