«Incompetência»! Joana Amaral Dias abre o jogo sobre polémica à volta da morte do pai

A psicóloga quebrou o silêncio sobre as circunstância em que o pai morreu. O reconhecido psicanalista terá esperado duas horas por uma ambulância, chegando ao hospital já sem vida.

08 Dez 2019 | 10:57
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Quatro dias depois da morte do pai, Joana Amaral Dias esteve na SIC Notícias para falar pela primeira vez sobre os contornos polémicos em redor da morte do progenitor. Carlos Amaral Dias, psicanalista de 73 anos, morreu na terça-feira, 3 de dezembro, enquanto era transportado pelo INEM para o Hospital de São José, em Lisboa.

A antiga deputada do Bloco de Esquerda revelou que o pai se sentiu mal às 9h00 e que a ambulância foi chamada ao local poucos minutos depois. Contudo, o psicanalista só deu entrada na unidade hospitalar duas horas depois, já sem vida. «O meu pai vive no Marquês de Pombal. O trajeto da sua residência até ao São José é bastante curto. O que aconteceu foi um cocktail fatal de acidentes, negligência e incompetência», escreveu Joana Amaral Dias na legenda de um vídeo que mostra um excerto da entrevista que concedeu, num momento em que ainda faz o luto.

«Houve uma ambulância que avariou, mas também se verificaram demoras e a chegada do carro do INEM só com um técnico e sem o equipamento de reanimação como a situação estritamente ditava. O resultado foi a morte. Pedimos autópsia e o INEM abriu um inquérito. Aguardamos os resultados», acrescentou a também psicóloga.

Revoltada, Joana Amaral Dias criticou o Serviço Nacional de Saúde e afirmou que a população portuguesa está «vulnerável, desprotegida e entregue à sorte»«Se os impostos que pagamos não servem para acudir em situações limite, para que é que servem? Para salvar bancos? E, se isto pode acontecer com um homem de 73 anos a viver no centro de Lisboa, pode suceder a qualquer um de 20 ou 30, em Viseu ou em Faro, ou no interior desertificado. Pode acontecer a qualquer um. Vivemos num país que cortou no essencial, deixou a gordura e talhou o osso, deixando as populações vulneráveis, desprotegidas e entregues à sua sorte.»

«É verdade que o meu pai era um doente com diversas patologias graves cuja expectativa de vida era já limitada. Mas certamente merecia ter partido em paz e com outra tranquilidade, com a mão segura pelos que amava, com os olhos postos nos que tinha. O meu pai foi estudante de medicina em Coimbra. Deu os seus melhores anos ao Serviço Nacional de Saúde, no qual deixou talento e pele. Morreu sozinho em agonia dentro de uma ambulância que não dispunha dos meios para o acudir. Que a sua partida sirva para que todos nós e finalmente rejeitemos este futuro», terminou.

 

Veja o comentário de Joana Amaral Dias sobre a morte do pai:

 

 

Além da também comentadora televisiva, Carlos Amaral Dias deixa outros três filhos. O conhecido psicanalista era o diretor do Instituto Superior Miguel Torga, em Coimbra, cargo que abandonou recentemente.

A causa da morte não é conhecida. Quanto ao seu historial clínico, sabe-se que corria o ano de 2012 quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). As sequelas deixadas levaram-no a afastar-se do exercício das suas funções durante aproximadamente cinco anos, tendo, por isso, regressado ao ativo em 2017.

 

Texto: Mafalda Mourão com Dúlio Silva; Fotografias: Impala e reprodução redes sociais

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