Jorge Palhares e Sandra Castilho sobre perda do filho: «o bebé estava muito mal-formado»

Jorge Palhares e Sandra Castilho submeteram-se a cirurgias estéticas. Por detrás destes procedimentos esconde-se uma história de dor e sofrimento que pôs à prova o casal.

20 Dez 2019 | 17:30
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Jorge Palhares e Sandra Castilho conheceram-se na segunda edição de Love on Top, em 2016. Em 2018, Sandra engravidou e o casal via aproximar-se a concretização do sonho de constituir família. Mas, num instante, tudo mudou. Numa entrevista exclusiva, o empresário, de 30 anos e a administrativa, de 29 falam abertamente sobre o filho que perderam e de como essa tragédia os tornou mais fortes, como seres humanos e como casal.

A TV 7 Dias entrevistou o casal na Clínica de Cirurgia Estética Dr. Moreira Martins, onde se submeteram a várias intervenções estéticas.

O Jorge retirou gordura das mamas, que se acumulou devido ao facto de ter usado testosterona.

Jorge Palhares – Sim. Durante a toma de testosterona, quando há uma desregulação, surge uma ginecomastia [inchaço do tecido mamário em rapazes ou homens, provocada por um desequilíbrio hormonal de estrogénio e testosterona]. Quando deixei de treinar, a gordura acumulada cada vez se notava mais. Foi uma das coisas que quis corrigir.

E em relação à gordura abdominal?

JP – Como já não treino há cerca de três anos e deixei por completo as dietas, comecei a engordar. Foi um acumular de situações.

Essa mudança influenciou a sua auto-estima?

JP – Custou-me ter de parar de treinar para me tentar afastar do mundo dos ginásios. O facto de não tomar anabolizantes também me criou falta de auto-estima. Eu achava que precisava daquilo. O primeiro ano foi o que me custou mais. Depois, comecei a aceitar o meu corpo. Não me sentia bem fisicamente mas psicologicamente sentia-me bem.

Voltar a por os pés no ginásio vai ser quase como ultrapassar um medo?

JP – De certa forma, sim. Se eu conseguir manter o foco no meu objetivo, que é emagrecer e ganhar massa muscular, sim. Se conseguir manter um corpo e uma saúde mental estável sem ter necessidade de recorrer a esses químicos, vai ser uma vitória. Ainda não consegui chegar àquele meio termo em que posso ter uma vida normal, frequentar o ginásio, ter um corpo saudável sem entrar em extremos.

Tem tido apoio psicológico?

JP – Cheguei a ter, sim.

 

«Quando aconteceu o aborto fiquei 3 meses sem trabalhar»

 

Porque é que escolheram fazer estas cirurgias enquanto casal?

JP – Desde que saímos do Love on Top procurámos ter o nosso próprio trabalho. Tínhamos os objetivos de ter casa, família e não tínhamos muito tempo para nos cuidarmos. Depois, quando aconteceu o aborto, fiquei 3 meses sem trabalhar. Não saía de casa, refugiava-me na comida.

Foi um estado depressivo?

JP – Sim, tive de ser acompanhado por um psicólogo. Ele receitou-me alguma medicação porque eu não conseguia dormir. Essa medicação tinha como efeito secundário engordar e foi um arrastão. Já passou mais de um ano desde que perdemos o bebé e achámos que era altura certa para cuidarmos de nós e esquecermos o que ficou para trás. Recomeçar. Quando for a altura certa, tentamos novamente ser pais. Primeiro, queremos sentir-nos bem, física e mentalmente.

Quando acontece algo traumático como a perda de um filho, há casais que tendem a desligar-se.Vocês ficaram ainda mais unidos.

JP – As pessoas costumam já nos dizem isso desde os primeiros contratempos, quando nos roubaram o carro, quando nos assaltaram a loja. Quando algo corre mal, apoiamo-nos mutuamente. Quando perdemos o bebé, de todas as situações, foi quando nos sentimos mais unidos. Quando eu estava mal, ela apoiava-me, quando ela estava mal, eu tentava apoiá-la ao máximo. Dói muito, porque foi um bebé muito desejado mas o facto de ter acontecido só nos uniu ainda mais.

Sandra, como se sente com as novas maminhas?

Sandra Castilho – Ainda não vejo os resultados finais, porque ainda estão um bocadinho inchadas mas a minha auto-estima parece que já está a melhorar.

Foi, como seria para qualquer mulher, um ano e meio muito complicado.

SC – Foi muito. Desde que cheguei ao Porto [em 2016], foram muitos contratempos. No primeiro ano, senti-me como peixe fora de água.

As pessoas podem achar que colocar implantes mamários é uma decisão fútil e apenas estética. Que importância teve para si nesta fase?

SC – Teve muita. Nós perdemos o nosso filho… não foi aborto espontâneo, que é um aspecto que também queria esclarecer. O bebé estava muito mal formado.

Tiveram de provocar o parto?

SC – Sim. Eu podia ser egoísta e dizer ‘ele vai morrer dentro de mim’ ou tirar. Estava de quase 5 meses… aquilo foi um bocadinho negligência médica. Eu estava a ser seguida no particular e, quando o médico viu que havia malformações, encaminhou-nos para o hospital público.

Não detetaram as malformações nas primeiras ecografias?

