Isabela Valadeiro sobre José Mata: «faz todo o sentido resguardarmo-nos»

Discreta no que toca à sua vida pessoal, a intérprete de Telma de Golpe de Sorte confessou em exclusivo à nossa revista que namora com o também ator José Mata.

13 Out 2019 | 9:50
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TV 7 Dias – Como era a Isabela em criança?

Isabela Valadeiro – Olha, era uma miúda que vinha muito para pousadas, já que a minha mãe trabalhou em hotelaria muito tempo e eu fui rigidamente educada a comportar-me em sítios destes.

Com etiqueta?

Com etiqueta. Fazia algumas birrinhas, confesso.

Vinha com a sua mãe e fazia o quê?

Acompanhava a minha mãe. Eu adorava estar em pousadas. A minha mãe trabalhou na Pousada de São Miguel, que, entretanto, já fechou.

Onde era isso?

Em Sousel, perto de Santo Amaro. E eu estava com ela, fazia-lhe companhia e fazia-me companhia a mim. Era uma criança alegre, brincava imenso, era bem-disposta, fazia algumas birras, era um bocadinho teimosa.

E ainda é assim?

Não. Eu reivindico por aquilo que eu acho que faz sentido. Acho que sou uma miúda muito justa. E às tantas, pela justiça, sou capaz de ser um bocadinho reivindicativa, mas não acho que seja defeito. Eu sou bastante flexível, se me dizem que é amarelo, ok, se é a tua opinião, embora não seja na minha ótica.

Ao almoço ouvi-a comentar que tem uma carreira muito curta. Curta, mas com incidência. Estava preparada para este sucesso repentino? Como é que imaginou isto?

Não sei. Eu não imaginei nada. Eu tracei objetivos e a partir do momento em que saí daqui, do Alentejo, foi… quero ser atriz. Vou estudar para isto.

Saiu do Alentejo e foi para Lisboa estudar…

Há muita gente que acha que entrei logo no mundo na moda. Fui para a Inimpetus – que é uma escola de atores – e estive lá três anos da minha vida. Fui em outubro de 2014. Tinha acabado de fazer
18 anos. Saí daqui, tinha ponderado ir para a Faculdade, e inclusive inscrevi-me, mas às tantas, caiu-me a ficha e ‘não, não não! Eu quero é dedicar-me à área que sempre mexeu comigo’, e portanto eu vou para uma escola de teatro e depois então faço um curso complementar que não pus de parte. Eu quero formar-me e aprender mais, mais e mais. E fui para a Escola de Atores e, a partir daí, comecei a fazer trabalhos para agências.

 

«Gostava de fazer uma vilã»

 

Deixou a casa dos pais, no Alentejo, com 18 anos. Como é que a sua família reagiu?

Ficaram receosos, de coraçãozinho apertado. Eu, com 17 anos, já sabia exatamente o que queria. Mas também digo-lhe já que acho ingrato as crianças terem de escolher logo em tenra idade. É difícil. E depois vim para Lisboa, fiz os três anos de escola de atores e inscrevi-me em várias agências. Inscrevi-me numa e saí, inscrevi-me noutra e saí.

E fazia moda em paralelo?

Eu fazia mais pós-laborais. Eu trabalhei em restauração, eu trabalhei numa série de sítios antes de ser modelo. Depois fiz então uma carreira na moda, fui para Milão, fui para Paris, regressei e tinha um casting. Eu fiz o casting de A Herdeira e entrei e fiquei muito feliz. Em A Herdeira fiz uma personagem secundária, só que agarrei-a com unhas e dentes. E gostei muito, entreguei-me todos os dias e quis sempre fazer bem. Acho que fiz alguma coisa para me darem uma personagem logo a seguir de grande destaque.

Foi um salto grande.

Em termos de incidência, sim. Sim, bastante. Aqui eu era uma das protagonistas. Contracenava com o Ruben Gomes e mais cinco mulheres.

Sentiu medo?

Senti responsabilidade, mais ainda. À gestão de expectativas que caiu sobre mim, tentei sempre corresponder.

O que lhe diziam?

Acho que o feedback foi positivo. A minha personagem era dramática, chorava muito, portanto, ela não tinha ponto de fuga, era sempre uma coisa mais ou menos linear. Mas entreguei- me sempre e empenhei-me sempre.

E depois veio o Golpe de Sorte…

Foi o Golpe de Sorte. Personagem incrível, adorei esta personagem, confesso que foi difícil inicialmente, mas depois de agarrada foi uma diversão, e tinha um elenco extraordinário. Foi uma experiência muito, muito gira.

E tem interpretado papéis muito diferentes…

Sim…

O que é que tem vontade de fazer agora?

Para já, daqui a quatro ou cinco aninhos, de fazer uma vilã…

Sente que ainda não está à altura?

Não é isso, acho que tenho de amadurecer um bocado, fazer outras coisas também. Teatro novamente, porque comecei o teatro, cinema…

O que fez no teatro?

Fiz 13 peças em exercício de escola. Fiz várias coisas, Aristóteles, Antígona, As Mulheres do Parlamento, O Avarento…

Ficou lá o bichinho…

O teatro é outra coisa. Televisão é maravilhoso, pela ‘estaleca’ que nos dá, mas teatro é outra dimensão, é quase o Olimpo, não sei explicar. Tem-se tempo, compõe-se. A Telma foi desafiante por
isso também, porque foi um trabalho de composição, a fisicalidade da Telma não é a minha, e isso foi um desafio brilhante.

