“Forma de estar talvez mais brejeira”: Almeida Nunes recorda tempos com Cristina Ferreira

À TV 7 Dias, o médico Almeida Nunes fala sobre o seu novo programa na SIC Mulher, aborda o assédio da TVI, aconselha Tony Carreira e comenta ainda a sua relação com Cristina Ferreira.

11 Jul 2021 | 19:20
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TV 7 Dias – Ganhou o rótulo de “o médico dos portugueses”. O que sente quando ouve isto?

Dr. Almeida Nunes – Sinto um orgulho comedido. A minha relação médico/doente é inabalável e não me deixo envaidecer ou perder o norte dessa relação.

Como é que tem sido esta sua aventura no mundo televisivo?

Com muita naturalidade. Na realidade, quando estou em televisão, no consultório ou em palestras, a minha preocupação é sempre a mesma: dar informação em saúde e poder ajudar as pessoas a melhorar o estado de saúde. Eu não estou na televisão para mostrar a minha figura e muito menos para me envaidecer.

A 5 de julho, estreou um novo programa na SIC Mulher, intitulado “Médico da Casa”.

É um espaço sobre informação na saúde e bem-estar, cujo objetivo é que as pessoas possam ficar mais esclarecidas sobre temas importantes e desconstruir aquela imagem do médico distante, do ponto de vista de personalidade e de comunicação.

Está nervoso ou ansioso pela responsabilidade de ser o único anfitrião?

Alguma ansiedade, algum stress faz bem, porque nos dá força motora. Agora, se esses sentimentos – como foi o caso do nosso amigo Tony Carreira – forem em excesso, isso passa a ser nocivo para a nossa saúde. A ansiedade que sinto é mais a de querer começar e não uma ansiedade de nervosismo.

A pandemia da COVID-19 precipitou o reforço da teleconsulta, uma vertente que tem explorado na “Casa Feliz”. Como é que se ultrapassa a dificuldade de não estar a analisar fisicamente o doente?

A consulta presencial é muito mais fácil em tudo, porque basta a forma como o doente surge no gabinete para perceber qual é a situação que ele traz. Sempre que faço este consultório na TV, não faço a mínima ideia do que me vão perguntar. Cria ali uma maior responsabilidade e dificuldade. É mais complicado porque nós queremos ajudar as pessoas, mas nem sempre é fácil, porque o tempo escasseia.

Falou do exemplo do excesso de stress do Tony Carreira. Que sintomas poderão ter aqui existido, eventualmente desvalorizados, que possam ter levado ao enfarte do miocárdio do cantor?

Muitas vezes, o enfarte surge de uma forma muito súbita. A pessoa está aparentemente bem, mas de repente inicia uma dor no peito, que pode irradiar para o braço esquerdo, e normalmente é uma dor de tal maneira intensa que a pessoa tem de recorrer ao serviço de urgência. Mas há um sintoma que eu valorizo muito e que tem de ser ponderado: é aquela pessoa que passa a sentir um cansaço não habitual. Não conheço em pormenor o caso do Tony, mas tudo indica que foi uma situação súbita. Também pode ser fruto da situação tão dramática que aquela família tem vivido ultimamente. Ele tem tido alguns exageros e fica também o aviso do tabaco, do sedentarismo, do stress… O nosso amigo Tony vai ter de deixar de fumar, sem dúvida.

Pela sua experiência, o concerto agendado para 23 de julho será muito cedo para o cantor regressar?

Eventualmente, porque os concertos do Tony Carreira são normalmente extensos, há um esforço importante, isso tem de ser bem ponderado com o cardiologista que o vai acompanhar, mas não é um impedimento absoluto. É previsível que ele volte em breve à sua vida profissional, embora com um fulgor inicial menos marcante.

E o seu coração está saudável no seio da denominada família SIC?

Somos realmente uma família. Desde o Daniel Oliveira, com quem tenho uma relação de muita amizade, até à pessoa que me leva ao estúdio ou que me traz a bata, somos todos muito unidos. A “Casa Feliz” tem uma característica curiosa e que se enquadra no meu modo de ser e de estar, que é a espontaneidade e, acima de tudo, a autenticidade. Quer o João [Baião] quer a Diana [Chaves] são dois excelentes seres humanos, muito espontâneos, muito sensíveis, e isto tem muito o meu próprio ADN.

Chegou à televisão pela mão de Cristina Ferreira, no extinto “O Programa da Cristina”. Que diferenças encontra entre esse tempo e o atual, ao lado do João Baião e da Diana Chaves?

Há diferenças. Eu tinha, e espero continuar a ter, com a Cristina uma relação muitíssimo aberta e espontânea… Eu vou ser muito aberto, agora. Era uma forma de estar talvez mais brejeira, mas nem por isso deixava de ser menos profissional. Também guardo uma excelente lembrança desses tempos. Agora a forma de estar é um bocadinho diferente…

Falou-se que a Cristina Ferreira o queria levar para a TVI. Houve contactos nesse sentido?

Eu não lhe chamaria contactos formais. Houve essa tendência, essa predisposição. Houve ali um período em que isso esteve presente, mas eu não tenho espírito de vedeta. Essa coisa de andar de um lado para o outro pareceu-me que era um bocadinho demasiado. E não me posso esquecer desta realidade que é: eu sou médico. Acima de tudo, sentia-me bem na SIC e sinto-me agora muito bem e achei que não era uma ocasião pertinente para estar a mudar. Até porque havia ali algum envolvimento das pessoas, pensando que eu mudaria por razões nomeadamente de cariz financeiro, o que não tem nada a ver.

Este assédio da TVI levou a que melhorasse as suas condições na SIC?

Não. Tudo se manteve como estava, além, obviamente, deste novo programa na SIC Mulher.

 

Texto: Pedro Vilela (pedro.vilela@impala.pt); Fotos: Arquivo Impala e Divulgação SIC

 

(entrevista originalmente publicada na edição nº 1790 da TV 7 Dias)

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