Histórias de bastidores: Jornalista foi enganado e abandonado pela equipa da TVI na Índia

A história deste abandono por parte da TVI aconteceu na Índia durante as gravações da novela Fascínios. Leia os motivos pelos quais o jornalista foi enganado e abandonado e como tudo acabou.

23 Abr 2020 | 17:50
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Durante as gravações da novela Fascínios, na Índia, a equipa da TV 7 Dias viajou às escondidas da produção. Depois de um «sim» que nos foi dado, um jornalista da nossa equipa acabou por ser enganado e abandonado numa cidade de 15 milhões de habitantes.

Esta é uma das muitas histórias vividas por jornalistas da TV 7 Dias durante mais de 30 anos e que agora aqui vamos começar a partilhar consigo. Saiba como tudo aconteceu.

A vida de um jornalista passa quase sempre por sair em reportagem. São inúmeras as vezes que se fazem malas para percorrer o país, muitas até, e outras que passam por apanhar aviões além fronteiras.

Uma dessas coberturas jornalísticas aconteceu em 2007, quando a TVI começou a apostar em outras paragens para gravar cenas de uma novela. E no arranque da novela Fascínios, foram até Goa e Bombaim, na Índia.

Sem autorização formal do canal de Queluz de Baixo e da produtora da novela, a Plural, a equipa de reportagem da Tv 7 Dias meteu-se no avião e foi atrás do elenco até Bombaim.

Era nesta cidade de 15 milhões de habitantes que iriam estar os atores da trama de António Barreira., Alexandra Lencastre, Rita Pereira, Diogo Amaral, João Perry, Rogério Samora e Renato Godinho.

«Corram com eles», terá dito José Eduardo Moniz ao telefone

E o primeiro embate entre imprensa e equipa de gravações não foi o melhor. Na verdade, nada que já não estivéssemos à espera, uma vez que não nos tinha sido concedida a tal autorização. Mas lá está, antes de viajarmos formámos um puzzle de como iriam ser as operações da produtora no terreno. Faltavam era muitas peças.

Quando eles chegaram, nós estávamos lá para tentarmos fazer o nosso trabalho. À data dos acontecimentos, o realizador da novela era André Cerqueira. Mais tarde chegou a diretor da Plural, cargo que acumulou posteriormente com o de diretor de programas da estação de Queluz de Baixo.

Assim que este pisou o lobby do hotel, voltámos “à carga” – em Portugal não tinha resultado – e fizemos nova abordagem para tentarmos fazer parte da equipa e desta forma ter acesso a gravações e bastidores, o que caso contrário seria impossível.

André não escondeu o ar de espanto ao ver-nos ali e depois de ouvir os nossos argumentos falou com José Eduardo Moniz, na altura diretor geral da TVI. Do lado de lá do telefone, disse-nos depois, a ordem foi «corram com eles.»

Contudo, André opôs-se às ordens de comando e argumentou que preferia ter-nos por perto e controlar o nosso trabalho, do que andarmos ao longe sem ele poder ver o que andávamos a fazer. De seguida, já junto à piscina do hotel, trocámos contactos e o plano das festas para o dia seguinte, bem como a garantia de não atrapalhar as gravações . Quer dizer… mais ao menos.

Enganados pela produção

Foi-nos dito que os trabalhos de gravação iniciavam-se às 7h30 do dia seguinte. De facto disseram, mas alguém voltou atrás na decisão do dia anterior e enganaram-nos na hora. Por essa altura, no hotel, só havia taxistas à porta, o hall de entrada estava vazio, e de atores portugueses, que era bom… nada. Tudo isto numa cidade que alberga um Portugal e meio de habitantes. E optou-se então por procurar uma agulha no palheiro.

Neste entra e sai do hotel à procura de quem se foi embora, havia vários taxistas a abanar a cabeça e as mãos a oferecer os seus préstimos de forma insistente – muito mesmo. Sem nenhum dos motoristas conseguir responder à pergunta: «onde estava o grupo de portugueses, saídos algum tempo antes do hotel?», a paciência esgotou-se rapidamente.

A partir daquele ponto de saturação anunciámos que apanharíamos o táxi com quem descobrisse o paradeiro dos desaparecidos. Sendo que a pista era apenas de que estariam a gravar num hotel de luxo ao pé de um lago.

Revistados à porta do hotel

Meter um grupo de motoristas indianos agarrados ao telefone para descobrir o paradeiro dos desaparecidos revelou-se de um acerto incrível. Não terão passado mais de 10 minutos até um condutor nos abordar com a resposta.

Ainda assim foi avisado de que, caso estivesse a enganar-nos, ficaria a arder com o dinheiro da corrida. Uma hora depois, chegámos à entrada do hotel Marriot, onde o carro foi passado a pente fino pela segurança. Mas bom mesmo foi ver o ar estupefacto da equipa técnica ao dar de caras connosco.

Depois de contarmos como chegámos até eles, foi remédio santo: ganhámos o braço de ferro e nunca mais nos enganaram. Foi lado a lado até ao fim das gravações. Mas os momentos desta viagem não se esgotam aqui. Longe disso.

No meio dos indianos

Nas gravações de Fascínios, a equipa técnica da TVI não se limitou a registar as cenas em ambientes controlados. Era preciso que a novela respirasse Índia. Só que, essa “respiração” tinha um preço elevado – as autorizações para gravar nas ruas eram demasiado caras.

Nada que uma equipa de produção nacional, auxiliada pela produtora local, não resolvesse. E assim se registaram momentos da trama, nas rua de Bombaim, fugindo aos preços proibitivos das autorizações locais. Só para se ter uma ideia, por cada 10 minutos de filmagem eram pagos milhares de euros.Resultado: Alexandra Lencastre, Rogério Samora e João Perry, que tiveram que trabalhar em condições mais ou menos – mais menos do que mais – controladas.

E assim, enquanto a equipa técnica se escondia em varandas, os atores circulavam no meio das gentes de Bombaim. Com fracas condições de segurança, Alexandra Lencastre teve de simular um quase atropelamento, que se ia tornando real. Tudo sem dupla e com muito risco à mistura.

O dia de gravações acabou sem sobressaltos de maior.

Texto e fotos:Luís Correia

 

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