O que é que a Telma tinha de si?

Olha, tinha a alegria. Eu também gosto de fazer as pessoas rir, atenção. Eu tenho isto dentro de mim, e a Telma fez-me soltar todo esse humor que tenho dentro de mim. Eu improvisei na própria série, e receber o feedback da autora, a dizer-me ‘muito obrigada. Está muito bem, conseguiste’, foi maravilhoso. O núcleo também era bastante coeso e todos muito próximos… Éramos mesmo uma família.

 

Atriz revela que ainda não visitou Ângelo Rodrigues

 

Por falar em família, já foi ver o Ângelo Rodrigues ao hospital?

Não fui. Eu espero que corra tudo pelo melhor, mesmo.

O que é que as pessoas da sua terra, que a conhecem, lhe dizem?

Dizem que a Telma é parecida comigo, mas é maluca e eu não sou maluca. No Alentejo, nós gostamos muito de estar no convívio, a beber copos. Eu e o meu irmão somos sempre os bobos da corte, e a gente gosta de ver toda a gente a rir. As pessoas identificam-se e já me disseram que se partem a rir. É uma coisa que marca. Eu ia a passar e um amigo disse-me: ‘Ó Telma Style, anda cá’. É fascinante as
pessoas rirem com o meu trabalho. É maravilhoso

O que faz quando não está a trabalhar?

Tento ler, tento instruir-me, tento saber mais, vou ao ginásio, estou com os meus amigos, com os meus colegas de casa, tento ir ao teatro, que já não vou há algum tempo…

Vive sozinha?

Não, com os meus colegas de casa, ainda.

Em Lisboa?

Sim.

Ainda lhe dizem que é parecida com a Sara Sampaio?

Às vezes. Acho que esta Telma foi boa para descolar. A Telma é bastante pirosa, não é? E a Sara Sampaio é uma mulher com classe. Mas sim, às vezes, há essa confusão.

Isso incomoda-a?

A Sara Sampaio é uma mulher que admiro. Ela é linda de morrer. Agora, a Sara Sampaio seguiu o caminho dela e está no topo dos topos da Victoria’s Secret, ela é uma das melhores top models do Mundo e eu tenho orgulho por ela ser portuguesa e admiro-a pelo sucesso que ela está a fazer no estrangeiro. Eu sou a Isabela e tenho outra carreira.

A moda para si é um plano B?

Eu acho que a moda, para ser trabalhada intensivamente, tem de se investir. Eu tenho uma carreira previamente construída como atriz e faz sentido continuar. Foi sempre este o meu objetivo e faz muito mais sentido a área da representação. Apesar de gostar muito de moda, relego muito bem para segundo lugar.

Qual é a importância que as redes sociais têm para si?

Tornaram-se quase fundamentais nas nossas vidas, não é? Eu francamente gosto de me afastar um bocadinho, porque acho que é uma coisa muito viciante e tenho um bocado de medo disso, porque é perigoso, eu acho, e não quero ficar “adita” de uma coisa que, às tantas, nem me acrescenta. Quero mais é investir o meu tempo em coisas que me fazem bem mentalmente.

Gosta de partilhar com o público momentos seus?

Imagina, se faço um evento, partilho. Partilho livros. Nos Açores com o meu irmão partilhei a ilha. Nunca lá tinha estado e, por isso, fiz questão de partilhar.Não sou muito de partilhar amigos e família, resguardo-me nesse aspecto, mas gosto de partilhar sítios de que realmente gosto, livros que gosto, sítios que devem ser vistos, sobretudo de Portugal. Quando viajo, gosto de mostrar, mas não faço tenções de mostrar tudo, porque é o meu íntimo e porque me quero resguardar e ter alguma privacidade.

Por falar em resguardar, é inevitável não falar das suas fotos com o José Mata aos beijos..

Amanhã a gente fala. Vais estar nos Globos de Ouro? [N.R.: A entrevista foi feita na véspera dos Globos de Ouro]. Tens de ir. Amanhã logo se vê. O que é que há para dizer? Sim, namoramos. Pronto. Não me posso alongar mais.

Está feliz?

Sim, estou feliz, obrigada. Agora, não quero jamais que percamos a individualidade de cada um, porque acho que cada um de nós tem valor. Não faz sentido estarmos constantemente a apresentarmo-nos como um casal.

Mas até aqui não se assumiram como um casal.

Porque estávamos à procura. E eu acho que faz todo o sentido resguardarmo-nos.

Mas no momento em que está ali o beijo…

Não há mais nada a dizer, mesmo.

Como é que vocês reagiram?

Com naturalidade. Eu vou dizer-te que não gosto muito dessas coisas dos paparazzi, acho que é muito feio, acho que qualquer pessoa deve ter acesso à sua privacidade. Agora, está feito, está feito, não é?

São figuras públicas e têm de perceber isso, não é?

Claro. Não há nada a fazer.

Textos: Mafalda Dantas; Fotos: Helena Morais; Agradecimentos: Turismo Regional do Alentejo

 

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