Infertilidade ditou fim do casamento de agricultora: «Senti-me culpada»

Em conversa com Júlia Pinheiro, a agricultora Catarina Manique abordou o fim do seu primeiro e único casamento e falou abertamente sobre a luta que trava contra a infertilidade.

11 Jul 2020 | 17:30
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Foi uma entrevista preenchida de emoção e revelações. Catarina Manique esteve à conversa com Júlia Pinheiro sobre os momentos mais difíceis da sua vida, numa entrevista emitida pela SIC, esta sexta-feira, dia 10 de julho, no programa Júlia.

Depois de contar todo o doloroso processo do tratamento da leucemia mielóide crónica, a participante da experiência social Quem Quer Namorar com o Agricultor? falou sobre o primeiro (e único) casamento, «que não correu bem». Tinha 24 anos quando deu o nó. «As coisas começaram a complicar-se. A parte da infertilidade também mexeu com isso. Preferi acabar o casamento a bem do que continuarmos a magoar-nos a vida toda», começou por dizer.

Como se costuma dizer, «enquanto há vida, há esperança». No entanto, Catarina Manique admite que se sentiu culpada pelo fim da sua história de amor. «Ainda há possibilidade pela inseminação artificial. Cá dentro tenho sempre a esperança de que Deus é grande e que vai fazer um milagre. Pensei muito nisso quando estava casada, mas o milagre não aconteceu. Senti-me culpada. Ambos queríamos tanto e eu não lhe podia dar.»

Júlia Pinheiro interrompeu a convidada: «Espero que ele não tenha deixado.» Perante o silêncio que se fez sentir na sala, continuou: «Se calhar deixou, vamos deixar assim…. Mas não tem culpa nenhuma, como é óbvio. E nunca se sabe!»

Nos últimos exames que fez, a jovem ouviu da médica que, neste momento, os seus ovários só estão «a funcionar a 2%». «Mentalizei-me. Pronto, é desta que vou perder as minhas esperanças, de ter filhos naturalmente», atirou. A apresentadora voltou a interrompê-la: «Se a medicina a conseguiu curar de uma coisa tão má… há-de ajudá-la!»

 

«Nunca pensei que me chamassem…»

 

Catarina Manique revelou ainda a Júlia Pinheiro o que a motivou a inscrever-se no programa Quem Quer Namorar com o Agricultor?. «Entrei neste programa para dar um abanão à minha vida», afirmou. «Uma prima, que faleceu antes de o programa começar, já me tinha dito: ‘Havias de te inscrever no Quem Quer Namorar com o Agricultor?’», continuou.

«Nunca pensei que me chamassem… como era só de homens. Inscrevi-me por inscrever. Quando me ligaram, fiquei atrapalhada. Respondi a tudo o que me perguntaram», atirou, com um sorriso no rosto. No entanto, passou algum tempo e a fundanense admitiu que respirou de alívio, por não ter recebido nenhuma resposta da produção. «Já passou, ninguém me vai dizer nada, maravilha. Mas depois ligaram-me. Diverti-me muito. Não me arrependo nada de ter participado. Apareci muitas vezes a chorar e isso custava-me imenso.»

A parte menos boa da experiência social foi o facto de ter tido de «reviver o passado». «Nunca pensei que mexesse tanto comigo. Pensei que já tivesse ultrapassado», contou, com as lágrimas nos olhos. Além disto, Catarina Manique revelou que não foi fácil adaptar-se, uma vez que «estava habituada a viver sozinha.»

Por fim, Júlia Pinheiro afirmou: «Se calhar, fez mais pelas mulheres do que 50 discursos. É das mais bem sucedidas, de todos [os participantes da experiência social] com quem já falei. Tenho muita pena de não a poder abraçar, senão estava já aqui no meu colo. É uma menina muito doce!»

 

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Texto: Ivan Silva; Fotografias: Divulgação e reprodução redes sociais

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