Humorista arrasa ex-Gato Fedorento e Catarina Furtado entra na discussão!

A opinião do comediante Diogo Faro sobre uma crónica de Tiago Dores, ex-membro do quarteto Gato Fedorento, originou várias reações, entre elas as de Catarina Furtado e Mariana Monteiro.

19 Ago 2019 | 14:10
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Diogo Faro não gostou da forma como Tiago Dores se referiu a Miley Cyrus e acusou-o de «hastear duas grandes bandeiras do mais bonito e bacoco conservadorismo». Tudo por causa de uma crónica em que o ex-Gato Fedorento questiona: «Ó Miley, agora a sério, isto de pansexual é a antiga galdéria, não é?».

«Como é óbvio, para o Tiago e para tantos, quantos mais parceiros sexuais uma mulher tem, maior o seu estatuto de galdéria (palavra cujo masculino nem sequer existe, e que é sinónimo de vadia, imoral, devassa)», escreve Faro, referindo que Dores fala de «sexualidade com uma bonita altivez e o mais prazeroso escárnio de quem não concebe (nem sequer é em si, é nos demais) outra realidade que não a binariedade».

«Se a professora primária lhe disse que meninos só podem ser meninos que gostam de meninas e vice-versa, para quê questionar?», atira.

«A diferença da sexualidade não-binária de algumas pessoas como a Miley dá tanto medo ao Tiago como a ideia de igualdade sexual de género […]. Afinal, que medos tão primários são estes que lhes dão tantas dores e (des)venturas? Difícil entender. Mas fácil de perceber que, para eles, o errado tanto está na diferença como na igualdade», aponta o humorista.

No mesmo texto, partilhada nas redes sociais, Diogo Faro acusa ainda André Ventura, o presidente do Partido Chega, de ter feito uma afirmação xenófoba.

A opinião de Diogo originou várias reações, entre elas as de Catarina Furtado e Mariana Monteiro. Sem palavras, a apresentadora e a atriz aprovaram a missiva ao deixarem na secção de comentários símbolos de aplausos.

 

Leia o texto completo:

 

 

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O ERRADO ESTÁ TANTO NA DIFERENÇA COMO NA IGUALDADE. • O medo faz parte da condição humana. Não só faz parte como é imprescindível para que nos aguentemos vivos, ou parcialmente vivos, pelo menos. Ter medo protege-nos seja de perigos físicos, como atravessar uma auto-estrada a correr ou enfrentar uma manada de gnus num desfiladeiro, assim como nos protege de perigos de profundo embaraço social, como urinarmo-nos todos cuecas abaixo já em adultos, ou ainda ser homofóbicos ou racistas em 2019. Curiosamente, este último é um medo que não ocorre tão amiúde como eu acharia saudável – e otimisticamente expectável – na sociedade dos dias que correm. E o que é ainda mais engraçado é que a ausência deste medo do embaraço que muitas pessoas têm parece estar intimamente ligada, por outro lado, ao medo enorme que têm de duas coisas paradoxalmente semelhantes: a diferença e a igualdade. Esta semana foram dois casos públicos que me fizeram pensar nisso. O primeiro foi a crónica do Tiago Dores, ex-Gato Fedorento, no Observador. Falando da sexualidade com uma bonita altivez e o mais prazeroso escárnio de quem não concebe (nem sequer é em si, é nos demais) outra realidade que não a binariedade, acaba com a brilhante pergunta dirigida à Miley Cyrus (ativista LGBT e assumidamente pansexual): “Ó Miley, agora a sério, isto de pansexual é a antiga galdéria, não é?”. Genial. Numa só frase consegue hastear duas grandes bandeiras do mais bonito e bacoco conservadorismo. Primeiro, o facto de a sexualidade ser a preto e branco, como se aprende na escola (tal como o Tiago refere também na crónica). E se a professora primária lhe disse que meninos só podem ser meninos que gostam de meninas e vice-versa, para quê questionar? Depois, a relação entre número de parceiros sexuais e o nível de aprumo social de uma mulher. Como é óbvio, para o Tiago e para tantos, quantos mais parceiros sexuais uma mulher tem, maior o seu estatuto de galdéria (palavra cujo masculino nem sequer existe, e que é sinónimo de vadia, imoral, devassa). E Deus, e talvez quem sabe a professora do Tiago, nos livre de mulheres que fazem o que bem lhes apetece com a sua vida sexual. (fim nos comentários)

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Texto: Ana Filipe Silveira | Fotografias: reprodução redes sociais

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