João Portugal critica Miguel Araújo por não «respeitar» quem está pior profissionalmente

Miguel Araújo não se mostrou indiferente ao cancelamento de concertos devido à pandemia de Covid-19 e João Portugal deixou o seu descontentamento perante as palavras do músico.

31 Mar 2020 | 17:30
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As recentes declarações de Miguel Araújo sobre o impacto da pandemia de Covid-19 na vida dos músicos e de todos os que trabalham nesse meio estão a causar polémica. E João Portugal foi o primeiro a reagir e a deixar a sua opinião nas redes sociais.

«Nós íamos ter um ano espetacular, cheio de concertos… Já tínhamos 30 ou 40 concertos marcados, ainda íamos ter mais e, de repente, não vamos ter nenhum. É uma angústia e uma tristeza. Claro que não é exclusivo da nossa área, apesar de a nossa ser das mais afetadas, porque não se trata de uma queda de 40%, nem de 60%, trata-se de uma queda de 100%!», referiu em entrevista ao Posto Emissor, podcast da BLITZ.

 

«Peço-te serenidade e reflexão»

Para João Portugal, o músico não está a «respeitar as outras atividades» que passam por dificuldades devido ao novo coronavírus e, num texto publicado na sua página de Facebook, pediu-lhe «serenidade e reflexão» antes de dar uma opinião como esta.

«Senhor Miguel, já vivi da música e acredita que os impostos são bem mais “suaves” do que os que pago na minha atual profissão como fotógrafo», escreveu, lamentando o facto de, também ele, enquanto fotógrafo, ter sido obrigado a cancelar vários trabalhos e a adiar outros.

«Devias preocupar-te mais com o pessoal que neste momento está na linha da frente, médicos, enfermeiros, bombeiros, polícias, empregados de supermercado, camionistas, entre outros, que todos os dias lutam em prol de nós para que nos sintamos mais protegidos», rematou.

Leia o texto na íntegra que João Portugal dedicou a Miguel Araújo:

«Miguel Araújo, sou fã do teu trabalho, respeito a tua opinião e como músico aceito o que dizes nesta entrevista, mas não tenho que concordar com tudo que dizes, obviamente. Por exemplo, quando aqui dizes que os músicos, compositores e todos aqueles que têm concertos marcados são os que ficarão mais afetados com a crise devido ao Covid… Senhor Miguel, já vivi da música e acredita que os impostos são bem mais “suaves” do que os que pago na minha atual profissão como fotógrafo.

Sim, e o que vou fazer daqui para a frente? Já cancelei vários trabalhos e adiei outros, que possivelmente serão cancelados também. E a restauração? E as pequenas e médias empresas, que estão neste momento fechadas? E os cabeleireiros, carpinteiros, pintores e empregadas de limpeza? E os cafés que estão todos fechados e têm que despedir os funcionários, os taxistas??

Miguel, acredita que a tua área, “A música”, vai ser aquela que no futuro próximo será talvez das menos prejudicadas. Espero eu, claro, que também sou músico!

Para terminar, não estás a respeitar as outras atividades que neste momento estão bem pior que tu, para além de que pagam IVA 23% e IRC, com salários a cumprir e despedimentos devido à Covid-19. Peço-te mais serenidade e reflexão nas tuas opiniões, pois estamos todos no mesmo barco, Miguel. E rezo para que tudo volte ao normal, porque precisamos da tua música mas, para teres plateia cheia, o padeiro, cabeleireiro, fotógrafo, empregado de mesa, advogado, pintor, etc, têm que ter dinheiro para comprar o bilhete. Eu também ía ter um ano cheio de produções fotográficas e, de repente, nada!

Espero que compreendas o meu pequeno desabafo. Existem milhares de músicos neste País e neste mundo com muito menos concertos, ou nenhuns mesmo, antes da Covid, no entanto apesar das dificuldades que irão atravessar, respeitam as outras áreas e devias preocupar-te mais com o pessoal que neste momento está na linha da frente, médicos, enfermeiros, bombeiros, polícias, empregados de supermercado, camionistas, entre outros, que todos os dias lutam em prol de nós para que nos sintamos mais protegidos. Mas tudo vai ficar bem… Miguel!»

Texto: Filipa Rosa; Fotos: DR e Reprodução Instagram

 

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