5 perguntas a Jorge Gabriel: «Estamos gratos por a Cristina se ter mudado para a SIC»

O apresentador da RTP fala à TV 7 Dias sobre a forma como a Praça da Alegria beneficiou da presença d’O Programa da Cristina na grelha da SIC e garante que a concorrência não lhe dá dores de cabeça.

04 Fev 2020 | 11:44
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O final da anterior temporada anterior de emissões da Praça da Alegria não poderia ter corrido melhor, com uma subida de audiências que aproximou Jorge Gabriel e Sónia Araújo de Manuel Luís Goucha e Maria Cerqueira Gomes, a ponto de a dupla da RTP1 ter mesmo ultrapassado os apresentadores do Você na TV! em vários dias. Todavia, o cenário alterou-se desde que, encerrado o verão, o matutino regressou à grelha de programação do canal estatal.

Mas Jorge Gabriel não se mostra nada preocupado. Em conversa com a TV 7 Dias, o anfitrião das manhãs da RTP1 fala sobre o regresso mais tímido da Praça da Alegria e sobre como, um ano depois da estreia d’O Programa da Cristina, a mudança de Cristina Ferreira para a SIC influenciou a concorrência.

Sobre os números, diz-se feliz com o caminho trilhado pela sua Praça da Alegria, num trajeto diferenciado da oferta da SIC e a TVI. E sem pressões da Direção de Programas, liderada por José Fragoso, ou da administração da RTP, presidida por Gonçalo Reis.

 

TV 7 Dias – Depois de uma temporada com muita alegria, a Praça voltou ligeiramente mais tímida.

Jorge Gabriel – As oscilações são normais, porque nós beneficiamos de uma dinâmica total. Não podemos olhar para os nossos resultados única e exclusivamente por algo que sucede momentaneamente. Temos de perceber o todo e isto é, de facto, uma corrida de longo curso. E se nós, dando critério diferente ao programa, conseguimos estes resultados é porque há público para o ver. Devo também dizer que temos uma constante preocupação em não esquecer aqueles que foram sempre fiéis ao programa e àquele género de conteúdos. Podemos rasgar, podemos ser audazes, mas não nos podemos esquecer nunca da matriz. E a matriz é ter um espaço da programação da RTP em que portugueses têm oportunidade de expor as suas capacidades, todos os dias, e em que se aproveita para mostrar ao país e ao mundo aquilo que somos capazes de fazer sem ser só na Grande Lisboa.

O Programa da Cristina obrigou a concorrência a ser melhor?

Não sei se foi O Programa da Cristina. Nós sentimo-nos obrigados a ser melhor todos os dias. Eu sempre achei que a mudança da Cristina para aquele canal e para aquele espaço era uma oportunidade para nós. Sempre achei que aquilo que poderia suceder só nos iria beneficiar e o tempo fez o favor de nos dar razão. Nós estamos muito melhor do que estávamos quando a Cristina estava na TVI. Portanto, nós até estamos gratos pelo facto de a Cristina se ter mudado para a SIC, porque os números estão aí e não deixam mentir. Nós estamos consideravelmente melhor atualmente do que estávamos. Só para dar uma ideia aproximada dos números, talvez tenhamos aumentado a nossa audiência num terço [N.R.: confrontar balanço anual feito recentemente pela TV 7 Dias]. Um terço é muita gente. Andávamos nos 9, 10 [% de quota de mercado] e agora até temos dias nos 17 [%]. Temos até dias de 20 [%]! Agora, andamos numa média de 14, 15 [%], que é a média da estação. Portanto, estamos a cumprir o nosso trabalho.

E estão prontos para a possibilidade de ter uma nova concorrência [Maria Cerqueira Gomes já anunciou o regresso ao Porto e esperam-se, por isso, mudanças nas manhãs da TVI]?

Isso não sabemos, isso é muito aquilo que se suspeita. Mas também não podemos estar preocupados nem reféns daquilo que a concorrência vai fazer. Nós temos as nossas obrigações e temos de respeitá-las. E as nossas obrigações têm de ser melhoradas todos os dias. Todos os dias elas têm de sofrer uma sondagem e uma preocupação nossa para que possamos até implementar algo que já fizemos no passado mas que pode ser melhorado. Essa é que a nossa dor de cabeça diária.

A Cristina, o Goucha e a Maria não vos dão dores de cabeça?

Não no sentido de estarmos a olhar para tentarmos fazer como alguém ou para tentarmos ir buscar um nicho de público. Ok, eles têm a sua forma de fazer, têm os seus conteúdos, têm o seu caminho. Nós estamos neste caminho. Foi isso que nos foi pedido pela Direção de Programas e pela administração da RTP.

Nunca vos foi feito um alerta de que precisavam de aumentar as audiências?

O que nos foi dito foi: ‘Atenção, se nós tivermos mais audiências, nós ficamos satisfeitos com tal. Portanto, não nos podemos esquecer as audiências’. O que é um pouco diferente de: ‘Meus amigos, isto tem um prazo! Três meses e isto tem de estar em determinado valor’. Não. E tem sido tudo feito com um empenhamento incrível da equipa de produção. É só ler as fichas técnicas dos programas da RTP, SIC, TVI para se perceber a diferença de meios que nós temos relativamente à nossa concorrência. E, nem mesmo olhando para essa esmagadora potência que os nossos concorrentes têm, nós desistimos ou baixamos os braços.

 

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Texto: Dúlio Silva; Fotografias: Arquivo Impala e reprodução redes sociais

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