RTP aposta em Black Mirror à portuguesa: «É uma série muito única e muito particular»

Teresa Tavares e Beatriz Barosa são as protagonistas de Instaverso, série que explora o lado negro e perverso da tecnologia. Black Mirror é uma «referência», mas «tem a sua própria linguagem».

24 Abr 2020 | 14:10
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«Maria está numa fase da sua vida em que se sente muito desmotivada, muito aborrecida e insuficiente. É alguém que não é capaz de atingir os seus objetivos e os seus sonhos. Acaba por viver muito intensamente uma amizade ilusória com uma influencer, Inêsperada. Ela vive obcecada pela rede social dessa influencer, dá-lhe todo o valor do mundo e acredita que tem mesmo uma amizade com essa pessoa e que a conhece quando, na verdade, só a vê através do ecrã de um telemóvel. Até que Maria descobre um portal que lhe dá acesso às publicações dessa influencer.»

Beatriz Barosa resume na perfeição, à TV 7 Dias, a premissa de Instaverso, série de cinco episódios que se estreou, na passada segunda-feira, na RTP Play. É ela a atriz que dá vida a Maria e personifica o «fascínio» no momento em que é descoberto um «universo paralelo» em que se move a personagem de Teresa Tavares, que revela à nossa revista que o seu «maior desafio ao nível da construção da personagem foi criar à ‘Inês virtual’, o clone de Inês no Instaverso».

 

 

Da autoria de Rodrigo Prista e realizada por António Sequeira, Instaverso surge numa altura em que Portugal está a meio gás, por força da pandemia da Covid-19, e que, por isso, «para estarmos próximos, estamos muito dependentes das tecnologias». Palavras de Beatriz Barosa, que vinca o «lado provocatório» que encontra na série: «Mostra uma visão um bocadinho diferente das redes sociais, porque é muito fácil uma pessoa, quando está numa situação frágil da sua vida, deixar-se levar e iludir por esta esperança que muitas vezes é dada por influencers. Pode ser bom, porque de facto há pessoas que o fazem muito bem, mas também pode levar a uma comparação excessiva.»

Talvez por isso muitos já apelidem Instaverso de Black Mirror à portuguesa, numa alusão ao fenómeno da Netflix que explora o lado negro e perverso das tecnologias. «Fico contente de ouvir isso. Black Mirror tornou-se numa série de referência nestas temáticas e claro que é uma comparação que me deixa lisonjeada, até porque gostei muito de Black Mirror quando a vi. Mas parece-me que a comparação tem mais a ver com a temática e com a exploração desta dinâmica entre o universo real e o virtual porque, de resto, são bastante diferentes e Instaverso tem a sua própria linguagem, o que também é muito importante», esclarece Teresa Tavares à TV 7 Dias.

 

 

A outra protagonista da história afina pelo mesmo diapasão. «Entendo essa comparação. É uma referência forte e foi uma das referências que o realizador nos deu antes de começarmos a gravar a série. Principalmente na minha personagem, há muito a questão do fascínio por uma influencer e a questão de como se constrói uma relação tão pura com alguém que não conhecemos. Em Black Mirror, isso também é visível em alguns episódios», concorda Beatriz Barosa. «Além disso», continua, «o lado negro da tecnologia também é muito explorado em Instaverso. Claro que acho que a nossa série é muito única e muito particular, mas Black Mirror é uma referência, sem dúvida.»

 

Redes sociais usadas como divulgação de trabalho

 

Facto curioso: Instaverso é protagonizada por duas atrizes que exploram as redes sociais sobretudo para fins promocionais dos seus trabalhos. Uma «escolha consciente», analisa Teresa Tavares. «Desde sempre que disse e repito que o que conta é o meu trabalho. Eu sou atriz e é por isso que as pessoas me conhecem. O importante para mim é que o público, quando me vê a fazer um papel, acredite que aquilo que está a ver é verdade. O que interessa é que as pessoas se deixem levar pelas histórias e pelas personagens que interpreto – e sinto, pelas reações que recebo, que isso tem acontecido, o que é mesmo muito gratificante», considera.

Assim, a atriz olha para as redes sociais como «mais uma forma de divulgar o seu trabalho». Mas não só: «Como chego a bastantes pessoas, uso-as também para falar de temas que acho importantes, chamar a atenção para questões humanitárias ou fazer sugestões de literatura, cinema ou outras áreas que me interessam ou me inspiram. Na verdade não tenho regras nem ponho limites. O que tenho sempre em mente é que o que conta, no final do dia, é o meu trabalho. E acho que ele também fala por mim.»

Beatriz Barosa assume uma postura semelhante à da colega no que diz respeito às redes sociais, nas quais segue «principalmente atores e atrizes» que admira. Adepta sobretudo do Instagram, lembra que foi incentivada a usá-la de forma mais regular enquanto estava em antena.

«Lembro-me de que fiz uma novela para a TVI e que me aconselharam a criar Instagram, porque realmente é uma forma mais próxima de estarmos com o público e de darmos a conhecer o nosso trabalho, mesmo a outros produtores, realizadores e encenadores. Não é que às vezes não partilhe coisas mais da minha vida pessoal. Acabo por partilhas mais coisas que estou a ler, por exemplo, não tanto de mim própria», abrevia.

Gravada durante cerca de três semanas, no final do ano passado, Instaverso chega à RTP Play às segundas-feiras. Não está prevista, para já, uma segunda temporada.

 

Texto: Dúlio Silva; Fotografias: 

 

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