Graça Peralta e a doença da mãe: “Era triste ter de passar o Natal com a vizinha”

A ex-concorrente de “Casados à Primeira Vista” relembra as quadras natalícias que viveu com a vizinha devido aos problemas da mãe. À TV 7 Dias, relata como irá viver este Natal.

24 Dez 2020 | 9:50
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Natal sempre foi uma época de sonho para Graça Peralta. As festividades em casa da diva, normalmente, arrancam no primeiro dia do calendário do Advento. No entanto, este ano decidiu antecipar as decorações para trazer algum brilho e alegria à sua família.

“Adoro preparar o Natal e enfeitar a casa. Este ano, o primeiro dia do calendário do Advento calhou a 29 de novembro, mas com o confinamento decorei a casa antes”, conta à TV 7 Dias, com um sorriso estampado no rosto. Desta época diz gostar de tudo, sobretudo do encantamento que invade a sua casa. No entanto, é com um semblante carregado que recua à infância e recorda as suas primeiras consoadas com os pais: “Os meus Natais em criança não eram dos melhores. Precisamente por ter uma mãe muito doente, não sei se era por a minha mãe ter a família no estrangeiro, mas quando chegava esta altura ficava mais deprimida e ficava quase sempre doente no Natal”, lembra, prosseguindo: “Muitas vezes, a minha mãe passava o dia na cama, com o meu pai na cabeceira, e era a vizinha do rés-do-chão que me vinha buscar para passar o Natal com ela. A minha mãe, coitadinha, queria muito festejar o Natal, ela tem uma raiz alegre como eu, mas a doença não o permitia, e para mim era triste ter de passar o Natal com a vizinha. Quando chegava a casa tinha sempre a prenda no sapatinho, mas o facto da mãe ser doente perseguiu
a minha vida até hoje.”

Por essa razão, quando decidiu constituir a sua família, Graça não se ficou apenas pelo filho único: “Talvez por isso tive três filhos, não quis ter um filho único, e sempre disse que queria festejar muito o Natal. São os Natais com os meus filhos que mais recordo com alegria, quando eles eram pequenos e ainda acreditavam na magia dos Natais. Como casei muito cedo, os meus filhos foram os primeiros netos e sobrinhos-netos e havia muita alegria à volta dos meninos. Agora estão grandes, ainda não nos deram netos, mas temos os cãezinhos e fazemos a festa na mesma.”

À mesa este ano vão faltar alguns entes queridos, sobretudo o seu filho, que no passado mês de novembro emigrou para França à procura de emprego. “Este ano não vou ter toda a gente que eu queria à mesa comigo. Primeiro porque o meu filho Pedro teve de emigrar para França, em novembro, porque Portugal não tem trabalho agora para ninguém, e por isso o meu querido filho, que me acompanhou no Casados à Primeira Vista, não vai estar cá, e vai ser a primeira vez que não vou passar com ele”, disse, reforçando que além do filho também a sua mãe não irá marcar presença no jantar familiar. “Vai ser um Natal atípico porque tenho uma mãe de alto risco, é diabética, cardíaca, idosa, e por opção dela não vai sair do quarto e não vem à mesa connosco. Não vamos fazer disto um drama nem uma tragédia. Estamos vivos e a maior prenda de todas este ano vai ser não estarmos doentes e termos comidinha na mesa.”

As celebrações serão na casa dos seus pais. “Vamos passar a consoada na minha casa de infância, porque tive de entregar a Guest house, e agora estou na minha casa de família, em Vila Nova de Gaia, e é lá que nos vamos juntar com as minhas duas filhas e o meu ex-marido, que neste momento tem uma nova companheira.” Para salvaguardar a segurança de todos, os afetos terão de ser esquecidos: “Os abraços e os beijinhos, que é algo de que somos a favor, neste momento, são as nossas armas e sabemos que não podemos fazer isso, mas resta-nos a consolação de olharmos uns para os outros, mantermos o distanciamento dentro do possível e fazermos do Natal a continuação da celebração familiar, que é muito importante.”

Tradicional no que toca a iguarias, Graça diz que na sua casa não pode faltar o bolo-rei, as rabanadas e o bacalhau. No entanto, evoca um ingrediente especial que não pode faltar na noite festiva: a alegria. “O que não pode faltar é, depois de jantarmos, cantarmos e divertirmo-nos, que é o que gostamos de fazer. A alegria é o principal ingrediente que não pode faltar.”

Cuidadora informal da mãe

Desde janeiro de 2018 que Graça Peralta enfrenta um dos maiores desafios da sua vida. Devido a uma queda da sua mãe, tornou-se oficialmente a sua cuidadora informal. “Tive a pouca sorte da minha mãe ter caído e de ter ficado aos meus cuidados desde então e decidi ser cuidadora da minha mãe, que se tornou a minha prioridade. É um luxo hoje em dia termos a possibilidade de cuidar dos nossos idosos”, revela, sublinhando, não obstante, as dificuldades de ser cuidadora. A maior dificuldade, atualmente, reflete-se no facto de sobreviver com poucos rendimentos: “Devido à pandemia, tive de deixar a Guest House que tinha com o meu filho. Vi logo que não tinha retaguarda suficiente para aguentar e desde 29 de junho que não ganho um tostão, e a reforma da minha mãe não é grande coisa. Tento, dentro do dinheiro que tenho, proporcionar o melhor à minha mãe e que não nos falte nada. Tenho tudo o que é essencial, mas é óbvio que gostava de trabalhar e de ter mais folga. Fui à Segurança Social dizer que, desde 29 de junho, não recebo um tostão, que nunca tinha pedido nada e sempre cuidei da minha mãe desde que caiu, em janeiro de 2018, e perguntei se era possível ter algum apoio como cuidadora. Responderam-me que estão numa experiência piloto, onde só quem vive em Matosinhos ou Penafiel é que tem direito a esse apoio extraordinário. Mas uma experiência de alguém que está a falar dos seus pais, do irmão, do seu filho? Um cuidador tem um desgaste físico enorme e psicológico. É uma vergonha o nosso país não dar esses apoios”, atira, indignada.

Completamente dependente da sua ajuda, Graça revela que não é fácil ter de, diariamente, “dar banho, vestir e dar a comida” à progenitora, mas afirma que será até ao fim dos seus dias “um privilégio” ser a cuidadora da sua mãe. “Mantenho esta alegria porque na vida temos de ver o copo meio cheio em vez de meio vazio. Em vez de olhar para os lado negativos, vejo os positivos. Ainda tenho a minha mãe e o privilégio de cuidar dela. Enquanto puder, quero cuidar dela, sempre foi uma boa mãe e merece isso. Mesmo sendo doente, ela sempre fez de tudo para me dar tudo.”

Textos: Telma Santos (
telma.santos@impala.pt); Fotos: João Manuel Ribeiro; Produção: Zita Lopes; Cabelo e
maquilhagem: New 33, Foz; Agradecimentos: WoodSpace Design de Interiores: woodspacedesigndeinteriores.pt; Why Not? By Óscar and Benny; Pedra Dura; Salamandras de Cognac; e La Belle Endormine
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