“Foi muito duro”: Diogo Morgado assume “muita tensão” no arranque da nova novela da TVI

Diogo Morgado está dedicado ao seu novo protagonista, na novela “Para Sempre”, na TVI. O ator não esconde que sofre psicologicamente com a realidade atual: “Mentalmente, a pandemia impactou-me.”

13 Set 2021 | 9:02
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Diogo Morgado está de volta às novelas da TVI, dois anos depois de ter integrado o elenco de “A Teia”. O ator regressa à ficção nacional na novela “Para Sempre”, na pele do protagonista, Pedro Valente, um homem enigmático e cheio de mistérios.

Feliz com este regresso, Diogo Morgado revela: “O Pedro é um tipo cheio de conflitos que foi abandonado pela mãe e não sabe porquê. Cresce a achar que a mãe não tinha condições para o ter, depois aos 40 e tal anos descobre por um telefonema anónimo que isso não é verdade e chega então ao conhecimento que a mãe é uma das pessoas mais ricas do Norte. A partir daí não consegue seguir a vida dele. Nesta fase acabamos por descobrir também que o Pedro não é o tipo mais correto do mundo, cresceu em instituições, foi sobrevivendo com negócios esquisitos e tornou-se num sobrevivente. É um tipo com posses e não se percebe como é que adquiriu essa riqueza.”

Na trama, vai viver uma intensa história de amor com Clara, personagem de Inês Castel-Branco. Contudo, esta relação não será fácil, pois ela é noiva do seu irmão, Lourenço (Pedro Sousa). “Ele está num sítio tão negro que ela é a sua boia de salvação. Quando eles se conhecem, ele é um rufia. Depois, ela torna-se na única coisa boa que ele teve desde que foi abandonado.”

 

“O início do projeto foi muito duro, com muita tensão”

 

“Para Sempre” é a primeira novela que Diogo Morgado grava desde que começou a pandemia e o ator assume que esta realidade interfere com a construção da personagem. “Por sorte ou azar, muito do que estamos a passar devido à pandemia está a ser usado nesta personagem. Ele é fruto deste isolamento e desta revolta com o mundo, este sem sentido que estamos todos a viver de não saber o dia de amanhã. Ele começa um bocado desnorteado e quer andar para a frente, mas não consegue. Há paralelismos que são facilmente usáveis do que estamos a viver e os espectadores vão-se rever.”

No entanto, Diogo Morgado não esconde as dificuldades de trabalhar com as restrições por causa da COVID-19. “Gravar nestes tempos é o mais difícil. O início do projeto foi muito duro, com muita tensão. Ninguém estava preparado mentalmente nem emocionalmente. Cada um articula da forma que acha melhor. Eu tive muita dificuldade em começar o projeto com a força com que gosto, mas usei isso para a personagem, nomeadamente a fragilidade que senti a nível pessoal. Nesse aspeto será um projeto único na minha vida”, conta.

E acrescenta: “O problema não são as máscaras, os testes, é algo subliminar. Há algo aqui atrás que não está bem, uma espécie de sombra, não está certo. É aquele sentimento que faz com que os animais levantem voo antes de um tremor de terra. Pode ser medo, ansiedade, insegurança, o que lhe quisermos chamar. A pandemia até altera a forma como acordo de manhã. Não finjo que está tudo bem e não ignoro o elefante na sala, mas repenso as coisas.”

 

Diogo Morgado: “Quem é ator é maluco”

 

Para o protagonista, a pandemia fez também com que o público encarasse a ficção de outra forma. “As pessoas para quem estou a trabalhar são espectadores diferentes depois da pandemia. Se houve algo positivo foi a melhor utilização do nosso tempo. Do lado prático, a pandemia não mudou nada na minha vida, mas, mentalmente, a pandemia impactou-me e não gosto de esconder isso. Há pessoas que dizem que está tudo bem, mas o índice de depressão e a ansiedade nunca foram tão grandes no mundo inteiro, e podem não se manifestar já, mas vão-se manifestar.”

E partilha as suas preocupações como pai. “O meu filho de 11 anos viu interrompido o seu ciclo de crescimento, algum impacto terá. Não sou pessimista, mas não quero varrer as coisas para debaixo do tapete. É importante falar das coisas. Quando o meu filho pergunta quando é que isto vai acabar, eu sou sincero e digo que não sei. O mundo é um sítio diferente.”

Apesar de estar consciente da instabilidade da profissão, o ator nunca pensou em mudar de área nem ter outros planos profissionais. “Ter um plano B? Quem é ator é maluco, isto não é profissão para ninguém. Ou se gosta disto quase a nível celular e é algo que ultrapassa o racional, ou não vale a pena. Isto não tem explicação. É esquizofrénico o pôr comida na mesa depender se alguém gosta de nos ver. Ou és apaixonado por isto, ou então não vale a pena.”

 

Novo filme de Diogo Morgado em standby

 

Com as gravações da novela a terminar, o ator já tem projetos na calha, mas ainda está tudo em aberto. “Tenho várias coisas, mas para mim não faz sentido fazer só por fazer. Só faz sentido se eu sentir que possa emprestar algo ao projeto”, revela.

E adianta: “Tenho um filme há um ano e tal parado, chamado Irregular, um filme muito pertinente para isto que estamos a viver, protagonizado pelo Pedro Teixeira e pela Maria Botelho Moniz, dois profissionais em grande este ano. Foi projetado para ir para o cinema e foi um esforço incrível, já tivemos propostas para a televisão e, enquanto nos for possível aguardar, vamos fazê-lo.”

 

Texto: Neuza Silva (neuza.silva@impala.pt); Fotos: Arquivo Impala e reprodução redes sociais

 

(artigo originalmente publicado na edição nº 1799 da TV 7 Dias)

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