Investigação sobre o desaparecimento de Maddie McCann já custou perto de 14 milhões

Autoridades britânicas revelaram, no dia 31 de março, terem chegado ao fim as verbas atribuídas para a investigação ao desaparecimento de Maddie e candidataram-se a novos montantes.

21 Jun 2020 | 15:30
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O desaparecimento de Madeleine McCann voltou a ser tema de capa nos jornais portugueses, ingleses e alemães, na passada semana, após ter sido conhecido o nome do mais recente suspeito do rapto da menina inglesa, a 3 de maio de 2007, dias antes de completar quatro anos de idade. Esta é uma investigação que já dura há 13 anos e que já resultou numa despesa total que ascende aos €13,5 milhões desde que, em 2011, foi lançada a operação Grange, conduzida pelas autoridades do Reino Unido.

Com verbas atribuídas anualmente pelo Ministério da Administração Interna, a Polícia Metropolitana de Londres (MET) anunciou, a 31 de março deste ano, que as mesmas tinham terminado, tendo de imediato candidatado-se a uma nova reserva de fundos anual.

Segundo informações do site oficial deste organismo do Governo Britânico, só nos primeiros três anos da operação Grange foram investidos mais de €6,5 milhões na busca de Maddie, que desapareceu do apartamento 5A do Ocean Club, na aldeia da Luz, Lagos. Os valores, desde então, têm baixado bastante, como foi o caso de 2019, altura em que as autoridades receberam menos de €350 mil para financiar os trabalhos dos investigadores.

 

Quem é o novo suspeito

Christian Brueckner tem 43 anos de idade, é alemão e está, neste momento, na mira das autoridades alemãs, inglesas e portuguesas como sendo o principal suspeito do desaparecimento de Maddie McCann. De acordo com a Sky News, este nome passou a ter destaque na investigação após, em conversa com um homem num bar, na Alemanha, em 2017, Brueckner ter confessado ser o responsável pelo desaparecimento da criança e ter, também, mostrado ao amigo um vídeo de uma violação de uma mulher. De acordo com o mesmo jornal, a pessoa que ouviu a confissão terá, entretanto, feito uma denúncia à polícia alemã.

Segundo dado avançados pela MET, Brueckner viveu em Portugal entre 1995 e 2007. Em 1999, escreve o Expresso, cumpriu uma pena de prisão de dois meses por pequenos furtos no Estabelecimento Prisional de Évora. Em 2006 foi novamente condenado, desta vez a nove meses de prisão por ter roubado combustível numa bomba. Saiu em liberdade em dezembro do mesmo ano, cinco meses antes do desaparecimento da pequena Maddie.

Mas o percurso criminal deste homem não se fica por aqui. Em 2014, o suspeito volta a ser acusado, na Alemanha, por crimes de exploração sexual de crianças e pornografia infantil. No entanto, antes do julgamento, Brueckner regressou a Portugal, de onde foi extraditado em 2017. Nesta altura, cumpriu uma pena de prisão de um ano e três meses. Saiu em liberdade em agosto de 2018, mas com a obrigação de se apresentar uma vez por mês às autoridades alemãs durante cinco anos, algo que não cumpriu.

O alemão foge entretanto primeiro para a Holanda e depois para Itália, país onde volta a ser detido em outubro desse mesmo ano e extraditado para o seu país Natal, para cumprir mais um ano e nove meses de prisão. Nesta altura, as autoridades portuguesas descobrem que, em 2005, Brueckner foi o responsável pela violou uma americana de 72 anos na Praia da Luz. A condenação aconteceu apenas em dezembro de 2019, com uma pena total fixada em sete anos de prisão, que se encontra agora a cumprir.

No seu cadastro, constam ainda outros crimes, como abuso sexual de uma criança em 1994 – o que lhe valeu uma condenação de dois anos de prisão -, tráfico de droga, roubo e infração na posse de arma.

 

Os indícios que o tramaram

Segundo as autoridades, esta suspeita sob Brueckner ganhou força depois de verificarem os seus registos telefónicos, que o colocam na área da Praia da Luz no dia em que Maddie desapareceu. Também as duas viaturas que possuía foram vistas nos arredores do empreendimento Ocean View na altura em Maddie desapareceu, sendo que, de acordo com a MET, no dia a seguir ao desaparecimento da criança, Brueckner passou o registo de um dos carros para outra pessoa.

Além disso, novas informações chocantes vieram agora a público, pela boca de Lenta Johlitz, uma ex-funcionária sua de um quiosque localizado em Braunschweig. Segundo esta mulher, em 2014, durante uma conversa entre colegas a respeito deste assunto, Brueckner «perdeu completamente a cabeça, numa vez em que estávamos com amigos no quiosque e falávamos sobre o caso Maddie. Queria que acabássemos com o tema e gritou: parem de falar sobre isso. A criança está morta e pronto. Os porcos também comem carne humana».

O suspeito encontra-se, neste momento, a ser investigado não apenas pelo desaparecimento da menina inglesa, mas também pelo homicídio desta. «Gostava de começar por dizer que na investigação do desaparecimento da criança britânica Madeleine McCann, com três anos, da Praia da Luz, no Algarve, assumimos que a menina está morta», afirmou Christian Wolters, procurador e porta-voz, em declarações à imprensa.

Quanto ao casal Jerry e Kate McCann, fizeram questão de deixar uma declaração pública, na qual dizem que o que sempre quiseram foi «encontrá-la, descobrir a verdade e trazer os responsáveis à justiça. Nunca iremos deixar de ter esperança de encontrar Madeleine viva, mas independentemente do desfecho, nós precisamos de saber o que se passou e precisamos de encontrar paz».

Textos: Carla Ventura (carla.ventura@impala.pt); Fotos: : Arquivo Impala, Divulgação Polícia Metropolitana de Londres e D.R.

 

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