Revoltado! Jornalista da RTP implacável com Graça Freitas: «Silêncio, por favor!»

António Esteves, jornalista da RTP1, mostra-se revoltado com o estado da saúde em Portugal e deixa uma mensagem a Graça Freitas, Diretora-Geral da Saúde.

30 Mar 2020 | 9:58
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António Esteves recorreu às redes sociais para partilhar um desabafo com os seguidores, este doningo, dia 29 de março. A acompanhar uma foto de Graça Freitas, Diretora-Geral da Saúde que está na linha da frente na luta contra a pandemia da Covid-19, o jornalista da RTP1 desabafou com os internautas.

«O pico da pandemia em Portugal já esteve previsto para finais de março, para início de abril, passou para meados de maio e já vai em finais de maio. Hoje já andam a dizer que a situação só vai normalizar quando houver uma vacina. Daqui a seis meses, um ano, um ano e meio?», começou por escrever.

«Silêncio por favor!»

«Parece-me que o mais prudente, numa fase em que todos queremos que todos fiquem em casa, era evitar estes palpites de pura futurologia e sem nenhuma sustentação científica. Quando não houver factos concretos relevantes para reportar deve optar-se pelo silêncio, é mais prudente. Coisa que já devia ter sido feita há muito tempo», pode ler-se na referida publicação.

O jornalista critica a forma como Graça Freitas e Marta Temido, ministra da Saúde, descredibilizaram, ao início, este vírus que está a assombrar o mundo. «Ou então, manda-se o número 1 de quarentena e opta-se pelo número dois para evitar que o cansaço faça o seu estrago. Basta ter memória para nos lembrarmos de tudo o que já se disse desde o início desta crise, quando as autoridades de saúde acreditavam que a coisa nem chegava a Portugal e ia ser levezinha. Silêncio, por favor! Que falem os dados. Bons ou maus», concluiu.

«Ninguém sabe nem pode prever quando vai acontecer o pico»

António Esteves acabou por apagar esta publicação, após a mesma ter dado que falar. Mais tarde, colocou um esclarecimento sobre as suas palavras:

«(….) Eu não arrasei – mas quem sou eu para isso?, não lhe pedi silêncio – pelo menos total, mais uma vez quem sou eu para isso? – nem sequer critiquei fortemente ou fui deselegante para com a Directora-geral da Saúde. Limitei-me a assinalar o que considero ser um erro de comunicação, ou de passagem da mensagem, num caso concreto, no exercício dos meus direitos à opinião e à livre expressão», escreveu.

«Obviamente que o objectivo é retardar o pico para não provocar o colapso do SNS na capacidade de resposta, mas aventar datas é um erro: ninguém sabe nem pode prever quando vai acontecer o pico. Este é o ponto!», remata. 

Texto: Inês Borges/ Fotos: DR

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