Declarações exclusivas! João Fernando Ramos sai da RTP para projeto de milhões na TVI

A RTP pediu a João Fernando Ramos para ponderar a decisão, mas o convite de Nuno Santos era irrecusável. Após várias sondagens da concorrência, sai para erguer um centro de produção da TVI no Porto.

15 Ago 2020 | 9:50
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Adeus, RTP! Olá, TVI! Três décadas depois, João Fernando Ramos despediu-se da estação pública, no dia 31 de julho, para abraçar o maior dos seus desafios profissionais: ser o responsável executivo pela operação e expansão da TVI no Norte do País.

Nas suas primeiras declarações sobre o projeto que abraça, prestadas em exclusivo à TV 7 Dias, o jornalista revela que da missão que terá em mãos a partir de 1 de setembro faz parte «a construção de um centro de produção que terá três valências – televisão, rádio e multimédia» – e que terá, nomeadamente «um moderno estúdio de televisão e todas as capacidades para também se poderem fazer emissões nas plataformas digitais».

A ideia, explica-nos, «é dar dimensão ao canal no País, começando pelo Porto, e ter uma estrutura com capacidade para produzir programas, ter presença muito regular em antena e ser um verdadeiro centro de produção», algo que, com a dimensão deste projeto, «atualmente só existe na RTP».

«Queremos ter uma presença muito mais visível no Porto e na região. O primeiro foco será a Informação, mas não queremos ficar por aí. Queremos ser um polo agregador de ideias que possam chegar à antena principal e às outras antenas da TVI», refere. E é já no «início de 2021» que se esperam ver os primeiros resultados deste ambicioso projeto, cujo investimento está na ordem dos milhões de euros, embora o responsável não avance os valores praticados.

Amigo de Mário Ferreira, acionista da dona da TVI e presidente da Douro Azul, com quem já assinou um livro, o jornalista garante que esta relação «não teve qualquer influência na decisão». Até porque, segundo ele, o convite partiu do Diretor-Geral, Nuno Santos, «há cerca de um mês».

«Eu e o Mário temos alguns contactos sociais, não somos propriamente amigos de casa. Fizemos um livro há alguns anos por uma paixão que temos em comum: ele estava a fazer o Dakar e eu em reportagem. Já o Nuno foi um dos diretores com quem mais gostei de trabalhar na RTP. Temos uma ótima relação», diz à TV 7 Dias.

Para trás fica a estação pública, o que «não foi uma decisão fácil». «Trinta anos deixam uma ligação muito forte com a RTP, que continuará no meu coração. Quis que toda esta mudança fosse pacífica. Em 30 anos, houve muitas abordagens da concorrência que geri sempre com a máxima discrição. Aliás, como esta abordagem. Nenhum dos convites tinha chegado a este grau de me levar a ter de decidir e a ter de falar abertamente com a RTP nos termos em que falei. Não disse à RTP ‘Se vocês me pagarem mais, eu fico’ ou algo do género. Disse à RTP que ia sair», relata.

«A administração pediu-me para ponderar e lembrou-me da importância que tinha dentro do canal. E eu ponderei. De forma tranquila, franca e sincera, sem qualquer drama. Este era o projeto certo para deixar a RTP», remata.

 

Texto: Dúlio Silva (dulio.silva@worldimpalanet.com); Fotografias: reprodução redes sociais

 

(artigo originalmente publicado na edição nº 1743 da TV 7 Dias)

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