SC – Nada, nada. Uma gravidez normal, tudo a correr bem. Quando fomos fazer essa ecografia, disseram-nos que a prega da nuca estava muito aumentada. Fizemos o rastreio pré-natal, todos os testes e mais alguns e foi quando nos disseram que os testes estavam todos negativos para doenças e malformações e foi nessa altura que o médico decidiu lavar as mãos e mandar-nos para o público.

 «O bebé tinha os órgãos a falir. Estava completamente defeituoso»

Deve ter pesadelos a ler as notícias sobre os casos recentes de negligência médica.

SC – Mesmo, acredite! Vejo esses casos e penso ‘ainda bem que fui a tempo!’ O bebé já estava em sofrimento. Depois, tive a sorte de encontrar uma médica que me colocou tudo preto no branco. Naquele momento, o mundo estava a acabar. Foi um trauma que não desejo a ninguém. Fiz o parto, fiz tudo. Não desejo o que passei a ninguém.

Ponderaram processar a clínica onde foram acompanhados?

SC – Na altura, sim. A revolta era tanta que pensámos mesmo. Mas o desgaste é tão grande que não tínhamos forças para fosse o que fosse. Ainda agora estamos a ser seguidos na parte genética, no Hospital de São João. Mas, no hospital privado, nunca mais lá meto os pés.

Também fez uma abdominoplastia.

SC – Sim. O meu corpo mudou completamente com a gravidez. No Love on Top, tinha tudo no sítio e fiquei com o corpo um bocadinho deformado. Nas maminhas foi onde senti mais que precisava de uma intervenção.

Quando perdeu o bebé, teve algum tipo de acompanhamento psicológico?

SC – Eu tentei fazer-me de forte… Na altura, o Hospital de São João disponibilizou-se logo para me dar consultas de psiquiatria e eu rejeitei. Não queria tocar mais naquele assunto. Eu iria interiorizar e iria ser eu, todos os dias, a lutar contra essa mágoa. Optei por não ter acompanhamento. Hoje em dia, quero e já pensei nisso. Vai ser a próxima etapa, o ponto final para acabar este ano. Como já estou com a auto-estima mais elevada, penso fazer essa consulta, para perceber se fiquei com alguma mazela. mas acho que não, que estou a conseguir ultrapassar.

Conversou com mulheres que passaram pela mesma situação?

SC – Numa semana, tinha publicado nas redes sociais que estava grávida, passados 3 dias foi quando aconteceu o que aconteceu. Muitas mães vieram pedir-me conselhos. Eu não sabia que havia tanta gente na minha situação! Eu pensava que era um caso isolado, mas não. Recebi muito apoio através das redes sociais e no hospital de São João. Havia muitos casais na mesma situação. No nosso caso, o bebé tinha os órgãos a falir. Estava completamente defeituoso e eu não sabia que era possível haver tantos casos assim.

As pessoas, muitas vezes, não falam por vergonha.

SC – Sim e não saber reagir numa situação destas. Mas, para mim foi importante receber esse apoio das pessoas e também aconselhar, para tentar amenizar a dor. Porque a perda está lá e há-de sempre estar. Eu digo que sou e sempre irei ser a mãe de um anjo.

O facto de ter um marido com ‘M’ foi importante nesta fase?

SC – Sem dúvida! Eu tive a dor física, emocional também. Mas o Jorge sofreu mesmo muito. Ele sentiu mesmo tudo ao pormenor. Esteve sempre ao meu lado no hospital e foi ele que esteve sempre lá, acompanhou tudo ao pormenor. Se não fosse ele, não sei como seria. se calhar, tinha mesmo de recorrer a um psicólogo.

Os planos para voltar a tentar ter um filho estão adiados durante quanto tempo?

SC – Uns dois anos. Cada pessoa faz o luto à sua maneira. Daqui a dois anos talvez seja o tempo ideal para deixarmos tudo para trás e voltarmos a tentar ser pais.

 

Médico explica cirurgias

 

O casal com o cirurgião Moreira Martins

 

José Moreira Martins, cirurgião responsável pelas intervenções a que o casal se submeteu, explica cada um dos procedimentos. «O Jorge Palhares referia uma certa insegurança pessoal pois, apesar de se cuidar em termos alimentares e de frequentar o ginásio, não conseguia obter resultados satisfatórios». Jorge Palhares tinha lipodistrofia marcada ( excesso de gordura) na região torácica ( ambas as mamas), flancos e região abdominal, tendo sido «submetido a uma lipoaspiração em ambas as mamas e regiões abdominais».

No caso de Sandra, o cirurgião explica que esta «apresentava-se também algo deprimida e desgostosa com o seu aspecto físico, com repercussões em vários aspectos da sua vida pessoal,social, familiar». A mulher de Jorge Palhares colocou «implantes mamários de 360 ml» e fez ainda uma «lipoaspiração supra e infra-umbilical».

José Moreira Martins faz questão de frisar a importância destas operações «no sentido da contribuição para um melhor equilíbrio psicológico, uma vez que têm de ir ao encontro das expectativas que as pessoas têm de si mesmas, melhorando a sua auto-confiança».

 

Texto: Raquel Costa | Fotos: João Manuel Ribeiro | Agradecimentos: Dr. Moreira Martins Clínica Cirurgia Estética

 

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