Jornalista revela mais um nome de alegado agressor sexual

Joana Emídio Marques relatou o seu episódio de assédio sexual em 2012, quando trabalhava no “Jornal de Notícias”. A jornalista também deu a conhecer publicamente o nome do alegado agressor.

03 Mai 2021 | 11:50
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Joana Emídio Marques fez uma revelação inédita nas redes sociais nesta sexta-feira, dia 30 de abril. Depois de Sofia Arruda ter divulgado o seu episódio aterrador no “Alta Definição”, da SIC, várias figuras públicas e outras caras conhecidas do panorama televisivo seguiram o mesmo exemplo. A jornalista terá sido assediada em 2012 por uma fonte, durante a altura em que trabalhou no “Jornal de Notícias”. Manuel Alberto Valente poderá ter sido o autor do crime.

Através de um desabafo na sua página do Facebook, Joana relatou o seu caso. Tudo terá acontecido depois de um convite para um jantar de trabalho. “No ano de 2012 começou a correr a notícia de que a Porto editora ia comprar a mais importante chancela de poesia a Assírio e Alvim, cujo catálogo tinha nomes como Herberto Helder. Para quem está fora do meio literário isto pode não significar nada. Para quem trabalha no meio era uma cacha (um furo jornalístico) e eu queria-o para mim. Era “amiga” no Facebook do editor e homem forte da Porto Editora, que já então me enviava mensagens ‘pseudo-sexutoras’ (não é erro, inventei esta palavra). Aceitei jantar com ele para falarmos da compra da Assírio”, começou por escrever.

“Não é por acaso, ele marcou o jantar num fim de semana em que a sua mulher estava num festival literário no México. Mas esta ligação eu só fiz muito depois. Fomos a um restaurante (caro) ali ao fundo da rua do Alecrim, um que serve sushi. Ele, cavalheiro a ajudar-me a despir o casaco, a puxar a cadeira para eu me sentar. Estava eu a ficar bem impressionada, quando ele tira do bolso uma caixinha de comprimidos que espalhou na palma da mão e aproximou do meu rosto e lançou: estás a ver? Não tenho aqui nenhum comprido azul”, continuou.

Joana Emídio Marques: “Logo a tratar-me por tu e a insultar-me de forma velada”

“Eu, que acabara de conhecer o homem e não queria parecer burra, forcei o meu cérebro a tentar entender a ‘piada’, mas não consegui. ‘Oh’, soltou ele, ‘não te faças de sonsa’. Assim, logo a tratar-me por tu e a insultar-me de forma velada. Nesse momento eu entendi (se nasces mulher aprendes cedo a descodificar alusões sexuais): o homem estava a mostrar-me, a dizer-me que não tomava viagra. E aquilo que era para mim um jantar de trabalho tornou-se logo ali uma humilhação”, confessou.

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E foi um pouco mais à frente no relato que a jornalista referiu pela primeira vez o nome do alegado agressor pela primeira vez. “Como fazia sempre, tinha deixado o meu carro estacionado na Rodrigues Sampaio, junto à porta do Diário de Notícias. Ele ofereceu-se para me dar boleia até lá. Aceitei. Erro meu. Quando parou o carro e ia dar-lhe os tradicionais dois beijos de despedida, o Manuel Alberto Valente ainda achou por bem começar a tentar beijar-me na boca, com uma descontração que mostrava que ele deve ter feito isto centenas de vezes.”

“Eu afastei-me e sai do carro. Em silêncio chamei-o de velho porco, em silêncio humilhado chorei até Setúbal. Contei isto a vários amigos, mas não mais. Queixei-me ao (na altura) assessor de imprensa da Porto Editora, Rui Couceiro, que reconheceu ‘haver esse problema’, como quem aceita que pode chover num dia de sol”, atirou.
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Joana Emídio Marques terminou o relato pormenorizado afirmando que tem conhecimento de muitos mais casos de assédio. “Se fores mulher, ser tratada sem vergonha nem respeito, é apenas mais um dia normal na tua vida. O Manuel Alberto Valente, acabou no final do ano passado por ser afastado da Porto Editora. Hoje em dia é cronista do Expresso. Colega do Henrique Raposo que veio a público pedir às mulheres que digam nomes. Aqui está um nome, caro Henrique. E tenho mais. Mas talvez não dê jeito ouvir”, rematou a jornalista.

Texto: Carolina Sousa; Fotos: Impala e redes sociais

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