Aplausos e emoção: José Alberto Carvalho fecha Jornal das 8 de forma épica

O Jornal das 8 deste domingo terminou de forma emocionante. José Alberto Carvalho e a redação da TVI fizeram uma homenagem aos resistentes que, ao longo do último mês, prestaram serviço ao país.

20 Abr 2020 | 9:45
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As homenagens, os discursos emotivos e os alertas à população tornaram-se, durante a pandemia, uma parrte importante dos noticiários dos canais portugueses, com especial destaque para a SIC que, com Rodrigo Guedes de Carvalho e Bento Rodrigues, tem proporcionado aos portugueses momentos de alerta, emoção e razão.

Este domingo, 19 de abril, foi a vez de José Alberto Alberto Carvalho encerrar o noticiário da TVI de forma muito pessoal. Andando pela redação até aos bastidores, à régie, o pivô falou sobre o momento que o país atravessa. Mas não só.

«Uma estação de televisão, uma redação, novas rotinas, medo, angústia, tudo isso é comum a toda a gente. Também é comum a esta série Resistentes [reportagens emitidas pela TVI sobre trabalhadores de serviços essenciais], que encerramos hoje. As rotinas estão em rutura e elas são importantes na vida de todos nós mas talvez não seja necessariamente assim», disse.

 

«Permita-me partilhar uma ideia que em tempos foi bastante importante para a maneira como eu decidi entender e encarar a minha profissão», começa por dizer José Alberto de Carvalho, destacando a «curiosidade» como condição essencial ao exercício da atividade jornalística.

«Os filósofos chamam a isto capacidade de assombro. Implica uma certa ingenuidade de espírito, um amor ao novo, um estar disposto a deixar-se surpreender a cada manhã. Nesta capacidade de assombro reside o fundamento do conhecer e por isso a rotina é o pior inimigo da sabedoria. E por isso a rotina é o pior inimigo do jornalista. E as rotinas que temos de criar de novo, em busca das que perdemos no passado, não nos devem impedir de olhar para o que está certo.», diz ainda.

Veja o vídeo:

Depois, o pivô da TVI, que perdeu um familiar vítima da covid-19 e de quem não se pôde despedir, enumerou as dezenas de profissões essenciais à manutenção da normalidade possível em tempo de pandemia. «Todos os que não tiveram a opção de parar. Não pode haver qualquer duvida no espírito de ninguém. Obrigado». O discurso terminou com a redação da TVI a aplaudir de pé.

Pivô da TVI perdeu familiar devido ao coronavírus

A 29 de março, José Alberto Carvalho revelava, em direto no Jornal das 8, que tinha perdido um familiar, vítima do novo coronavírus.

«Hoje, foi sepultada uma pessoa da minha família, que sempre foi muito importante na minha vida. Sucumbiu aos 93 anos. Não foi vítima da Covid-19, mas o vírus tirou-me outra coisa: impediu-me que me despedisse dela. A cerimónia fúnebre foi reduzida a meia dúzia de pessoas apenas, sem um abraço de conforto, sem aquele pegar na mão para dizer ‘força’.»

«O vírus rouba-nos até esta exigência moral da humanidade que é despedirmo-nos dos nossos mortos e nunca, nem nos campos de batalha mais sangrentos, se deixam os mortos para trás», considerou, num discurso pautado por pausas reflexivas sobre o impacto na vida de todos do novo coronavírus, que provoca a doença Covid-19, «uma das doenças mais devastadoras da história da humanidade» e que «nada tem de parecido com gripe».

 

 

Texto: Raquel Costa | Fotos: DR e Arquivo Impala

 

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